<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201</id><updated>2012-02-14T21:51:16.397-03:00</updated><category term='http://www.blogger.com/img/blank.gif'/><title type='text'>Reflexões Teológico-Pastorais</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contribuicoes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>226</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1329803686591515542</id><published>2012-02-14T21:43:00.000-03:00</published><updated>2012-02-14T21:51:16.405-03:00</updated><title type='text'>Gerar vida e gerar morte</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YmrCMOlvQJY/TzsBVu49v7I/AAAAAAAAB5k/K5I4ONFMprc/s1600/fome.gif" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="139" src="http://3.bp.blogspot.com/-YmrCMOlvQJY/TzsBVu49v7I/AAAAAAAAB5k/K5I4ONFMprc/s200/fome.gif" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Por Ivone Gebara&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Adital - Notícias da América Latina e do Caribe&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Espanta-me a facilidade como alguns clérigos e bispos afirmam poder distinguir com clareza as forças que geram vida e as que geram morte. Discorrem como se estivessem num campo de certezas. Nem percebem que o próprio uso dessas duas palavras principalmente nos seus discursos acalorados sobre a importância de escolhermos a vida conduz quase necessariamente a defender armadilhas de morte e provocar formas sutis de violência. O que é vida? O que é morte? É possível que a morte se sustente fora da vida e a vida fora da morte? Não somos nós vida e morte ao mesmo tempo? Não somos sempre aprendizes, caminhando trôpegos, dando um passo depois do outro nas escolhas diárias que tentamos fazer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Faz algum tempo que a Igreja Católica no Brasil vem desenvolvendo uma linha equivocada de defesa da vida. Quando falam da defesa da vida reduzem o termo vida à vida do feto humano e, assegurados da vida do feto esquecem-se de todos os outros aspectos e personagens reais da complexa teia da vida.&lt;/b&gt; Fico me perguntando de novo porque insistem nesse erro e nesse limite lógico condenado também de muitas maneiras pelos muitos filósofos e teólogos da Tradição Cristã. Distanciam-se até das últimas reflexões de Bento XVI que, com justeza, discorre sobre a complexidade da vida no universo, incluindo-se a vida humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espanta-me constatar mais uma vez a pouca formação filosófica e teológica de parte do episcopado e de muitos clérigos que se arvoram a defender a vida, mas atiram pedras em pessoas que consideram "mal-amadas" só por defenderem um ideário diferente do seu. Por que "mal-amada" ou "mal-amado" seria uma forma de menosprezar ou diminuir as pessoas? O que defato querem dizer com isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não somos todos nós necessitados de amor? Não é o amor a missão cristã? Não é para os desprezados, esquecidos e mal-amados que o Cristianismo diz manter sua missão a exemplo de Jesus? É desconcertante perceber que usam expressões desse tipo e instrumentalizam a mensagem cristã para afirmar desacordos de posições, como o fez D. Benedito Simão, bispo de Assis e Presidente da Comissão pela vida do Regional Sul I da CNBB. Em entrevista ao Grupo Estado de São Paulo na semana passada, por ocasião da escolha da &lt;b&gt;Professora e Doutora Eleonora Menicucci&lt;/b&gt; como ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, o referido bispo classificou a nova ministra de "mal-amada" e, &lt;u&gt;com isso desrespeitou-a e incitou ao desrespeito e à falta de diálogo em relação à responsabilidade pública de enfrentar os sérios problemas sociais.&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria o bispo então um privilegiado "bem-amado"? A partir de que critérios?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desrespeito às histórias e escolhas pessoais, às muitas dores e razões de muitas mulheres torna-se moeda corrente em muitas Igrejas cristãs que se armam para uma chamada "guerra santa" &lt;b&gt;sem a preocupação de aproximar-se das pessoas envolvidas em situações de desespero. Usam sua autoridade junto ao povo para gritar palavras de ordem e em nome de seu deus confundir as mentes e os corações&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Perdeu-se a civilidade. Perdeu-se o desejo de consagração à sabedoria e ao bom senso. Perdeu-se a escuta aos acontecimentos e à aproximação respeitosa das dores alheias&lt;/b&gt;. Apenas se responde a partir de PRINCÍPIOS e de pretensa autoridade. Mas, o que são os princípios fora da vida cotidiana das pessoas de carne e osso? Qual é o teto dos princípios? Quem os estabelece? Onde vivem eles? Como se conjugam nas diferentes situações da vida? &lt;b&gt;O convite ao pensamento se faz absolutamente necessário quando as trevas da ignorância obscurecem as mentes e os corações&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse momento crítico de descrença em relação a muitos valores humanos, as &lt;u&gt;atitudes policialescas de um ou mais bispos, de clérigos e pastores, assim como de alguns fiéis nos apavoram&lt;/u&gt;. &lt;u&gt;A ignorância das próprias fontes do Evangelho e a instrumentalização da fé dos mais simples nos espantam&lt;/u&gt;. A democracia real está em risco. A liberdade está ameaçada pelo obscurantismo religioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;De nada servem palavras como diálogo, escuta, conversão, solidariedade, respeito à vida quando na prática é a violência e a defesa de ideias pré-concebidas que parecem nortear alguns comportamentos religiosos públicos&lt;/b&gt;. Seguem esquecendo que não se deve tomar Deus em vão. Não apenas seu nome, pois isto, já o fazem. &lt;u&gt;Tomar Deus em vão é tomar as criaturas em vão, selecionando-os, desrespeitando-as e julgando-as de antemão&lt;/u&gt;. Nós todas/os temos palhas e traves em nossos olhos e eu sou a primeira. Por isso, cada pessoa ou grupo apenas consegue ver algo da realidade, que é sempre maior do que nós. Entretanto, se quisermos enxergar um pouco mais, somos convidadas a nos aproximar de forma desarmada dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Somos desafiadas a ouvir, olhar, sentir, acolher, perguntar, conversar como se o corpo do outro ou da outra pudessem ser meu próprio corpo, como se os olhos e ouvidos dos outros pudessem completar minha visão e audição&lt;/b&gt;. E mais, como se as dores alheias pudessem ser de fato minhas próprias dores e suas histórias devida minhas mestras. &lt;b&gt;Só assim poderemos ter um pouco de autoridade com dignidade&lt;/b&gt;. Só assim nossa belas palavras não serão ocas. E, talvez, nessa abertura a cada dia renovada, poderemos acreditar na necessidade vital de carregar os fardos uns dos outros e esperar que a fraternidade e a sororidade sejam possíveis em nossas relações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos meus]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1329803686591515542?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1329803686591515542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1329803686591515542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/02/gerar-vida-e-gerar-morte.html' title='Gerar vida e gerar morte'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YmrCMOlvQJY/TzsBVu49v7I/AAAAAAAAB5k/K5I4ONFMprc/s72-c/fome.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1727353261301098884</id><published>2012-01-23T16:38:00.001-03:00</published><updated>2012-01-23T16:38:26.012-03:00</updated><title type='text'>Por que devemos voltar para Jesus</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zmWty8L6n4Q/Tx22-LL-_FI/AAAAAAAAB5M/D2b-EHc4bk0/s1600/HansKung.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-zmWty8L6n4Q/Tx22-LL-_FI/AAAAAAAAB5M/D2b-EHc4bk0/s200/HansKung.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Artigo do teólogo suíço-alemão Hans Küng (foto), em artigo para o jornal Corriere della Sera, 20-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mediante o livro &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt; (Ed. Imago, 1976), inúmeras pessoas encontraram a coragem para serem cristãs. O autor sabe isso por causa das inúmeras resenhas, cartas e colóquios. Muitas pessoas, de fato, afastadas da prática e da pregação de alguma grande Igreja cristã, buscam caminhos para continuarem sendo cristãos confiáveis, buscam uma teologia que não seja abstrata para eles e alheia ao mundo, mas explique de modo concreto e próximo da vida em que consiste ser cristão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt; não pretendia "seduzir" as pessoas com a retórica ou agredi-las com um tom de pregação. Nem queria simplesmente fazer proclamações, declamações ou declarações em sentido teológico. Pretendia motivar, explicando que, &lt;u&gt;por que e como uma pessoa crítica também pode ser responsavelmente cristã perante a sua razão e o seu ambiente social&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se tratava de uma simples adaptação ao espírito do tempo. Certamente, sobre questão discutíveis como os milagres, o nascimento virginal e o túmulo vazio, a ascensão ao céu e a descida aos infernos, sobre a &lt;i&gt;práxis&lt;/i&gt; eclesial e o papado também era preciso assumir posições críticas. Isso, porém, não para seguir uma fácil tendência inclinada à hostilidade contra a Igreja ou ao pancriticismo, mas sim para purificar, a partir do próprio &lt;b&gt;Novo Testamento&lt;/b&gt; como critério, a causa do ser cristão de todas as ideologias religiosas e para apresentá-la de maneira credível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A originalidade do livro não está, portanto, nas passagens críticas; está em outro lugar, no fato de ter fixado critérios que, para muitos, representam desafios em teologia. Em &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt;, de fato, eu tentei: apresentar toda a mensagem cristã no horizonte das ideologias e religiões contemporâneas; dizer a verdade sem resguardos de natureza político-eclesiástica e sem me preocupar com inclinações teológicas e tendências da moda; não partir, por isso, de problemáticas teológicas do passado, mas sim das questões do ser humano de hoje e, a partir daí, apontar para o centro da fé cristã; falar na língua do ser humano de hoje, sem arcaísmos bíblicos, mas também sem recorrer ao jargão teológico da moda; destacar o que é comum às confissões cristãs, como o renovado apelo ao entendimento no plano prático-organizativo; dar expressão à unidade da teologia de modo que não possa mais ser negligenciado o nexo inabalável entre teoria confiável e &lt;i&gt;práxis &lt;/i&gt;vivível, entre religiosidade pessoal e reforma das instituições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A esse livro não faltaram reconhecimentos públicos. Além disso, também foi uma oportunidade para as Igrejas e, nesse nível, ele encontrou um amplo consenso igualmente. No entanto, não pode ser silenciado o fato de que os membros da hierarquia alemã e romana fizeram de tudo para esvaziar essa oportunidade. Não se envergonharam – diante do sucesso do livro até mesmo entre o clero – de pôr publicamente em dúvida ou, melhor, de difamar a ortodoxia do autor. De nada serviu ao autor o fato de ter declarado amplamente, mais uma vez, a sua fé em Cristo no livro &lt;b&gt;Deus existe?&lt;/b&gt; (1978), que apareceu quatro anos depois de &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt;. A hierarquia romana e alemã tomaram a cristologia aqui exposta como pretexto para retirar do autor a “&lt;i&gt;missio canonica&lt;/i&gt;” para o ensino da teologia, pouco antes do Natal de 1979, embora jamais tenha sido realizado um processo magisterial contra &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Deus existe?&lt;/b&gt;. Dessa forma, buscou-se desviar a discussão da embaraçosa questão da infalibilidade à questão cristológica, não por último para envolver os cristãos evangélicos. Além disso, para os expoentes da hierarquia contrários às reformas eram indigestas as exigências de reforma na Igreja que eram propostas nesse livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, a hierarquia alemã apoiou o percurso de restauração do papa polonês que estava então se impondo e teve que pagar um alto preço por isso: a perda de credibilidade e uma difundida hostilidade contra a Igreja na opinião pública.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com toda a modéstia: algumas coisas na pregação e na pastoral cristã seguramente teriam sido diferentes e não tivesse sido recusada a oferta de &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt;. Mas, como sempre acontece: para mim, &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt; tornou-se ponto de partida para um novo desenvolvimento teológico e para uma espiritualidade à qual, apesar de todas as dificuldades do presente, o futuro devia pertencer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como inúmeros outros católicos antes do Concílio Vaticano II, eu também cresci com a imagem tradicional de Cristo da profissão da fé, dos concílios helênicos e dos mosaicos bizantinos: Jesus Cristo, "Filho de Deus", sentado em um trono, um "Salvador" amigo dos seres humanos e, ainda antes, para a juventude, o "Cristo Rei". Sobre isso, eu depois acompanhei, em Roma, um curso de um semestre inteiro sobre "cristologia". Certamente, eu passei sem problemas por todos os exames em latim, não exatamente simples – mas a minha espiritualidade? Isso era outra coisa totalmente diferente, permanecia insatisfeita. &lt;u&gt;A figura de Cristo só se tornou decisivamente interessante para mim quando eu pude conhecê-la, com base na moderna ciência bíblica, como real figura da história&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essência do cristianismo, de fato, não é nada de abstratamente dogmático, não é uma doutrina geral, mas sim, desde sempre, é uma figura histórica viva: Jesus de Nazaré. Ao longo dos anos, elaborei o perfil singular do Nazareno com base na riquíssima pesquisa bíblica dos últimos dois séculos, refleti sobre tudo com apaixonada participação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De &lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt; em diante, sei do que estou falando quando, de modo totalmente elementar, eu digo: o “modelo de vida cristã” é simplesmente esse Jesus de Nazaré enquanto messias, &lt;i&gt;christós&lt;/i&gt;, ungido e enviado. Jesus Cristo é o fundamento da autêntica espiritualidade cristã. Um exigente modelo de vida para a nossa relação com o próximo, assim como com o próprio Deus, que, para milhões de seres humanos em todo o mundo, tornou-se critério de orientação e de vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem é, portanto, um cristão? Não é aquele que diz apenas "Senhor, Senhor" e apoia um "fundamentalismo" – seja ele de tipo bíblico-protestante, ou autoritário-romano-católico ou tradicionalistaoriental-ortodoxo. Ao contrário, &lt;b&gt;cristão é aquele que, em todo o caminho pessoal de vida, se esforça para se orientar praticamente para esse Cristo Jesus&lt;/b&gt;. Não se exige nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha vida pessoal e, assim, qualquer outra vida, com seus altos e baixos, e também a minha lealdade à Igreja e a minha crítica à Igreja só podem ser compreendidas a partir dessa referência. &lt;b&gt;A minha crítica à Igreja, assim como a de muitos cristãos, brota justamente do sofrimento pela discrepância entre o que esse Jesus histórico foi, pregou, viveu, lutou, sofreu, e o que hoje a Igreja institucional, com a sua hierarquia, representa&lt;/b&gt;. Essa discrepância tornou-se muitas vezes insuportavelmente grande. Jesus, nas cerimônias pontifícias da basílica papal de São Pedro? Ou na oração com o presidente George W. Bush e o papa na Casa Branca? Inconcebível!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais urgente e mais libertador para a nossa espiritualidade cristã, consequentemente, é nos orientar pelo nosso ser cristão, tanto em nível teológico quanto prático, não tanto segundo as formulações dogmáticas tradicionais e os regulamentos eclesiásticos, mas sim de novo e cada vez mais segundo a singular figura que deu nome ao cristianismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1727353261301098884?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1727353261301098884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1727353261301098884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/01/por-que-devemos-voltar-para-jesus.html' title='Por que devemos voltar para Jesus'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zmWty8L6n4Q/Tx22-LL-_FI/AAAAAAAAB5M/D2b-EHc4bk0/s72-c/HansKung.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-2012870634020626561</id><published>2012-01-21T16:12:00.000-03:00</published><updated>2012-01-21T17:07:35.351-03:00</updated><title type='text'>Joseph Moingt: um ensaio sobre a Igreja</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qh1wtHmmYoQ/TxsRk0Kl4-I/AAAAAAAAB5E/0BdVVL9Mf6o/s1600/CROIRE.gif" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-qh1wtHmmYoQ/TxsRk0Kl4-I/AAAAAAAAB5E/0BdVVL9Mf6o/s200/CROIRE.gif" width="130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Mesmo tendo 95 anos, o padre Joseph Moingt não para de pensar na sua Igreja, a Igreja Católica Romana. Descubra as belas páginas do seu último livro Croire quand même, libre entretien sur le présent et le futur du catoìholicisme (Crer apesar de tudo, conversa livre sobre o presente e o futuro do catolicismo).&amp;nbsp;A reportagem é de Philippe Clanché, publicada na revista francesa Témoignage Chrétien, 02-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;L`homme qui venait de Dieu&lt;/i&gt; (O homem que vinha de Deus) e &lt;i&gt;Dieu qui vient à l`homme&lt;/i&gt; (Deus que vem ao homem), publicados na prestigiada coleção "&lt;i&gt;Cogitatio fidei&lt;/i&gt;" das &lt;i&gt;Éditions du Cerf&lt;/i&gt;, fizeram de &lt;b&gt;Joseph Moingt&lt;/b&gt; um dos grandes teólogos católicos do século XX e uma referência para os católicos abertos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um livro-entrevista de &lt;b&gt;Karim Mahmoud-Vintam&lt;/b&gt;, &lt;i&gt;Croire quand même&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Ed. Temps Présent&lt;/i&gt;), o pensador jesuíta, hoje com 95 anos, desenvolve com calma a sua visão reconfortante de um catolicismo atual. Especialista em cristologia, tendo lecionado por muito tempo nas faculdades jesuítas, ele adquiriu a convicção de que &lt;u&gt;se não voltarmos o olhar ao homem, toda relação com Cristo é vã&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;u&gt;O cristão deve conservar a sua fé, não para salvar a religião ou a instituição que lhe é relacionada, mas para salvar uma certa ideia do homem da qual a ideia de Deus é garantia&lt;/u&gt;". Em um texto muito acessível, &lt;b&gt;Joseph Moingt &lt;/b&gt;busca desdramatizar aquilo que atormenta hoje muitos fiéis: divisões internas, equívocos da instituição. &lt;u&gt;Ele convida a dissociar a fé dos conceitos de crença e de religião&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Àqueles que consideram "as tradições dogmáticas da Igreja incompreensíveis", esse incansável pesquisador aconselha a "não carregar esse peso e a se contentar em ler e em estudar os Evangelhos, que também apresentam dificuldades, mas de outra natureza". Ao entardecer de uma vida plena, esse ensaio nos oferece a possibilidade de descobrir um catolicismo sereno e desculpabilizante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis alguns trechos do livro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Fé, crença e religião&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma distinção que me é pessoal, que não coloca uma verdadeira oposição entre esses três termos, mas que permite que se evitem muitas confusões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;A fé é o assentimento dado aos pontos fundamentais da revelação cristã&lt;/u&gt;, aqueles que se enunciam no Símbolo dos Apóstolos, e o engajamento a viver segundo o espírito do Evangelho. Certamente, ela se expressa em dogmas, em crenças doutrinas e em práticas religiosas, mas ela é essencialmente una, unificada e estruturada: &lt;u&gt;é o ato de se confiar a Cristo e de seguir a via da salvação por ele traçada.&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;A crença é feita, ao contrário, de múltiplos dogmas e doutrinas – de autoridade e de importância muito variáveis – e de tudo o que é ensinado pelo Catecismo&lt;/u&gt;. Ela compromete menos diretamente a vida de cada dia, é muitas vezes transmitida pela família ou pelo ambiente, sem ser objeto de uma convicção firme e refletida, ou ela se deixa conduzir por escolhas subjetivas, irracionais e contraditórias, assim como mostraram as recentes pesquisas de opinião: uns consideram a crença no diabo um critério de fé, outros declaram crer em Cristo, mas não na ressurreição dos mortos, ou vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;u&gt;No que se refere à religião, que em princípio é a via da fé em uma comunidade de crentes, ela impõe, sobretudo, leis, regras de moral, práticas cultuais, alimentares, penitenciais, devoções&lt;/u&gt;, e corre o risco, para muitos, de se reduzir a tais práticas às quais estão ligados por hábito, senão por superstição, enquanto não sabem mais muito bem se ainda são crentes: assim, veem-se católicos que colocam a devoção à Virgem no mesmo plano da Eucaristia, enquanto outros põem os pés em uma igreja só para acender uma vela diante de uma estátua ou depositar uma esmola em uma caixa para as ofertas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...] Os "&lt;u&gt;conservadores&lt;/u&gt;", sensíveis ao princípio de autoridade, colocam em primeiro plano a obediência a Roma; os "&lt;u&gt;tradicionalistas&lt;/u&gt;", a fidelidade às antigas práticas litúrgicas; certos &lt;u&gt;cristãos "críticos"&lt;/u&gt;, marcados por uma corrente de filosofia liberal, tendem relativizar certos dogmas recentes em favor de uma maior fidelidade à escritura; certos espíritos "&lt;u&gt;progressistas&lt;/u&gt;", a reconduzir o essencial do Evangelho à justiça social; enquanto que os "&lt;u&gt;carismáticos&lt;/u&gt;" serão mais atentos ao fervor da piedade comunitária do que à regulamentação rigorosa das liturgias; e os &lt;u&gt;cristãos &lt;/u&gt;mais bem&lt;u&gt; formados segundo as orientações do Vaticano&lt;/u&gt; II serão mais inclinados a renovar o estilo de vida na Igreja e a se pôr ao serviço evangélico do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tudo isso, não são questões de fé que opõem os cristãos, mas sim modos diferentes de regular a crença ou a prática. Os "fundamentais" da fé, tal qual como se enunciam no Símbolo da Fé, não estão em discussão. No entanto, essas diferenças de atitude religiosa, que muitas vezes têm o seu estímulo determinante sobre a cultura, o meio social, a educação recebida, as escolhas políticas, podem dissimular profundas divergências na maneira de compreender e de viver a fé (p. 34-36).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Futuro da Igreja Católica&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me guardarei de fazer prognósticos. Retração não significa desaparecimento, assim como a &lt;u&gt;religião não se identifica com a fé&lt;/u&gt;. Ele é a sua encarnação em uma sociedade, da qual sofre as influências, assim como os aspectos negativos. É principalmente por meio do seu clero e das suas ordens religiosas que a Igreja exerce a sua autoridade sobre a sociedade, por intermédio de organizações e de movimentos de piedade, de apostolado, de caridade, de ensino, de serviços sociais e outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A queda das vocações sacerdotais (alguns preferem dizer "presbiterais", mas o termo é menos usado) e religiosas diminui consideravelmente o poder da Igreja de agir sobre a sociedade. Ela é, reciprocamente, um sinal de que a sociedade não experimenta mais a necessidade de perpetuar o modelo religioso segundo o qual ela funcionava no passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque &lt;u&gt;seria ingênuo pensar que as "vocações" viessem unicamente de uma atração interior da graça: ela também provinha de pressões recebidas da família e dos educadores, das ajudas e dos encorajamentos provenientes do ambiente social, da consideração da qual as "pessoas consagradas" eram objeto e, não nos esqueçamos, das vantagens econômicas, da "posição" que os filhos de famílias numerosas e pobres encontrariam entrando "para as ordens".&lt;/u&gt; Assim, hoje, vemos bispos que vão procurar padres ou religiosos nos países pobres, lá onde os empregadores recrutavam mão de obra em certas épocas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rarefação de padres, religiosos e religiosas, incontestavelmente, desorganizará a Igreja, mudará a sua figura, a obrigará a se refundar em sua base leiga, a partir das pequenas comunidades que já vemos se formar, na ordem ou na desordem, assíduas no estudo do Evangelho, aplicadas a viver fraternalmente, a colocá-lo em prática na sociedade, para manter a tradição da fé cristã da qual ela há muito tempo se alimenta. Eis em que sentido eu imagino ou espero que evolua o futuro da Igreja, que &lt;u&gt;ela encontrará uma renovação de vitalidade e que continuará contribuindo na busca de sentido dos nossos contemporâneos&lt;/u&gt; (p. 51).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mudanças possíveis&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas podem evoluir fazendo com que as comunidades não sejam de simples adesão, mas também de contestação, lembrando que, linguisticamente, "contestação" está ligado a "atestação". Contesta-se a autoridade para atestar o Evangelho. &lt;u&gt;O fato de os cristãos não poderem mais viver na instituição eu entendo, mas, se estiverem sozinhos, não podem fazer grandes coisas&lt;/u&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sonho com comunidades cristãs em que outros crentes poderiam vir, mas também pessoas que não têm fé, e que se diriam: "O que podemos fazer juntos? Há coisas que gostaríamos de suprimir ou de corrigir, ou outras que teríamos vontade de inventar?"; pessoas que refletiriam sobre tudo isso e que decidiriam o que fazer. É assim que se poderá espalhar o espírito do Evangelho. [...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É em grupo que se podem fazer coisas importantes, e é difícil para um cristão viver isolado, sobretudo quando se pensa que o cristianismo é uma religião encarnada e comunitária, não uma pura filosofia. &lt;u&gt;Vocês não mudariam o mundo permanecendo sozinhos, cada um no seu canto. E, como vocês querem viver como cristãos, pensem também em mudar a Igreja, portanto, em permanecer vinculados&lt;/u&gt; (p. 82).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Passagem&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Igreja Católica se encontra em um momento de passagem. Vai rumo a uma outra coisa, rumo a uma outra maneira de fazer Igreja, o que por si só não é trágico. &lt;u&gt;Toda mudança,&lt;/u&gt; é verdade, &lt;u&gt;tem um aspecto inquietante, porque produz rupturas, aflições, fraturas&lt;/u&gt;. E essas palavras, que são tomadas do vocabulário corporal, por si só evocam sofrimentos e perigos. Mas essa evolução será o advento de uma era nova, que eu ainda não posso imaginar para a Igreja nem para a fé cristã, mas que não será necessariamente catastrófica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não prevejo, de modo algum, uma retomada do poder, do poder perdido pela Igreja sobre a sociedade, mas sim uma outra maneira de se situar no mundo e de guardar a sua unidade. Talvez, ela terá menos visibilidade, no sentido de que a sua visibilidade atual está amplamente ligada à sua estrutura hierárquica e clerical. Mas a sua hierarquia perdeu muito da sua credibilidade interna e externa por causa dos seus excessos de poder sobre os seus fiéis e com relação à sociedade. E o clero, dada a perda de recrutamento, logo não poderá mais ocupar sozinho todos os postos de autoridade e de responsabilidade que lhe eram devidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior visibilidade da Igreja passará, assim, para o campo dos leigos e leigas, porque haverá cada vez menos clérigos e, portanto, será preciso confiar aos leigos e leigas um número cada vez maior de postos de responsabilidade. A Igreja terá menos visibilidade por causa da forte diminuição do número dos seus fiéis, e uma visibilidade diferente, menos "vistosa", se assim posso dizer, pelo fato de que a sua dominante leiga não a diferenciará mais tão fortemente do resto da sociedade; lhe dará um rosto menos especificamente religioso, menos cultual e ritual. [...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginar uma tal evolução me enche de esperança, eu confesso, embora certamente haverá menos pessoas que se dirão católicas. Mas o pensamento de muitas pessoas que estão deixando a Igreja continua a me perturbar. Não que eu tema que o seu abandono da Igreja os condene ao inferno – porque eu não acredito que Deus persiga com a sua cólera aqueles que dEle se esqueceram –, mas porque &lt;u&gt;a perda de toda vida espiritual os colocaria em perigo de afundar para sempre na morte, se é verdade, para os crentes, que não existe vida eterna a não ser na união com Deus &lt;/u&gt;(p. 147-149).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-2012870634020626561?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2012870634020626561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2012870634020626561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/01/joseph-moingt-um-ensaio-sobre-igreja.html' title='Joseph Moingt: um ensaio sobre a Igreja'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qh1wtHmmYoQ/TxsRk0Kl4-I/AAAAAAAAB5E/0BdVVL9Mf6o/s72-c/CROIRE.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-6133187831003930237</id><published>2012-01-21T15:45:00.002-03:00</published><updated>2012-01-21T15:49:18.062-03:00</updated><title type='text'>Cristinaismo vive "a mais grave crise" em 2 mil anos. O apelo urgente de um teólogo jesuíta</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XKiJ3hEz2cI/TxsIcLdLxVI/AAAAAAAAB48/VME7GamuLHc/s1600/peMont.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-XKiJ3hEz2cI/TxsIcLdLxVI/AAAAAAAAB48/VME7GamuLHc/s200/peMont.jpeg" width="167" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Com as devidas proporções, o sucesso do último livro de &lt;b&gt;Joseph Moingt&lt;/b&gt;&amp;nbsp; (foto) se assemelha ao do famoso Indignai-vos!, de Stéphane Hessel. Em ambos os casos, trata-se de um velho senhor que não tem mais nada a temer nem a demonstrar e que pode se permitir, com a legitimidade que lhe conferem as décadas de trabalho e de compromisso corajoso, dizer em voz alta o que muitos apenas pensam ou dizem em voz baixa.&amp;nbsp;A reportagem é de Claire Lesegretain, publicada no jornal La Croix, 14-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, esse jesuíta de 96 anos deseja dizer aos seus leitores, às vezes tentados a deixar a Igreja, não tanto Indignai-vos! mas sim Ficai!.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Croire quand même&lt;/i&gt;, publicado no fim de 2010 &lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;, vendeu mais de 8.000 cópias e está em curso a segunda edição. "Recebi muitas cartas de agradecimento de leigos e de padres, mas curiosamente nenhum eco do episcopado", diz, divertido, o &lt;b&gt;padre Moingt&lt;/b&gt;, estreitando os travessos olhos azuis. Os leitores "sentem confusamente que a opção escolhida por Roma de um retorno ao passado não é a melhor forma de preparar o futuro do cristianismo. Depois de me terem lido, dizem-se fortalecidos na sua fé e encorajados a permanecer na Igreja". Há um ano, &lt;i&gt;Croire quand même&lt;/i&gt; também suscita muitos grupos de leitura em toda a França e é motivo de muitos convites para conferências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um sábado, lá está ele com a sua figura miúda na abadia de &lt;i&gt;Saint-Jacut-de-la-Mer&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Côtes-d'Armor&lt;/i&gt;) para uma jornada aberta ao grande público. Diante de 150 pessoas, a maior parte de cabelos grisalhos, ele começa a percorrer a sua obra de teólogo, marcada pelos "dois grandes choques", o do Vaticano II e o de Maio de 68. "Desde então, os teólogos não se dirigem mais apenas a futuros padres, mas são convocados no meio dos fiéis para esclarecer seus problemas", aponta, antes de expor a sua análise da crise na Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma crise que, segundo ele, é "a mais grave" que o cristianismo já conheceu há dois milênios, porque trata-se de uma crise civilizacional. "O nosso mundo está prestes a rejeitar Deus", resume, citando &lt;b&gt;Dietrich Bonhoeffer&lt;/b&gt;, que, antes de morrer na prisão nazista, percebia que o mundo "estava se libertando da ideia de Deus". É através dessa chave de leitura que &lt;b&gt;Moingt &lt;/b&gt;fala da "primavera árabe", sinal não da "destruição do Islã, mas sim da desagregação de um espaço social que havia sido cimentado pela lei religiosa". Porque, lembra, "a vontade de Deus é que o homem se liberta de seus entraves, incluindo aqueles postos em nome de Deus".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Pedagogia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;b&gt;Pe. Moingt&lt;/b&gt; não foge das perguntas que lhe são feitas, porque também são as suas perguntas. Com pedagogia, permite que seus interlocutores se beneficiem com a sua visão histórica sobre o longo prazo, para relativizar as atuais tensões dentro da Igreja. Algumas semanas depois, em seu quarto-escritório da &lt;i&gt;Rue Monsieur&lt;/i&gt;, no 7º &lt;i&gt;arrondissement&lt;/i&gt; de Paris, ele continua as suas reflexões sobre o futuro da Igreja. &amp;nbsp;"Tenho um grande temor de que um número crescente de fiéis só queira respostas com um 'sim' ou com um 'não', e não consigam entrar nas sutilezas teológicas", resume.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como dizer a humanidade de Cristo se ele nasceu de uma mulher virgem? Como explicar a Trindade? Como falar da Revelação, da Encarnação, da Redenção, se considerarmos que os textos do Antigo Testamento são apenas relatos inventados? Como pronunciar em cada Eucaristia: "Isto é meu corpo", se se trata de uma metáfora? Em que basear o sacerdócio, já que nenhum dos Apóstolos foi feito padre ou bispo por Jesus?... São todas perguntas complexas que efetivamente requerem respostas aprofundadas e que ocupam a mente do teólogo há mais de 60 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tinha 23 anos, no fim de 1938, quando entrou na Companhia de Jesus. Não tendo tempo, antes da mobilização, de terminar os 12 meses do noviciado, teve que refazer um ano inteiro em &lt;i&gt;Laval&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Mayenne&lt;/i&gt;) no grande noviciado da época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante a guerra, o aprendiz de jesuíta ficou prisioneiro em vários &lt;i&gt;stalags&lt;/i&gt; para suboficiais que se recusavam a trabalhar para o Terceiro Reich. Ele conseguiu escapar de um campo na Suábia, foi depois enviado para Kobierczyn, perto de Cracóvia, depois para um outro campo do qual foi libertado em 1945 pelo exército do general Patton... Mas, de repente, o&lt;b&gt; Pe. Moingt&lt;/b&gt; interrompe o relatos das suas memórias: "Não tenho o hábito de me delongar sobre a minha biografia, não interessa a ninguém", sorri ele, com aquela gentileza divertida que o caracteriza. Antes de acrescentar que, "desde o retorno do cativeiro, por princípio, não retorno ao passado".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Marcado por Henri de Lubac&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conseguimos saber apenas que, depois de dois anos de filosofia em &lt;i&gt;Villefranche-sur-Saône&lt;/i&gt; e depois de quatro anos de teologia em &lt;i&gt;Fourvière&lt;/i&gt;, na colina de &lt;i&gt;Lyon&lt;/i&gt; onde a Companhia de Jesus tinha uma faculdade até 1974, ele foi nomeado professor de teologia. Foi então enviado para a Universidade Católica de Paris para preparar uma tese sobre &lt;b&gt;A teologia trinitária em Tertuliano&lt;/b&gt;, que defendeu, três anos depois, sob a orientação do jesuíta e futuro cardeal Jean Daniélou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Entre os jesuítas daquela época, fui marcado sobretudo por &lt;b&gt;Henri de Lubac&lt;/b&gt;, que lecionava na Universidade Católica de Lyon e com quem eu trabalhei sobre Clemente de Alexandria", diz, antes de acrescentar a essa lista de grandes figuras os nomes de &lt;b&gt;Gaston Fessard&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Henri Bouillard&lt;/b&gt;,&lt;b&gt; Xavier Léon-Dufour&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Donatien Mollat&lt;/b&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de doze anos de ensino em &lt;i&gt;Fourvière&lt;/i&gt;, o &lt;b&gt;Pe. Moingt&lt;/b&gt; pediu um ano sabático na Paris de 1968, para "por-se a par das novidades em teologia, filosofia e ciências humanas". Mas a Universidade Católica de Paris, que começou em 1969 o seu Ciclo C, um curso noturno de formação para leigos, deu-lhe o cargo de professor de cristologia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele também lecionou na &lt;i&gt;Centro Sèvres&lt;/i&gt; a partir de 1974, e em &lt;i&gt;Chantilly&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Oise&lt;/i&gt;), tradicional lugar de formação da Companhia de Jesus. Isso lhe permitiu afirmar que "todos os jesuítas que entraram na Companhia depois de 1960 e até muitos bispos atuais" passaram por ele. Nesses mesmos anos, &lt;b&gt;Pe. Moingt &lt;/b&gt;assumiu a direção da prestigiosa revista &lt;i&gt;Recherches de Science Religieuse&lt;/i&gt;, que comemorou os seus 100 anos em 2010. A partir de 1980, tendo deixado a Católica para se aposentar aos 65 anos, o jesuíta continua lecionando no &lt;i&gt;Centro Sèvres&lt;/i&gt;, fazendo suas pesquisas teológicas e a publicando importantes obras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu tenho outra obra em construção, mas não será um livro para o grande público", especifica, sabendo que não terá o tempo para popularizar o seu trabalho: "Outros se encarregarão disso depois da minha morte".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ser cristão&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, ele continua se relacionando com as comunidades de base das quais participou, seja no âmbito do catecumenato, seja durante as suas experiências paroquiais em &lt;i&gt;Châtenay-Malabry&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Hauts-de-Seine&lt;/i&gt;) por 12 anos, depois em &lt;i&gt;Poissy&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Yvelines&lt;/i&gt;) e em &lt;i&gt;Sarcelles&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Val-d'Oise&lt;/i&gt;), respectivamente por três anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de "leigos que frequentam a Eucaristia, mas que precisam se encontrar fora da sua paróquia para partilhar o Evangelho ou releituras de vida"; leigos cada vez mais preparados que "sentem que ser cristão nada mais é do que ser homem, e que assumem a responsabilidade do seu ser-cristão assumindo a responsabilidade do destino da humanidade".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque, para &lt;b&gt;Joseph Moingt&lt;/b&gt;, não é se concentrando na instituição eclesial que se poderá realizar uma reforma radical do catolicismo, mas sim voltando ao Evangelho. "Há a urgência de repensar toda a fé cristã para dizer 'Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem' na linguagem de hoje e em continuidade com a Tradição", repete, baseando-se na sua imensa cultura teológica e bíblica para confirmar que a Igreja não poderá mais seguir em frente com respostas dogmáticas e que é preciso que, dentro dela, os teólogos "façam coisas novas sem ser serem ameaçados de excomunhão". Quanto a ele, a sua prudência nunca foi motivada pelo medo de uma sanção eclesial, mas sim pelo desejo de escrever de acordo com a sua fé. E, depois, "na minha idade, já não se corre muito risco".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nota:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt; - Croire quand même, &amp;nbsp;Libres entretiens sur le présent et le futur du catholicisme, &amp;nbsp;com Karim Mahmoud-Vintam e Lucienne Gouguenheim. Ed. Temps Présent, Coleção "Semeurs d’avenir", 245 páginas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-6133187831003930237?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/6133187831003930237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/6133187831003930237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/01/cristinaismo-vive-mais-grave-crise-em-2.html' title='Cristinaismo vive &quot;a mais grave crise&quot; em 2 mil anos. O apelo urgente de um teólogo jesuíta'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-XKiJ3hEz2cI/TxsIcLdLxVI/AAAAAAAAB48/VME7GamuLHc/s72-c/peMont.jpeg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-7551863575693603841</id><published>2012-01-17T10:57:00.001-03:00</published><updated>2012-01-17T11:06:24.243-03:00</updated><title type='text'>Considerações sobre o impasse do Garantia-Safra, em São Franciso de Assis do Piauí-PI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RR3cxmdfCzo/TxWAOgx2NdI/AAAAAAAAB40/Mp0Y3erpb0w/s1600/PE+GERALDO.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://3.bp.blogspot.com/-RR3cxmdfCzo/TxWAOgx2NdI/AAAAAAAAB40/Mp0Y3erpb0w/s200/PE+GERALDO.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Autor: Pe. Henrique Geraldo Martinho Gereon &lt;/i&gt;(foto) &lt;br /&gt;Data: 14 – 01 – 2012&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;.A missão do presbítero católico tem sua origem na missão de Jesus de quem ele é discípulo. Jesus define a sua missão em Luc 4,18: “anunciar a boa nova aos pobres”. Qual é a “boa nova” que eu devo anunciar aos pobres da minha paróquia de São Francisco de Assis do Piauí? Que pobres são esses? São os pequenos agricultores, cadastrados para o “Garantia-Safra” do período 2010/2011. Pela irregularidade das chuvas eles tiveram perdas avaliadas em 50 e mais por centos, o que constitui a condição para acionar o Garantia-Safra. Porém, passados já três meses da data-limite para a comunicação da ocorrência, descobriu-se, de repente, que não havia mais condições para obter o benefício do Garantia-Safra, alegando-se como&amp;nbsp; principal&amp;nbsp; causa&amp;nbsp; a não-observância&amp;nbsp; dos prazos estabelecidos. “Descobriu-se de repente” – como se entende este termo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;.A execução do Programa Garantia-Safra estabelece o prazo-limite para enviar a “Comunicação de Ocorrência de Perdas” – COP: 27 de maio, calculado pelo período de plantio do município. A constatação da ocorrência de perdas é elaborada pelo agente regional do IBGE e uma comissão municipal, composta de representantes da prefeitura, da EMATER, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável... O IBGE oficializa o resultado num formulário próprio chamado LSPA (Levantamento sistemático da produção agrícola). Foram marcadas duas reuniões do citado grêmio para avaliar a perspectiva de safra: a primeira no dia 06 de abril, quando não se podia afirmar nada ainda: as plantações ainda estavam na fase inicial, por causa do início das chuvas suficientes só em meados de fevereiro. Outra reunião avaliativa teria que ser marcada cerca de 40 dias depois da primeira, ou seja, em meados de maio. Esta teria revelado claramente o índice alto das perdas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3&lt;/b&gt;.No entanto, apenas em 29 de agosto aconteceu esta segunda reunião. O prazo-limite para a remessa da COP já tinha passado fazia 94 dias. Dois dias depois, no dia 31 de agosto, a prefeitura recebeu da Coordenação Estadual do Garantia-Safra uma “Mensagem às prefeituras, STR, Emater e CMDRS” alertando para observar o prazo-limite (27 de maio) para o envio das COP, alerta essa que deveria ter acontecido, no mínimo, 115 mais cedo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4&lt;/b&gt;.Desde aquele dia afirma-se categoricamente pelas autoridades estaduais e federais: “Os produtores aderidos ao programa não podem receber o pagamento do Benefício Garantia-Safra”. Ninguém pergunta como poderia acontecer este fato e quem seriam os responsáveis por tão grave situação. E ninguém questiona se o fato não seria um acidente que não poderia penalizar tantos pequenos agricultores para os quais o programa foi criado e que levaram tanto prejuízo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;5&lt;/b&gt;.Fizemos, no dia 25 de outubro, uma grande concentração dos “aderidos ao programa Garantia-Safra”. Não incendiamos nenhum ônibus nem invadimos nenhum prédio público. Mas lançamos um manifesto assinado por mais de 860 pessoas. Nele afirmamos: “É completamente incompreensível que as lideranças locais envolvidas no programa Garantia-Safra não tenham percebido o que aconteceu nas nossas lavouras – não é compreensível, mas explicável.” No nosso manifesto não queríamos apontar para responsáveis. Agora, no entanto, que fracassaram todas as tentativas para reparar o defeito que é nada irreparável, teremos que acrescentar alguma coisa, teremos que ser claros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;6&lt;/b&gt;.A impossibilidade de obter um benefício que temos direito de alcançar, não é nenhuma fatalidade, nem algum mistério impossível de descobrir. Os envolvidos para acionar a aplicação do Garantia-Safra moram entre nós, são todas pessoas esclarecidas, de entidades destinadas a assistir aos pequenos agricultores. Eles ganham seus salários para isso. Todos têm experiência na condução do processo Garantia-Safra. O que houve não foi um apagão na cabeça dessa gente. Houve uma omissão consciente, uma conivência com o descaso dos responsáveis pelo bem-estar dos cidadãos deste município. O único que podia alegar falta de conhecimento, seria o prefeito que tomou posse, fazia cinco meses, depois duma eleição suplementar, e nunca tinha sido envolvido nos mecanismo deste programa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;7&lt;/b&gt;.Desde a data daquela concentração popular não paramos de tentar sensibilizar as autoridades estaduais e federais. Apenas um deputado federal da nossa região assumiu a nossa causa e fez dois pronunciamentos na Câmara dos Deputados. Muito lhe agradecemos esse engajamento. Todos os outros aos quais dirigimos os nossos apelos e que teriam poder para reverter a decisão insistem nas determinações da Portaria SAF/MDA 15/09. É como uma blindagem que impede o raciocínio entrar na mente e o sentimento humano entrar no coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;8&lt;/b&gt;.Não usamos meios violentos para romper a blindagem. Queremos, mais uma vez, apresentar argumentos. O Programa Garantia-Safra segue o seguinte roteiro: Depois de cadastrar os que pretendem aderir o programa, os governos municipal e estadual pagam as suas respectivas cotas de contrapartida. O período do plantio é monitorado sobre a incidência das chuvas, a extensão da área plantada e a safra segura ou perdida. Perdas constatadas são comunicadas ao SAF/MDA, dentro de prazos estabelecidos. No nosso caso não foi cumprido este último item, ou seja, a comunicação das perdas dentro do prazo-limite. Esse item é que mais poderia permitir alguma flexibilidade, o que não seria possível na medição das chuvas e a constatação das perdas da safra que são fatos que só uma fraude poderia alterar. Para os beneficiários, um atraso de data não é culpa, é como um prego de pneu na viagem de carro ou mau tempo no aeroporto que atrasa chegadas e partidas dos aviões. Onde está a culpa desses agricultores, que estão amargando a perda da safra e a decepção de uma esperança traída?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;9&lt;/b&gt;.Nesse contexto, a “boa nova a ser anunciada aos pobres”, em nome de Jesus, seria o que? Jesus explica, no mesmo texto de Lucas: libertar os presos, recuperar a vista aos cegos, libertar os oprimidos. Presos, cegos, oprimidos são todos esses pequenos e pobres, mantidos em dependência e submissão, pedindo favores aos poderosos, sem acreditar que possa mudar alguma coisa, como que Deus tivesse criado tudo isso que já vem do tempo dos coronéis deste sertão perdido, afirmando na sua prepotência que Deus é inoperante, incompetente e cruel. Jesus veio justamente para nos anunciar um Deus-Pai que quer seus filhos livres para viver numa comunidade fraterna Para os que anunciam, como Jesus, essa libertação, existe o mesmo obstáculo como na sinagoga de Nazaré: a cegueira dos que não querem ver. É a cegueira dos que exigem rigor ritualista e moralista, mas abafam a sensibilidade pelo contexto humano, comunitário e social. Não querem um padre envolvido no Garantia-Safra porque não enxergam Jesus como o deus que se fez pobre para assumir a causa dos pobres. Mesmo que a palavra final não respondeu ao grito dos pobres, a última palavra fica mesmo com esses pobres: Ganhamos uma visão mais clara sobre o sistema que nos faz vítimas de um jogo de dependência e poder. Cada vez mais vamos rejeitar essa submissão e caminhar rumo à libertação oferecida por Jesus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;10&lt;/b&gt;.Ao escrever estas linhas fui procurado por uma Senhora que vive na localidade “Trás da Serra”, neste município. Ela perguntou sobre o andamento do Garantia-Safra. Eu respondi que só um milagre ainda pode reverter a negação do benefício. A mulher contou a situação de fome na sua casa: No dia de Natal ela só tinha um resto de macarrão, cozinhou-o com um pouco de sal e distribuiu um pouco no prato de cada um da sua família. Acrescentou ainda: a sua cisterna sempre tinha um resto de água antes do novo inverno, que ela dividia com os vizinhos. Neste ano passado a água foi tão pouca que ela agora está pedindo, com a demora do novo inverno, um pouco do resto de água dos seus vizinhos. Preocupada com a falta de chuva que não quer começar ela demonstrou tanto desânimo que foi difícil encontrar palavras que não fossem um consolo barato. Ao se despedir, a mulher ainda me agradeceu por tê-la ouvido, parece que ficou um pouco aliviada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;11&lt;/b&gt;.Ainda tive oura visita: um pai de família com 12 bocas na casa dele. Ele, querendo saber também o resultado do Garantia-Safra, contou a sua versão da fome. Um dia desses saiu para a cidade para ver se achava alguma comida para trazer. Dizia para os que ficaram que deixassem o fogo aceso. A fumaça vista de fora poderia sugerir a impressão que nessa casa tivesse uma panela no fogo cozinhando o almoço. O pobre tem até vergonha de falar da sua fome. A sua ida para a cidade tinha o objetivo de receber o valor da venda de um porco que nunca foi pago, e o valor de R$ 74,00 da prefeitura pelo serviço do roço de 4 km de estrada, valor este que espera há três meses. Como pode uma panela com comida chegar neste forno onde queima apenas um fogo simbólico? Eu estava vendo o verdadeiro rosto daqueles que a burocracia chama de “aderidos ao programa”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;12&lt;/b&gt;.De repente tive uma certeza: Chega de conversa fiada de Garantia-Safra, Portaria SAF/MDA 15/09, EMATER, IBGE, CMDRS, LSPA, COP etc. etc. ...eu tenho que sair para a estrada atrás de comida para irmãos e irmãs famintos que perderam a sua safra e ainda não plantaram nada. Se não eu perco Jesus de vista que me manda “anunciar aos pobres a boa nova”. O anúncio dessa boa nova não pode ser mais nenhum discurso – só pode ser uma mão de comida na panela. A fumaça do fogo debaixo desta panela cheia vai ser talvez o incenso mais agradável que já chegou ao trono de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;Pe. Geraldo Gereon&lt;/i&gt;, pároco de São Francisco de Assis do Piauí – PI.&lt;br /&gt;Pça. da Matriz, 166 – São Francisco de Assis do Piauí-PI.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;franciscodeassisffa@gmail.com&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-7551863575693603841?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7551863575693603841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7551863575693603841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/01/consideracoes-sobre-o-impasse-do.html' title='Considerações sobre o impasse do Garantia-Safra, em São Franciso de Assis do Piauí-PI'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RR3cxmdfCzo/TxWAOgx2NdI/AAAAAAAAB40/Mp0Y3erpb0w/s72-c/PE+GERALDO.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-3400280774246510867</id><published>2012-01-08T18:12:00.002-03:00</published><updated>2012-01-08T18:15:50.584-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Lúcia Pedrosa-Pádua</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;''Mãe da psicologia''? Subjetividade, liberdade e autonomia em Teresa de Jesus. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-R7-qIDnPG1s/TwoHWtgbH5I/AAAAAAAAB4s/jwTLrSxnryY/s1600/LuciaSANTATERESADAVILA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" rea="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-R7-qIDnPG1s/TwoHWtgbH5I/AAAAAAAAB4s/jwTLrSxnryY/s200/LuciaSANTATERESADAVILA.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua (foto)&amp;nbsp;é professora de Teologia/PUC-Rio. Graduou-se em Teologia pela FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, e doutorou-se pela PUC-Rio. É bacharel em Ciências Econômicas/UFMG. Estudou no Centro Internacional de Estudos Teresianos e São Joanistas de Ávila (Espanha) e fez estudos de pós-doutorado na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Itália. É organizadora, com Mônica Baptista Campos, do livro Santa Teresa: mística para o nosso tempo (PUC-Rio/Reflexão, 2011). Dentre suas outras obras, destacamos: O humano e o fenômeno religioso (Ed. PUC-Rio, 2010), Juventude, Religião e Ética: reflexões teológico-práticas sobre a pesquisa “Perfil da Juventude na PUC-Rio” – org. (Ed. PUC-Rio, 2010). É professora responsável pelo Grupo Moradas de Estudos Místicos (PUC-Rio) e membro do Círculo do Rio e da Comissão Assessora Permanente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB. Dedica-se também ao trabalho pastoral e à formação teológica de leigos e leigas através do Centro de Espiritualidade Teresiana Ataendi, da Instituição Teresiana&lt;/em&gt; (&lt;a href="http://www.ataendi.com.br/"&gt;http://www.ataendi.com.br/&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Que fatos pessoais ou sociais fizeram aflorar ou despertar a experiência mística de Teresa de Ávila?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – Teresa de Ávila é, sem dúvida, uma mulher questionada e estimulada por seu tempo. Viveu no “século de ouro” espanhol, um período de florescimento econômico, político, literário, filosófico e também espiritual. Um tempo complexo, marcado pela conquista das “Índias” e toda a sua ambiguidade. Para Teresa, como mulher, mística e escritora, é também um tempo "recio", duro – guerras, perseguições e ações inquisitoriais marcam especialmente a segunda metade do século.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De maneira especial, eu destacaria as influências do contexto espiritual do século XVI no caminho místico teresiano. Uma particular efervescência religiosa acontece naquele momento, envolvendo ordens religiosas, mas não apenas elas. Atinge também a nova geração de “cristãos novos”, o povo simples, os leigos e, de forma especial, as mulheres. Há uma busca de Deus, um cansaço com relação às formas exteriores da religião, uma valorização da interioridade e da oração pessoal, e um forte impulso às altas esferas da vida mística. Lembremos que é o século de movimentos como o de Santo Inácio de Loyola; fora da Espanha, lembremos igualmente a Lutero e Erasmo de Roterdã. No ambiente espanhol, representantes de ordens religiosas e também padres seculares apresentam caminhos concretos de oração e de autenticidade de vida cristã, recolhendo criativamente a tradição bíblica, patrística e medieval. Motivam à experiência espiritual como um chamado universal, não de poucos privilegiados. A incidência de seus testemunhos e pensamento é ampliada através do trabalho das gráficas. Para termos uma ideia, só na região de Castela (a de Santa Teresa), em 30 anos são editados mais de 198 títulos de livros de espiritualidade. Autores como Francisco de Osuna, Bernabé de Palma, São João de Ávila e Luiz de Granada atingem alta popularidade. Todos eles estão interessados em chegar a Deus por experiência. Na segunda metade do século, o Index (índice dos livros proibidos) de Valdés (1559), e o fortalecimento da ação da Inquisição puseram um freio às publicações e encheram de suspeita as buscas espirituais, mas, ainda assim, a mística seguiu o seu curso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teresa bebeu com sofreguidão das leituras sobre oração. Com alguns expoentes da espiritualidade ainda entrou em contato pessoalmente (São Pedro de Alcântara, São Francisco de Borja) ou através de cartas (Luiz de Granada, São João de Ávila). É impossível desvincular a mística de Teresa desta corrente de reformadores, escritores, buscadores de Deus e santos. Ela, junto com São João da Cruz, culminam este movimento, dando uma contribuição pessoal. Tudo isso mostra como a mística não deve ser separada de seu húmus histórico, cultural e socioeclesial, nem sempre valorizado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fatores de ordem pessoal também influirão na mística teresiana. Destaco o seu contexto familiar, suas vorazes leituras, seu segredo da descendência de judeu-conversos (por parte do avô paterno), sua formação na adolescência. Tudo isso se aliará a seu particular desejo de se relacionar e comunicar com os demais, inclusive com Deus, sua fina observação da vida, sua indignação contra situações de injustiça, sua habilidade como escritora. Buscas e crises pessoais aumentarão o seu desejo de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além desses, podemos incluir outro fator transcendente: Deus mesmo age. O Concílio Vaticano II, especialmente na Constituição Dogmática Dei Verbum (n. 8), reconheceu o valor do testemunho místico no aprofundamento da compreensão da fé. Trata-se de um carisma. Devemos afirmar o núcleo teologal da experiência mística em geral, e da teresiana em particular. Teresa testemunha que o próprio Deus, transcendente, a convoca a partir de dentro dela e esta misteriosa presença será expressa em seus escritos. Portanto, através dos condicionamentos e anseios históricos, psíquicos e culturais de Teresa, é possível chegar ao núcleo de uma experiência teologal. Por esse motivo, nossa personagem sempre interpretou sua existência como uma história viva de amor e de salvação em que Deus mesmo é o protagonista. Podemos dizer que é uma história pessoal de salvação. Ser testemunha do mistério de Deus (nas palavras de Teresa no início do livro Moradas, “o que Deus faz a uma alma”) é uma das maiores contribuições de Teresa para os tempos de hoje. A teologia e a espiritualidade não devem a-historizar nem imanentizar a experiência mística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Que novidades a mulher Teresa traz para a interface mística/feminino? Como se expressa a sua feminilidade em suas obras?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – O vocábulo “mística” implica três âmbitos: o sujeito da experiência (o místico), a experiência mesma (experiência mística) e os escritos místicos (a mística). Ao meu ver, a feminilidade de Teresa se expressa em todos esses aspectos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com relação ao primeiro aspecto, a experiência mística, penso que a feminilidade de Teresa se expressa no caráter fortemente relacional dessa experiência. Teresa percebe-se como aquela que é e está em relação. Quanto mais perto de Deus, mais ela se descobre perto da verdade de si mesma. Quanto mais em comunhão com os mistérios da natureza (“mesmo que seja uma formiguinha”), mais perto de Deus. E quanto mais perto de si e de Deus, mais perto dos demais. As relações tornam-se cada vez mais fortes em amor e desejo, ao mesmo tempo, mais livres e gratuitas, mais críticas e discernidas. Penso que esse é um traço marcante da experiência mística de Teresa como mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como sujeito da experiência, o segundo aspecto da mística, podemos dizer que Teresa foi refeita como mulher. Adquiriu apuradíssima autoconsciência de seu ser mulher. Rejeitou os estreitos papéis pré-estabelecidos e ultrapassou vários limites impostos culturalmente às mulheres. O fato de ser fundadora de uma ordem religiosa feminina e masculina bem o demonstra. Foi até chamada de “homem, e dos muito barbados”, por um catedrático de Salamanca, que observou sua capacidade de gestão. Foi escritora e exerceu conscientemente um papel magisterial através de seus livros. Seus escritos são críticos ao sofrimento das mulheres nos casamentos, na Igreja e na sociedade em geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com relação a esse aspecto, lembro sua famosa oração, verdadeiramente feminista, encontrada na primeira redação do Caminho de Perfeição (cap. 4,1). Nela, denuncia um “encurralamento” das mulheres na Igreja: os varões são juízes de mulheres e suspeitam de toda “virtude de mulher”; estas, por sua vez, não podem “falar algumas verdades” que “choram em segredo”, são desprezadas e desqualificadas. Evidentemente, esta página foi censurada e não passou à segunda redação do mesmo livro. Sim, Teresa foi muito além do que se esperava de uma mulher do seu tempo. Ao mesmo tempo, suas histórias de amizade com alguns varões de seu tempo são bem conhecidas através de seu grandioso epistolário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, no terceiro aspecto, a linguagem, lemos com prazer suas obras cheias de sinceridade e verdade, beleza e concretude cotidiana, humor e criatividade. Como mulher, sua linguagem é pluridimensional. Isenta da impessoalidade e rigores escolásticos, a cujos conteúdos e métodos Teresa teve pouco acesso. Segundo o objetivo de cada obra, vemos como ela se adapta e se esforça por dar-se a entender, com habilidade e inteligência. Ora direta e grave; ora narrativa e simbólica, cheia de emoção e de assombro. Sua linguagem é plástica e adaptada a melhor expressar-se, assim como o são seu corpo e sua disponibilidade interior. Os símbolos teresianos sofrem metamorfoses em suas obras. Adelia Prado, a poeta mineira contemporânea, escreveu em uma poesia que a mulher é “desdobrável”. Talvez Teresa compartilhe dessa experiência de sua companheira, embora tão longe no tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Que linguagem ou simbologia se destacam nas principais obras deixadas por Teresa de Ávila? Como ela “narra” o Mistério?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – A linguagem teresiana é repleta de símbolos e comparações. Isso a faz particularmente expressiva, saborosa e dotada de soluções inesperadas. Teresa é muito livre em suas comparações e os símbolos são metamorfoseados segundo o objetivo pedagógico ou o sentir da autora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O símbolo maior é certamente o do “castelo interior”, presente de forma especial na sua obra de maturidade, o Castelo Interior ou Moradas. O símbolo é explorado de forma a servir os propósitos de expressão da autora: explicar quem é a pessoa diante de Deus, narrar a aventura da busca/encontro com Deus e, neste encontro, renovação da relação com tudo e com todos. A beleza do símbolo já demonstra o aspecto positivo e luminoso da pessoa diante de Deus: o castelo é de diamante ou de um cristal muito transparente, habitado em seu centro mais profundo pelo sol, Deus, que tudo ilumina e atrai, a partir de dentro de castelo. A aventura é chegar ao centro, a sétima morada. Ela adquire contornos dramáticos à medida que surgem os demais habitantes do castelo (as realidades da pessoa, em seus sentidos, afetos, sentimentos, inteligência...) ou do seu entorno (os animais que “rondam” o castelo), todos com suas forças de atração. É efetivamente um símbolo capaz de articular magistralmente uma teologia e uma espiritualidade. O caráter trinitário e cristológico da aventura do castelo é surpreendente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Destaco mais dois símbolos que articulam partes menores (mas não menos importantes) da narrativa teresiana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro, as quatro formas de regar o jardim, através das quais Teresa narra os quatro graus de oração, no Livro da Vida (cap. 11 a 22), seguindo sua própria experiência. A primeira forma de regar o jardim é buscando água no poço – trata-se de iniciar a oração de recolhimento, mesmo com as dificuldades e poucos resultados alcançados. A segunda forma é utilizando nora e alcatruzes movidos por um torno – aqui não é necessário tanto esforço na oração e há mais prazer na quietude. Entrando nas formas de oração mais misteriosas – místicas –, vem a terceira forma de regar o jardim, trazendo a água de algum rio ou arroio – aqui há maior união com Deus, alegria interna e experimenta-se um maior descentramento dos próprios egoísmos. Finalmente, a chuva, quarta forma de regar o jardim, união com Deus com todos os seus efeitos éticos e também psicossomáticos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, destaco a parábola do bicho-da-seda, no Castelo Interior (Quinta Morada, cap. 2,2ss), utilizada pela explicar a transformação operada pela oração. Sugiro que o próprio leitor a leia e interprete. Verá a delicadeza da linguagem, a profundidade da doutrina e a surpreendente experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Michel de Certeau aborda o traço novidadeiro da mística teresiana no campo da afirmação da subjetividade, um pioneirismo que, afirma o autor, antecipa Descartes. Como a senhora analisa a inovação da mística teresiana no campo da subjetividade e da consciência?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – Teresa é, de fato, uma escritora moderna e humanista. A começar pelo Livro da Vida, escrito em primeira pessoa e quase cem anos antes do Discurso do Método, de Descartes. Na conclusão do Castelo Interior aconselhará suas irmãs, nem mais nem menos, a entrar e passear em seus castelos interiores em qualquer hora, pois para isso não é necessária a licença das superioras! Teresa não teme a liberdade e a autonomia; pelo contrário, estão intrinsecamente relacionadas ao amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diria que a subjetividade construída por Teresa é integral e relacional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma subjetividade integral por integrar corpo, mente e espírito. Aparentemente, sua linguagem traz o dualismo entre corpo e alma, devedor da doutrina comum de seu tempo, neoplatônica, que considera o corpo como “cárcere da alma”. Esta imagem é reforçada pelas recorrentes experiências de amor e desejo de morte para estar com Deus, para além do corpo e da história. Ímpeto tão bem retratado na poesia cujo refrão diz: “morro porque não morro”. Porém, uma leitura mais aprofundada de sua experiência mística, com suas consequências pessoais e éticas, revela uma valorização progressiva do corpo e, com ele, da história e da criação. Em sua última etapa mística, o chamado “matrimônio espiritual”, ou união com Cristo, é superado o ímpeto de morrer e o “querer viver” é revalorizado. O cuidado de Teresa para com a saúde, tanto física como psíquica, revelado nas cartas, bem mostra a busca da harmonia integral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Junto ao respeito ao corpo e seus ritmos, impressiona como Teresa adquire a consciência dos próprios sentimentos, intuições, percepções, movimentos da vontade e desejos. Distingue e valoriza a vontade, a memória, o entendimento, a fantasia, a imaginação, os sentimentos. Alguns a colocam como mãe da psicologia, tal a filigrana de suas narrativas interiores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, esta humanidade é cheia de sentido, porque a dimensão espiritual, experienciada por Teresa como “centro” ou “abismo da alma”, é habitada, não é “oca”. Teresa, em sua simbologia geográfica, muito inspirada na tradição agostiniana, pretende esvaziar o castelo para que Deus possa reinar. Porém, esse esvaziamento é cheio de sentido e transformações interiores. Ele não é fruto de ser “oco”. O ser humano é saboroso e recheado, como o palmito, outro símbolo teresiano. E o sabor máximo é dado pelo próprio Deus, que busca o espírito humano, comunicando-se e se fazendo sentir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de integral, essa subjetividade é relacional, aberta. Teresa não se compreende sozinha, mas em relação. A aventura do castelo interior é, ao mesmo tempo, um caminho de autoconhecimento e de conhecimento de Deus, que vai se fazendo concreto no Cristo. A pessoa se conhece na relação, que é amor e amizade. Nesse caminhar vão acontecendo os processos de purificação e crescimento na liberdade para conviver, arriscar-se nos trabalhos, superar apegos, sentimentos negativos e medos. Por isso a mística é um acontecimento tão radical e transformador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A subjetividade foi, na modernidade, muito reduzida à dimensão racional. Depois, à dimensão afetiva. Hoje, tendendo quase a definir a subjetividade em termos neurológicos e biológicos, nos vemos em termos da ação da serotonina, dopamina, adrenalina etc. em nossos cérebros. Teresa nos lembra como é importante manter a integralidade e a relacionalidade da subjetividade. Trata-se de uma subjetividade amorosa, audaz e livre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Qual a sua opinião sobre a relação entre mística e erotismo em Teresa, especialmente a partir de seus “êxtases”, famosamente retratados na Transverberação de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – Considero a escultura de Bernini maravilhosa. Tive a oportunidade de visitar a Igreja de Santa Maria da Vitória, em Roma, onde ela está situada, e fiquei impressionada observando os seus detalhes, com o anjo, o dardo e Teresa “tombada de amor ferida” (nos dizeres dos versos litúrgicos que certamente influenciaram Bernini).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mística teresiana, e não apenas ela, está estreitamente vinculada à paixão e ao desejo de Deus, e nesse sentido há uma estreita relação entre a mística e a erótica. O ser humano pode ser visto como ser desejante, em tensão constante em direção a Deus. Há envolvimento e sentimento que atinge todo o ser, corpo e alma. E isso porque Deus mesmo é também um Deus “desejoso” – Teresa utiliza o vocábulo "ganoso" (de "ganas") – em relação à pessoa humana, embora misteriosamente respeitoso da resposta humana. Deus espera o ser humano, mas em tensão, desejo de uma resposta positiva; ele se envolve com o ser humano, é o Deus Trindade. Na expressão de São João da Cruz, ele é o “cervo vulnerado”. Portanto, não se trata do Deus sem paixão da teologia abstrata. Neste sentido, o amor de Deus é também eros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem de Bernini retrata este envolvimento de amor na experiência da transverberação do coração, narrada no capítulo 29 do Livro da Vida. Ressalto que Teresa não utiliza o termo transverberação, que é de origem litúrgica. Ao narrar esta experiência, situa-a dentro das graças místicas extáticas, arrebatadoras, especificamente no contexto das “feridas” místicas, que acontecem à medida que cresce o sentimento de amor. O grande teresianista Tomás Alvarez estudou com detalhes o fenômeno nos relatos teresianos. Não é um fato isolado na vida de Teresa, mas uma experiência repetida várias vezes, em graus distintos, embora a presença do anjo esteja presente apenas nessa página teresiana. Trata-se de um acontecimento de amor. Teresa falará deste amor forte que “fere” e é, ao mesmo tempo, saboroso, em outros escritos. Em uma bela poesia/oração, dirige-se a Deus de maneira paradoxal, como beleza que “sem ferir, dor fazeis” e também “sem dor, desfazeis”. As sextas moradas, particularmente através do símbolo do fogo, também narram, de forma magnífica, as modalidades das feridas místicas, comparadas a joias presenteadas à noiva, que preparam as sétimas moradas. São estas, as sétimas moradas, o cume da mística teresiana, comparada ao matrimônio místico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, Teresa vive uma longa etapa em sua vida mística, narrada nas sextas moradas, em que é vulnerada pelo sentimento fortíssimo de amor, que atinge seu espírito e também, de forma misteriosa, o corpo, e que, como ferida prazerosa, não é saciado. A ferida só faz aumentar o desejo de amor; há alternância entre o sentimento da presença de Deus e a dor da ausência. A ação divina só faz aumentar o desejo até o limite do desejo de morte para estar com o amado. É a seguinte morada, sétima, que traz o dom da paz, o sentimento da presença de Deus-Trindade, o matrimônio espiritual e a reconciliação com a vida e com a humanidade. Assim sendo, os dons do grau místico mais elevado da experiência teresiana não são os sentimentos arrebatadores de presença e a dor pungente da ausência de Deus, mas sim a paz e as “obras” (nos dizeres de Teresa, aqui a esposa recebe o beijo desejado e a corça é saciada pela água). Isso Bernini não retratou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que deve ser evitado, diante das evidências e abundância dos testemunhos teresianos, são interpretações grosseiras que esfumaçam a misteriosidade e a inefabilidade da graça mística teresiana, reduzindo-a a experiências sensuais cotidianas. Como ela mesma escreve: “suplico à sua Bondade o dê a provar a quem pensar que eu minto”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Teresa foi declarada Doutora da Igreja por Paulo VI, em 1970. Quais foram as principais contribuições de Teresa ao magistério da Igreja?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – Quando Teresa foi declarada Doutora de Igreja, Paulo VI, em sua homilia, destacou três razões fundamentais deste doutorado. A primeira, a atualidade da mensagem teresiana sobre a oração, realizada a partir de seu testemunho místico e de seus ensinamentos sobre a oração. A segunda razão foi o desejo de destacar a dignidade da mulher e seu lugar na Igreja, especialmente sua participação na transmissão e aprofundamento da mensagem do Evangelho e da doutrina teológica e espiritual da Igreja. A terceira razão foi o sentido de Igreja, a eclesialidade de Santa Teresa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, passados mais de 40 anos dessa declaração, e tendo-se desenvolvido o estudo da vida e das obras de Santa Teresa, vemos que o alcance deste doutorado é bem maior e com projeção de futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num balanço do doutorado teresiano, em 1996, o saudoso teresianista Jesús Castellano Cervera elencou mais de uma dezena de temas contidos nas obras teresianas, que significam ricas contribuições teológicas que vem sendo estudadas. Não há tratado teológico ao qual Santa Teresa não possa dar uma contribuição. Seu magistério não se resume à oração, embora nesse aspecto Santa Teresa apresente uma contribuição insubstituível. Suas obras são verdadeiros tratados teológicos indutivos: antropologia, Trindade, pneumatologia, cristologia, escatologia, eclesiologia, sacramentos... A vida e doutrina de Santa Teresa podem trazer contribuições também para a pedagogia da fé e para a pastoral. A mística vem sendo timidamente incorporada aos estudos teológicos universitários, mas o caminho vai sendo aberto porque a realidade mística hoje vai se impondo. É um sinal dos tempos. Na espiritualidade, o doutorado impulsionou as edições e a leitura das obras teresianas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na atualidade, vejo que não é apenas o doutorado teresiano, mas o próprio contexto espiritual da pós-modernidade, de busca do sagrado e ao mesmo tempo crescimento do ateísmo, que vem estimulando a leitura de Santa Teresa como companheira e mestre de nosso próprio caminho espiritual. Como teresianista, vejo um interesse crescente pela vida e pelas obras dessa grande mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Teresa é reconhecida por seu papel como reformadora e fundadora de conventos. Como esse “novo estilo de vida” dos mosteiros se relaciona com a mística e a espiritualidade de Teresa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – A reforma da ordem carmelitana e fundação do ramo do Carmelo Descalço são uma consequência da vida mística teresiana, ao mesmo tempo em que conformam muitos dos conteúdos de suas experiências. Ou seja, mística e obra fundadora não se separam, ao contrário, se influenciam mutuamente. Ela mesma reconhece que é impossível realizar grandes coisas àquele que não se sabe favorecido por Deus. Na espiritualidade teresiana, mística e profecia não se separam. Oração e ação andam juntas. “Marta e Maria devem andar juntas”, afirma Teresa, da atalaia das Sétimas Moradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mística leva, em seu interior, uma dimensão ética e comunitária. Essas dimensões fazem parte da formação de uma subjetividade integrada e relacional, que já mencionei em pergunta anterior. Muitos pensam que a mística teresiana se resume à grande ferida de amor, ao êxtase imortalizado por Bernini, mas tal é um grande engano, porque ignora a dimensão cotidiana, concreta e ativa da mesma experiência. O místico é sempre um profeta porque adquire uma sabedoria especial para viver o tempo que lhes compete viver. Mística não combina com alienação ou com introspecção fechada. Mística combina com lucidez, audácia, amor e liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teresa soube abrir um caminho novo numa Igreja em crise. Instaurou comunidades de mulheres pobres, orantes e iguais, numa sociedade hierarquizada e preconceituosa. Deu voz criativa àquelas que foram encurraladas e desqualificadas. Construiu redes de amizade e colaboração. Era alegre e bem humorada. Com tudo isso testemunhou o mistério do Deus que experienciou ao longo de toda a sua vida. Um Deus amigo e solidário, que se abaixa para se comunicar a quem se entrega.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Olhando para a situação da sociedade contemporânea, qual é o papel da mística e da espiritualidade? O que é necessário para que as pessoas do nosso tempo deem atenção ao lado místico da existência?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – A crise das grandes narrativas faz calar para ouvir os anseios mais sutis, como o amor, a liberdade, a autenticidade, a justiça, a amizade, a natureza, a transcendência que dá sentido real a tudo, Deus. Como no século XVI, penso que o cansaço com relação às instituições provoca uma busca de interioridade, de oração e de experiências verdadeiras compartilhadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A atual oferta quase ilimitada de entretenimento e de tecnologia dá uma resposta excessivamente exteriorizante aos nossos reais anseios. O excesso de informação pode nos anestesiar diante dos problemas reais, da injustiça real, da pobreza real. Da mesma forma, são superficiais as soluções farmacológicas às nossas depressões, falta de energia e alegria, ou excesso de tensão e agressividade. A mística convida a mais, convida a entrar no “castelo interior”, convida a dar atenção à “terra” da nossa interioridade, que deve ser molhada para florescer. Isso exige disposição, abertura, atenção, tempo, conversão, nova forma de estar no mundo. Esse convite é feito pelo próprio Deus, “ganoso” de que o conheçamos como Deus, envolvido em nossos destinos a partir do tecido de nossas existências, de nossa história e do nosso maravilhoso universo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mística exige ao menos a intuição de que “algo não vai bem”, nas palavras de Santa Teresa, para iniciar uma entrada no castelo interior. Exige coragem e humildade para dispor-se a um autoconhecimento diante de Deus, do Cristo que os Evangelhos nos narram. Teresa mostra a necessidade de nos colocarmos em movimento para dar espaço à aventura do encontro transformante com Deus e com tudo o mais, sobre bases mais humildes e mais harmônicas. Bases mais integradas e mais relacionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, a mística, como experiência do mistério de Deus, não é apenas um anseio atual, é uma necessidade que brota do coração de nossa cultura e nossas igrejas. E mais, uma necessidade que brota do coração de Deus. Ela deve estar na estrutura dos projetos de renovação das comunidades, pois dela brotará a verdadeira profecia e a verdadeira espiritualidade cristã, que é místico-profética. E atenção: todos são chamados a ser místicos, afinal, já lembrou o teólogo Schillebeeckx que a fé só se realiza como fé na experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Às vésperas de se comemorar 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila (1515-2015), a senhora organizou, juntamente com Mônica Baptista Campos, o livro Santa Teresa: mística para o nosso tempo. A partir da proposta do título, qual a atualidade de Teresa hoje?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – O livro Santa Teresa: mística para o nosso tempo traz estudos do Grupo Moradas de Estudos Místicos, grupo ecumênico da PUC-Rio. Atualiza aspectos da mística teresiana para o homem e a mulher de hoje. O interesse pela mística e por Santa Teresa na academia, por um grupo ecumênico, já é um sinal eloquente da atualidade de Teresa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo o interesse por Santa Teresa em muitos aspectos, mas destacaria três. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro, humano-espiritual. A espiritualidade se nutre do contato com uma mulher forte e corajosa, amiga do amor e da amizade, da liberdade e da pobreza, da humildade e da verdade, da beleza e da poesia. Uma mulher que testemunhou que adentrar o mistério humano é vislumbrar algo do transcender que o habita, que a oração é a porta deste dinamismo tão fundamental e que a vida é transformada por essa misteriosa experiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda atualidade é teológico-pastoral. Também a teologia é fortalecida na integração com a mística e a espiritualidade. A teologia sem a mística torna-se abstrata; a mística sem a teologia pode seguir o caminho de experiências ocultistas e desencarnadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A terceira atualidade é o interesse interdisciplinar e inter-religioso que a mística oferece. Esse talvez seja um dos grandes caminhos abertos pela mística teresiana atualmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, espero que o livro Santa Teresa: mística para o nosso tempo seja bem recebido como uma contribuição à teologia e à espiritualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Em sua opinião, quais as características mais marcantes da experiência mística feminina? Além de Teresa de Ávila, que outras mulheres foram mestras na arte de “narrar o Mistério”?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lúcia Pedrosa-Pádua – A relacionalidade que não teme o amor, a verdade existencial que não teme se expor, a linguagem que se faz compreender, a profundidade que sabe quando calar, a beleza que escorre por caminhos multidimensionais e multissensoriais, a profecia que confunde os poderosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São muitas. Foram mestras místicas medievais como Hadewijch de Antuérpia, Hildegard de Bingen, Marguerite Porete e Angela de Foligno. A elas acrescentaria Santa Clara de Assis e a Doutora da Igreja Santa Catarina de Sena. Já no tempo moderno, além de Santa Teresa, as carmelitas Santa Teresinha do Menino Jesus, Isabel da Trindade e Edith Stein. Considero a poesia da mineira contemporânea Adélia Prado um exemplo de poesia mística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-3400280774246510867?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3400280774246510867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3400280774246510867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2012/01/entrevista-lucia-pedrosa-padua.html' title='Entrevista - Lúcia Pedrosa-Pádua'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-R7-qIDnPG1s/TwoHWtgbH5I/AAAAAAAAB4s/jwTLrSxnryY/s72-c/LuciaSANTATERESADAVILA.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-9145017495482423428</id><published>2011-09-12T11:52:00.001-03:00</published><updated>2011-09-12T11:52:42.291-03:00</updated><title type='text'>Antonio Cechin</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Duzentas igrejas à venda como mercadorias comuns na Alemanha. Um escândalo mais, ou um grande sinal dos tempos?&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo de Antonio Cechin, irmão marista, miltante dos movimentos sociais, autor do livro&amp;nbsp; Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação. Porto Alegre: Estef, 2010.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Nada se parece tanto com um edifício em construção quanto um edifício em demolição!&lt;/em&gt;” (Tristão de Ataíde). Parafraseando Tristão, a fim de entendimento mais fácil, imediato e com mais força de expressão, podemos nós dizer: “Nada se parece tanto com um por de sol, quanto um nascer do sol. Só que um anuncia as trevas e o outro anuncia a luz!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esbarramos com uma pessoa amiga, muito religiosa, freira, escandalizada grau máximo à notícia dada com palavras e fotos na TV, de igrejas da Alemanha, lindas de morrer, transformadas em farmácias, mercados, bibliotecas, bares, etc. São nada menos de duzentas fechadas por absoluta falta de freqüentadores, à espera de talvez idêntico destino, complementara a notícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dicionário &lt;em&gt;Aurélio&lt;/em&gt;, no verbete escândalo registra os seguintes significados: 1) aquilo que é causa de erro e pecado. 2) aquilo que resulta de erro ou pecado. 3) Indignação provocada por um mau exemplo. 4) Desordem, tumulto, cena, alvoroço, escarcéu. 5) Grave acontecimento que abala a opinião pública. 6) Fato imoral, revoltante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De outro lado, o dicionário bíblico de &lt;em&gt;Jean Jacques von Allmen&lt;/em&gt; (Edições &lt;em&gt;Delachaux &amp;amp; Niestlé&lt;/em&gt;) à expressão “&lt;em&gt;sinal dos tempos&lt;/em&gt;” dá a seguinte explicação: o sinal dos tempos,&amp;nbsp; cuja forma exterior pode não apresentar nada de extraordinário, tem uma dupla finalidade:&lt;strong&gt; 1)&lt;/strong&gt; anunciar aquilo que vai acontecer, isto é, constitui não raro uma antecipação de um mundo novo; &lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; proclamar, revelar aquilo que está em ação desde já e agora neste mundo: atraindo a atenção sobre Jesus de Nazaré, o sinal dos tempos lembra que &lt;strong&gt;Deus&lt;/strong&gt; está em ação nele e por Ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, no fato envolvendo as igrejas da Alemanha, trevas ou luz? Demolição ou construção? Escândalo ou admiração? Estamos diante de um dualismo, não de uma dualidade. No dualismo, a preposição que une os pólos é &lt;strong&gt;ou&lt;/strong&gt;. Na dualidade, a preposição que liga os dois é &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;. Para desatar esse nó, nada melhor do andar por&amp;nbsp; sucessivas aproximações. O primeiro passo é a notícia em si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabemos todos que a imprensa, no sistema capitalista em que vivemos, tanto a falada como a escrita, nos grandes meios de comunicação social, é muito mais dada a escândalos do que a boas notícias. Estas últimas são muito menos lucrativas do que as primeiras.. Por isso mesmo, em geral, as notícias consideradas sensacionais ou escandalosas, são anunciadas em grandes manchetes a fim de que ninguém as perca de vista. Normalmente só dizem meia verdade, ou então são dadas de maneira truncada, repletas de omissões. O normal dessa imprensa dos ricos ou do dinheiro, é dizer muitas mentiras que, para não aparecerem como tais, as escondem sob o véu de uma falsa verdade. Do contrário, de tanto dizer mentiras cruas e nuas, ninguém mais compraria o jornal ou escutaria a emissora de rádio ou ligaria a TV deles. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A uma pergunta das mais simples ao repórter que a transmitiu, atrapalharia imediatamente a possibilidade do sensacionalismo gerador de escândalo. No caso, a perguntinha intrigante poderia ser: &lt;strong&gt;o que foi feito com o dinheiro da venda das igrejas?&lt;/strong&gt; Se se trata de um fiel cristão, que nem nós que amamos a Igreja Católica da Alemanha, a pergunta que não nos agüentaria calados, seria: &lt;strong&gt;Por acaso o fruto da venda das Igrejas não teria sidodestinado à construção de moradias para gente pobre, ou destinado aos milhões de seres humanos que estão morrendo de fome, no país da Somália, neste momento ou para qualquer uma das tantas finalidades beneficentes de gente pobre?&lt;/strong&gt; Sem adquirirmos consciência crítica face aos grandes meios de comunicação social, estaremos como patinhos que engolem tudo o que vem pela frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se já uma freira de tão escandalizada, gesticula com força e meneia a cabeça por todos os lados, imagine-se o efeito devastador de uma notícia dessas para o povão do Brasil que é considerado o maior país católico do planeta. Lembremos a grave condenação de Jesus:&amp;nbsp; “&lt;em&gt;Ai de quem escandalizar a um só destes pequeninos! Antes lhe houvessem amarrado uma mó de moinho ao pescoço e o tivessem lançado ao fundo do mar!&lt;/em&gt;” &lt;strong&gt;Esses pequeninos de Jesus, além das crianças, são as pessoas mais humildes.&lt;/strong&gt; São estas exatamente as mais religiosas. Rico, em geral não tem fé nem religião. O deus dele é o dinheiro mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por sinal, em jornal de maior circulação entre nós, do dia seis (06) deste mesmo mês de setembro, véspera do dia da pátria, o assunto liberdade de imprensa é o maior em destaque. O motivo é a reunião realizada em Brasília pelo Partido dos Trabalhadores, em cuja convenção nacional foi proposta a luta, começada ainda no governo Lula, para a criação de um marco regulatório da imprensa no Brasil. Nas duas horas de reportagem oral da maior emissora de rádio, no mesmo dia 6, conduzida pelo mais tradicional repórter, às 14 horas, foi lido um manifesto da mais importante rede de comunicação do estado, contra a tentativa do petismo de introduzir censura de imprensa, proclamando que jamais como hoje, no Brasil, gozamos de tanta democracia como agora, por causa da liberdade de imprensa que existe. De repente começa-se&amp;nbsp; a conspirar contra nossa modernidade como país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não existe ainda nem projeto acabado do marco regulatório e a comunicação burguesa já estrila. Aqui, de novo poderíamos perguntar a esses poderes da informação: &lt;strong&gt;Será que existe mesmo imprensa democrática no Brasil, quando se dá uma notícia causadora de tanto impacto em gente religiosa católica do país, sem informar detalhes sobre o fato?&lt;/strong&gt; Quem lhes poderia dar com autoridade todos os detalhes, é a própria Igreja da Alemanha. Onde fica o respeito para com os pequeninos, maioria absoluta da população brasileira? Qualquer deslize em questão de sagrado, os machuca até o fundo do coração, pois religião como tudo o que se refere ao sagrado, são seus temas mais queridos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, todas as gerações do pós-guerra de 1939 a 1945, imediatamente depois das grandes destruições e mortes que a Alemanha sofreu, sem descurar a massa das vítimas dos bombardeios, nossos irmãos na fé, daquele país nórdico, começaram a nos enviar carradas de recursos para evangelização e para socorro dos mais pobres, para habitação, saúde, saneamento, educação, organização de Movimentos Populares, etc. etc. Quem é que tanto no Brasil como em toda a América Latina nunca ouviu falar em &lt;strong&gt;Adveniat&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Caritas&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Misereor&lt;/strong&gt;, para só nomear três das maiores agências financiadoras de projetos sociais e de evangelização para todos os países latinoamericanos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não acreditamos que uma Alemanha tão católica e tão fraterna, amicíssima dos pobres e tão amiga do continente latino americano com nossas Cebs, nossa catequese libertadora, nossa teologia da libertação, tenha vendido igrejas fechadas durante muitos anos devido à diminuição de fiéis e tenha depositado o dinheiro com vistas à capitalização e para benesses aos ricos. Será que uma imprensa burguesa que desrespeita os valores dos pequeninos, pode ser considerada democrática e verdadeiramente livre? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para além da própria notícia em si, há outros aspectos de fundo, iluminadores da situação em que se encontram os templos cristãos da Alemanha. Se tivermos um mínimo de visão histórica global de Antigo e Novo Testamento na Bíblia, o tema da igreja enquanto edificação, enquanto casa do povo de Deus, sofreu toda uma evolução. Senão vejamos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Antigo Testamento, quando por meio de Moisés, Deus libertou o povo eleito, também quis caminhar à&amp;nbsp; frente`dele, através do deserto. Foram 40 anos de nomadismo, vivendo em tendas. Agradecido ao Senhor Deus Libertador, o povo ergueu-lhe também uma tenda maior, onde pudesse reunir o máximo de pessoas para rezar, cantar e celebrar os ritos religiosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde, num segundo período, quando de nômade o povo se tornou sedentário e construtor de casas de pedra para cada uma das famílias, pensou imediatamente em providenciar uma grande Casa de Deus, de pedra como todas as moradias. Está aí a origem do grande templo de Jerusalém, referência central de toda a vida e história do povo judeu. O próprio Homem-Deus, Jesus de Nazaré, quando completou a idade de 12 anos, começou a freqüentar o templo. Quando soube da morte de João Batista, Jesus iniciou a sua pregação sobre o Projeto a que fora enviado: O Reino de Deus. O local escolhido não era nem o templo que eram as “igrejas” do povo judeu. Preferiu casas de algum de seus discípulos e ao ar livre, junto à&amp;nbsp; Natureza como a grande Casa que o Pai Criador construiu para toda a humanidade. Seu cenário de culto e pregação eram os montes, como o das bem-aventuranças e o Tabor; dentro de barcos, à beira da praia; nas estradas e praças; em meio a plantações de trigo, embaixo de copas de árvores. Quando Jesus queria explicar algo de difícil entendimento para as pessoas como o Reino de Deus, usava coisas simples da vida quotidiana – sementes, aves, trigo, arbustos, árvores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num determinado momento de sua vida, do alto de uma colina de&amp;nbsp; onde podia divisar a majestade e a beleza das edificações da cidade de Jerusalém, entre as quais erguia-se o majestoso templo, Jesus chorou. Enxugando as lágrimas, balbuciava as palavras: “&lt;em&gt;Jerusalém, Jerusalém, assim como a galinha acolhe os pintinhos debaixo das asas, assim eu quis fazer com os teus filhos. Porém tu não o quiseste. Virão dias em que os inimigos te cercarão por todos os lados. De ti não sobrará pedra sobre pedra&lt;/em&gt;.” Com tais palavras, Jesus profetizou o fim do templo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No centro da pregação de Jesus estava o Reino de Deus, o seu projeto para a humanidade. Apontava para um Mundo Novo. Questionado por um popular intrigado pela pendenga entre judeus e palestinos em relação ao lugar em que se deveria prestar culto ao Deus verdadeiro, perguntou a Jesus se no monte Sião onde estava o templo de Jerusalém, conforme afirmavam os judeus, ou se no monte Garizim como insistiam os samaritanos. O Mestre respondeu: “&lt;em&gt;Virá um tempo em que não se adorará mais nem no templo de Jerusalém, nem no templo do monte Garizim, mas se adorará a Deus em espírito e verdade&lt;/em&gt;”. Jesus passou por cima de um templo como edificação. Deu destaque mais a lugares da natureza, a montes mais do que a templos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após a morte e a ressurreição de Jesus, quando os apóstolos, a seu exemplo começaram a anunciar o Reino de Deus, foi desencadeada uma grande perseguição contra todos os que acreditassem na Boa Nova. Em pouco tempo a perseguição se estendeu por toda a Terra Santa para alcançar todos os demais países do entorno. Acuados, os cristãos celebravam sua fé nas próprias casas que viraram possíveis lugares para o culto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na cidade de Roma onde a perseguição dos imperadores foi mais feroz, além de terem sempre as casas como igrejas domésticas reunindo vizinhos,&amp;nbsp; os cristãos começaram a celebrar a Missa e os sacramentos nas catacumbas, galerias subterrâneas que funcionavam como cemitérios. Tinham aí a vantagem de estar junto aos seus queridos mártires sobre cujos túmulos, transformados em altares, consagravam o pão e o vinho eucarísticos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ano 476, o imperador Constantino, convertido ao cristianismo, deu a mais ampla liberdade aos cristãos para celebrarem seus cultos e devoções. Os lugares que reuniam maior quantidade de pessoas eram os mercados. Passou-se então a fazer as celebrações religiosas nos mercados, chamados basílicas. Tais basílicas ou mercados foram sendo sempre mais adaptados para atos religiosos, adornados de acordo com funções inteiramente novas ligadas ao sagrado. Acrescentaram-lhes torres para os sinos a fim de convocar os fiéis, lugar para os corais, pia batismal, sacristia, etc. etc. e aí estão elas em todo o mundo ocidental como as&amp;nbsp; grandes basílicas de hoje, também chamadas catedrais, herança da Idade Média, igrejas como estas que vimos na Alemanha, algumas das quais, retornando até à velha função de mercados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;papa&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;João XXIII&lt;/strong&gt; a uma interrogação de jornalista norte-americano sobre o que desejava com o &lt;strong&gt;Concílio Vaticano II&lt;/strong&gt;, levantou-se da cadeira em que estava sentado, foi até a janela do seu aposento, abriu-a e disse em italiano: &lt;em&gt;Aria fresca nella Chiesa!&lt;/em&gt; Em português: &lt;strong&gt;Quero um vento fresco na Igreja, isto é, uma grande renovação nas estruturas da grande instituição&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os que acompanhamos o Concílio Vaticano II, vivemos ares primaveris que provocaram na Igreja uma alegria só comparável a alegrias da mais linda estação do ano. Foram ventos de uma renovação que prometia uma igreja nova, a também fermentar um Mundo Novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Hélder Câmara&lt;/strong&gt; que iniciou a Igreja do Brasil na opção pelos pobres que, como um rastilho, se espalhou por toda a América Latina, em vez de encerrar o Concílio Vaticano na Igreja-Basílica de São Pedro em Roma, acompanhado de uns oitenta bispos do mundo inteiro, foi com eles celebrar o encerramento nas catacumbas, igrejas dos primeiros cristãos-mártires dos imperadores romanos. Esses bispos firmaram com &lt;strong&gt;Dom Hélder&lt;/strong&gt; o &lt;strong&gt;Pacto das Catacumbas&lt;/strong&gt; a fim de voltarem para suas dioceses e serem os iniciadores de uma Igreja de Pobres. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Helder&lt;/strong&gt; foi mais longe ainda. Deu a sugestão ao &lt;strong&gt;Papa&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Paulo VI&lt;/strong&gt; de quem era grande amigo que entregasse o Vaticano e tudo que encerra em termos de catedral, capelas,&amp;nbsp; museus, bibliotecas, estátuas, quadros, etc. à Unesco, setor cultural&amp;nbsp; da Onu, com a justificativa que o grande acervo cultural reunido durante séculos e que pertence unicamente à Igreja, na realidade se trata de cultura criada pela humanidade inteira e não só da Igreja. O que é de toda a humanidade, à humanidade tem que retornar. Completou a insólita sugestão com o pedido que o Papa fosse morar no bairro pobre de Trastevere, não muito longe do Vaticano. Terminado o &lt;strong&gt;Concílio&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Dom Hélder&lt;/strong&gt; retornando ao Brasil para sua sede arquidiocesana de Olinda e Recife, estabeleceu residência na sacristia de uma Capelinha das periferias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Igreja Católica vive uma crise institucional considerada uma das maiores da história a ponto de haver um verdadeiro cisma entre o papado e a base que é o povo, isso no dizer do grande teólogo &lt;strong&gt;Hans Küng&lt;/strong&gt; e confirmada por muitos outros teólogos e pastoralistas. Entre o clero problemas de pedofilia. &lt;strong&gt;A corrupção dos melhores é a pior do mundo, afirma um provérbio latino&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Crise interior, de fé, gera crise exterior na prática da fé&lt;/strong&gt;, minando aos poucos toda a grande instituição. Daí que o esvaziamento das igrejas com i minúsculo, isto é dos edifícios sagrados nada mais é que um sinal dos tempos, através o próprio Deus nos fala através de fatos e fotos do cotidiano como este dos templos fechados e alugados, transformados até, alguns, verdadeiros “covis de ladrões” no sistema capitalista.&amp;nbsp; Para que edifícios de pedra, de um valor extraordinário em dinheiro, se no mundo há pedras vivas que são os pobres, aos milhões no mundo inteiro, passando fome, sem casa, doentes, etc.?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus está fazendo &lt;strong&gt;Sinal&lt;/strong&gt; aos cristãos que em vez de templos de pedra os templos vivos que são as pessoas pobres sofrendo são muito mais importantes. Por isso vendam-se sempre montanhas de pedras decoradas por dentro e por fora enquanto houver pessoas pobres no mundo. O contrário, &lt;strong&gt;continuar&amp;nbsp; com igrejas sobrando nesta situação do mundo com tanta miséria é tentar a Deus, é contrariar a vontade de Deus&lt;/strong&gt;. “&lt;em&gt;O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado&lt;/em&gt;” dizia o Nazareno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Historicamente, vivemos hoje tempos de decadência muito semelhante aos de &lt;strong&gt;São Francisco de Assis&lt;/strong&gt;. Seus biógrafos nos relatam que o santo teve uma visão em que Jesus lhe falava: “&lt;em&gt;Francisco, reconstrói a minha Igreja!&lt;/em&gt;” Num primeiro momento &lt;strong&gt;Francisco &lt;/strong&gt;pensou tratar-se da reconstrução de uma pequena igreja de pedra em ruínas, a Porciúncula que em italiano quer dizer a pequena porção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, assim como &lt;strong&gt;Jesus Cristo&lt;/strong&gt; trabalhara em duas dimensões: a da pequena comunidade e as multidões, isto é, o pequeno grupo dos 12 apóstolos que deveriam tornar-se fermento das massas, hoje o autêntico caminho da Igreja Católica é o de retorno às suas fontes, ao tempo de Cristo e dos Apóstolos.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este Novo modelo já está aí em ação no mundo latino-americano com suas pequenas &lt;strong&gt;Comunidades Eclesiais de Base&lt;/strong&gt; que são também &lt;strong&gt;Comunidades Ecumênicas de Base&lt;/strong&gt;, e em época de Mudanças Climáticas com sinais de fim de mundo, também de pequenas &lt;strong&gt;Comunidades Ecológicas de Base&lt;/strong&gt; como são os coletivos de trabalho com catadores, os que com toda a força da profecia libertam o Planeta Terra do lixo que está sempre mais a vida florescer em plenitude.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como é que, como cristãos, pedras vivas que devemos ser de uma Igreja ou Comunidade viva, podemos conviver com irmãos nossos como são os milhões de famintos da Somália, que como seres humanos iguais a nós são pedras vivas mas que morrem antes do tempo? &lt;strong&gt;Que fraternidade é essa? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às três horas da tarde, hora em que &lt;strong&gt;Jesus&lt;/strong&gt; crucificado expirou, o véu do templo de Jerusalém, rasgou-se de alto a baixo. Estavam totalmente superados os templos todos do povo de &lt;strong&gt;Deus&lt;/strong&gt; com a morte do &lt;strong&gt;Deus Amor&lt;/strong&gt;. Eis que um Novo projeto divino para a humanidade, o &lt;strong&gt;Reino de Deus&lt;/strong&gt; que é também &lt;strong&gt;Reino da Humanidade&lt;/strong&gt; a partir dos pobres, estava desencadeado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que se acabe com as igrejas mortas, quando a Igreja Viva na pessoas dos oprimidos e famintos está nas vascas da agonia! O &lt;strong&gt;Mestre de Nazaré&lt;/strong&gt; canonizara Davi roubando os “Pães da Proposição” do templo por causa da fome de seus companheiros!... Olhos para ver e não ver, ouvidos para ouvir e não ouvir, é demasiado trágico!... Confundir construção com demolição?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-9145017495482423428?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/9145017495482423428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/9145017495482423428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/09/antonio-cechin.html' title='Antonio Cechin'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-5010573942166893466</id><published>2011-07-19T21:16:00.004-03:00</published><updated>2011-07-19T21:27:51.577-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Dom Flávio Giovenale</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Turismo e exploração sexual. Um problema social brasileiro.&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;“A situação da miséria é tão intensa, que o fato de alguém da família se prostituir por um determinado período é uma situação considerada normal”, declara Dom Giovenale, bispo de Abaetetuba, que há anos denuncia crimes de turismo e exploração sexual na Amazônia. Segundo ele, em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, a miséria é a principal causa que leva as pessoas a se prostituírem.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Além da prostituição local, D. Giovenale diz que cresce o índice de vítimas do turismo sexual organizado por agências da região. Ele é um dos bispos ameaçados de morte por denúnciar o tráfico humano. Ele sempre é acompanhado por agentes de segurança.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Desde quando acontece turismo sexual no Brasil? Quais são as razões que favorecem essa prática?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- &amp;nbsp;Há dezenas de anos. Mas, nos últimos 15 anos, o turismo sexual se intensificou nas regiões Norte e Nordeste. Antes, as vítimas eram mulheres, mas, agora tem se intensificado o turismo sexual infantil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, o turismo é um meio utilizado para praticar a prostituição. Os estrangeiros, especialmente americanos e europeus, que se envolvem nesse tipo de turismo querem satisfazer seus extintos com “pessoas exóticas”. Eles pensam que o Brasil é o país do sexo e do paraíso. Há alguns anos, a propangada federal brasileira contribuía para intensificar esse crime no país, pois apresentava o Brasil com imagens de mulheres e passava a ideia de que no país tinha “mulher fácil”. O nome Amazônia é algo mágico para os estrangeiros e eles gostam de dizer que fizeram sexo com uma pessoa da região.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra causa que facilita o ingresso de estrangeiros no país é a falta de controle policial. Portanto, passa-se a ideia de que no país é possível praticar um crime e ficar impune. Além disso, cresce, no mundo, uma propaganda em vista “do prazer custe o que custar” e algumas pessoas acabam priorizando o prazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Quais são os motivos que levam as pessoas a se prostituírem?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Na Amazônia, a grande causa que leva as pessoas a se prostituírem é a miséria. Aqueles que moram no interior dos estados da Amazônia não têm perspectiva de vida. As capitais dos estados concentram a força econômica, enquanto os municípios do interior vivem do funcionalismo público, das aposentadorias e do Bolsa Família. Escutamos relatos que são inacreditáveis: pessoas trocam uma relação sexual por um cachorro-quente. É triste dizer isso, mas as pessoas se submetem a essa situação porque sentem fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitas meninas recebem propostas de morar na cidade para poder estudar e trabalhar em casas de família; mas, quando chegam ao local, se transformam em escravas sexuais. Elas são ingênuas e desconhecem a realidade. Por outro lado, alguns jovens pensam que a única perspectiva de vida é a prostituição. E, ao escolher entre ser prostituta do interior, passando fome, ou ser prostituta nos grandes centros, preferem migrar para as cidades com a esperança de não passar fome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Na região também cresce o tráfico sexual entre a classe média?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- De vez em quando aparece alguma denúncia em relação à classe média. Porém, o tráfico sexual é muito forte em algumas regiões como a Ilha de Marajó&amp;nbsp;- nesses locais há uma união entre miséria e organizações criminosas. Não sei dizer se aumentou o tráfico sexual ou se aumentaram as notícias e o interesse em investigar esses casos de prostituição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Qual é o destino das vítimas do tráfico sexual? Existem rotas internacionais que favorecem a intensificação desse crime?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Na região oriental da Amazônia, onde ficam os estados do Pará e Amapá, tem um destino que liga a Goiás, e de Goiás as pessoas são levadas para a Europa. A outra rota é por meio da Guiana Francesa e Suriname. Nesses dois países existem comunidades brasileiras clandestinas, que trabalham em garimpos. As vítimas do tráfico sexual são levadas a esses locais e trabalham em bordéis, garimpos, nas periferias das cidades e nas capitais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Essas pessoas costumam retornar para o Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Pouquíssimas. Voltam aquelas que são resgatadas pela polícia, mas, geralmente chegam ao país com pouca perspectiva de vida. Depois de migrarem para esses países, é difícil retornar porque para isso é preciso dinheiro. Algumas pessoas deixam de ser exploradas e passam a ser aliciadores, tornando-se subchefes do tráfico. Poucas pessoas conseguem superar a condição de miséria dos garimpos, pois estes locais são extremamente controlados. Nos bordéis, normalmente as mulheres são tratadas como escravas e são vigiadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- O turismo sexual se configura como um problema social no Brasil? Em sua opinião, a sociedade e o Estado estão dando a devida atenção a esse problema?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Nos últimos anos, aumentou a consciência de que o turismo sexual é um crime, tanto que a propaganda do Brasil no exterior foi alterada no sentido de mostrar as belezas naturais, sem apelo sexual. Também existe no país um desejo de mudança e um sentimento de revolta, porque os brasileiros não querem ser vistos como um “povo fácil”. Além disso, há um empenho positivo do governo contra o turismo sexual por meio de campanhas. Por isso lhe digo que não sei dizer se há um aumento do tráfico sexual ou se agora as autoridades estão descobrindo o que acontece. Em minha avaliação, a descoberta de casos de turismo e de exploração sexual demonstra que a luta contra os crimes está sendo eficaz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Como a população reage diante do turismo sexual e da exploração sexual na região da Amazônia e do Pará? As pessoas costumam denunciar esses casos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- A grande maioria da população reage com indignação. Mas a situação da miséria é tão intensa, que o fato de alguém da família se prostituir por um determinado período é uma situação considerada normal. É triste dizer isso, mas em algumas famílias todas as mulheres já se prostituíram. Geralmente, a história começa com a mãe; depois continua com a irmã mais velha, que ao completar 18 anos deixa de se prostituir porque chegou a vez da irmã mais nova, de 12 anos. Essas são situações localizadas, onde a venda do sexo para pessoas da região ou para turistas se torna uma atividade normal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- A construção de megaobras no Pará e na região tem favorecido a violência sexual?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Todas as grandes construções implicam um deslocamento muito grande de pessoas. As fazendas da região também estão recebendo um aglomerado de homens, porque um projeto de biodiesel, coordenado pela Petrobras em 38 municípios do Pará, gera uma movimentação de milhares de pessoas na região, que migram para trabalhar nas plantações de dendê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos dias de pagamento, as vilas dos agricultores enchem de prostitutas, que se prostituem de sexta a domingo. Muitos dos trabalhadores dessas grandes obras veem na prostituição uma diversão para final de semana. Essa á uma realidade que se repete em todos os grandes empreendimentos. Recentemente, li uma notícia de que o governo brasileiro está preocupado com os futuros eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas no sentido de evitar a prostituição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Como vê a legislação e a fiscalização da exploração sexual e do turismo sexual no país?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- O Brasil está firmando vários acordos internacionais com países como Inglaterra, França, Itália para prevenir o tráfico sexual. Então, por exemplo, se um italiano abusar sexualmente de uma menina brasileira, o crime será julgado na Itália como se tivesse sido feito com uma menina italiana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns anos, dois aviões fretados com turistas que tinham conotação sexual chegaram a um aeroporto brasileiro e, imediatamente, a polícia os mandou de volta para o país de origem. Penso que o Brasil não está fechando os olhos para o problema. Essa violência tem que ser tratada como um crime contra a humanidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- Recentemente, jornais americanos repercutiram o envolvimento de empresas americanas com turismo sexual no Brasil. O senhor sabe dizer que empresas são essas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Li que a Polícia Federal está investigando uma agência americana de turismo, que tem base em Manaus. Essa empresa organizava um pacote turístico que incluía turismo sexual. Não vejo essa notícia como algo estranho porque o turismo sexual não se organiza sozinho; tem o apoio de agências. Alegro-me quando esses casos são descobertos e espero que os aliciadores sejam punidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&amp;nbsp;- O senhor continua sendo ameaçado de morte em função das denúncias que fez sobre o turismo sexual na Amazônia?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Flávio Giovenale&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Há dois anos e meio não recebo mais ameaças. Depois da divulgação de que eu estava sendo ameaçado, parei de receber mensagens. Recebo bastante apoio do povo e das autoridades que moram na região. Sinto-me bem trabalhando na comunidade e espero continuar meu trabalho com serenidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-5010573942166893466?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/5010573942166893466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/5010573942166893466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/07/entrevista-dom-flavio-giovenale.html' title='Entrevista - Dom Flávio Giovenale'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-8212080029570722780</id><published>2011-07-17T21:40:00.001-03:00</published><updated>2011-07-17T21:42:08.865-03:00</updated><title type='text'>Joseph Moingt: um ensaio sobre a Igreja</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mesmo tendo 95 anos, o padre Joseph Moingt não para de pensar na sua Igreja, a Igreja Católica Romana. Descubra as belas páginas do seu último livro Croire quand même, libre entretien sur le présent et le futur du catoìholicisme (Crer apesar de tudo, conversa livre sobre o presente e o futuro do catolicismo). A reportagem é de Philippe Clanché, publicada na revista francesa Témoignage Chrétien, 02-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;L'homme qui venait de Dieu&lt;/em&gt; (O homem que vinha de Deus) e &lt;em&gt;Dieu qui vient à l'homme&lt;/em&gt; (Deus que vem ao homem), publicados na prestigiada coleção "&lt;em&gt;Cogitatio fidei&lt;/em&gt;" das &lt;em&gt;Éditions du Cerf&lt;/em&gt;, fizeram de &lt;strong&gt;Joseph Moingt&lt;/strong&gt; um dos grandes teólogos católicos do século XX e uma referência para os católicos abertos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um livro-entrevista de &lt;em&gt;Karim Mahmoud-Vintam&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Croire quand même&lt;/em&gt; (Ed. Temps Présent), o pensador jesuíta, hoje com 95 anos, desenvolve com calma a sua visão reconfortante de um catolicismo atual. Especialista em cristologia, tendo lecionado por muito tempo nas faculdades jesuítas, ele adquiriu a convicção de que se não voltarmos o olhar ao homem, toda relação com Cristo é vã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;O cristão deve conservar a sua fé, não para salvar a religião ou a instituição que lhe é relacionada, mas para salvar uma certa ideia do homem da qual a ideia de Deus é garantia&lt;/em&gt;". Em um texto muito acessível, &lt;strong&gt;Joseph Moingt&lt;/strong&gt; busca desdramatizar aquilo que atormenta hoje muitos fiéis: divisões internas, equívocos da instituição. Ele convida a dissociar a fé dos conceitos de crença e de religião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Àqueles que consideram "&lt;em&gt;as tradições dogmáticas da Igreja incompreensíveis&lt;/em&gt;", esse incansável pesquisador aconselha a "&lt;em&gt;não carregar esse peso e a se contentar em ler e em estudar os Evangelhos, que também apresentam dificuldades, mas de outra natureza&lt;/em&gt;". Ao entardecer de uma vida plena, esse ensaio nos oferece a possibilidade de descobrir um catolicismo sereno e desculpabilizante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis alguns trechos do livro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Fé, crença e religião&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma distinção que me é pessoal, que não coloca uma verdadeira oposição entre esses três termos, mas que permite que se evitem muitas confusões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A fé&lt;/strong&gt; é o assentimento dado aos pontos fundamentais da revelação cristã, aqueles que se enunciam no Símbolo dos Apóstolos, e o engajamento a viver segundo o espírito do Evangelho. Certamente, ela se expressa em dogmas, em crenças doutrinas e em práticas religiosas, mas ela é essencialmente una, unificada e estruturada: &lt;strong&gt;é o ato de se confiar a Cristo e de seguir a via da salvação por ele traçada&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A crença é feita&lt;/strong&gt;, ao contrário,&lt;strong&gt; de múltiplos dogmas e doutrinas&lt;/strong&gt; – de autoridade e de importância muito variáveis – &lt;strong&gt;e de tudo o que é ensinado pelo Catecismo&lt;/strong&gt;. Ela compromete menos diretamente a vida de cada dia, é muitas vezes transmitida pela família ou pelo ambiente, sem ser objeto de uma convicção firme e refletida, ou ela se deixa conduzir por escolhas subjetivas, irracionais e contraditórias, assim como mostraram as recentes pesquisas de opinião: uns consideram a crença no diabo um critério de fé, outros declaram crer em Cristo, mas não na ressurreição dos mortos, ou vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;No que se refere à religião&lt;/strong&gt;, que &lt;strong&gt;em princípio é a via da fé em uma comunidade de crentes&lt;/strong&gt;, ela &lt;strong&gt;impõe&lt;/strong&gt;, sobretudo, &lt;strong&gt;leis, regras de moral, práticas cultuais, alimentares, penitenciais, devoções&lt;/strong&gt;, e corre o risco, para muitos, de se reduzir a tais práticas às quais estão ligados por hábito, senão por superstição, enquanto não sabem mais muito bem se ainda são crentes: assim, veem-se católicos que colocam a devoção à Virgem no mesmo plano da Eucaristia, enquanto outros põem os pés em uma igreja só para acender uma vela diante de uma estátua ou depositar uma esmola em uma caixa para as ofertas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...] Os "conservadores", sensíveis ao princípio de autoridade, colocam em primeiro plano a obediência a Roma; os "tradicionalistas", a fidelidade às antigas práticas litúrgicas; certos cristãos "críticos", marcados por uma corrente de filosofia liberal, tendem relativizar certos dogmas recentes em favor de uma maior fidelidade à escritura; certos espíritos "progressistas", a reconduzir o essencial do Evangelho à justiça social; enquanto que os "carismáticos" serão mais atentos ao fervor da piedade comunitária do que à regulamentação rigorosa das liturgias; e os cristãos mais bem formados segundo as orientações do Vaticano II serão mais inclinados a renovar o estilo de vida na Igreja e a se pôr ao serviço evangélico do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tudo isso, &lt;strong&gt;não são questões de fé que opõem os cristãos, mas sim modos diferentes de regular a crença ou a prática&lt;/strong&gt;. Os "fundamentais" da fé, tal qual como se enunciam no Símbolo da Fé, não estão em discussão. No entanto, &lt;strong&gt;essas diferenças de atitude religiosa&lt;/strong&gt;, que muitas vezes têm o seu estímulo determinante sobre a cultura, o meio social, a educação recebida, as escolhas políticas, &lt;strong&gt;podem dissimular profundas divergências na maneira de compreender e de viver a fé&lt;/strong&gt; (p. 34-36).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Futuro da Igreja Católica&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me guardarei de fazer prognósticos. Retração não significa desaparecimento, assim como a religião não se identifica com a fé. Ele é a sua encarnação em uma sociedade, da qual sofre as influências, assim como os aspectos negativos. É principalmente por meio do seu clero e das suas ordens religiosas que a Igreja exerce a sua autoridade sobre a sociedade, por intermédio de organizações e de movimentos de piedade, de apostolado, de caridade, de ensino, de serviços sociais e outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A queda das vocações sacerdotais (alguns preferem dizer "presbiterais", mas o termo é menos usado) e religiosas diminui consideravelmente o poder da Igreja de agir sobre a sociedade. Ela é, reciprocamente, um sinal de que a sociedade não experimenta mais a necessidade de perpetuar o modelo religioso segundo o qual ela funcionava no passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque seria ingênuo pensar que as "vocações" viessem unicamente de uma atração interior da graça: ela também provinha de pressões recebidas da família e dos educadores, das ajudas e dos encorajamentos provenientes do ambiente social, da consideração da qual as "pessoas consagradas" eram objeto e, não nos esqueçamos, das vantagens econômicas, da "posição" que os filhos de famílias numerosas e pobres encontrariam entrando "para as ordens". Assim, hoje, vemos bispos que vão procurar padres ou religiosos nos países pobres, lá onde os empregadores recrutavam mão de obra em certas épocas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rarefação de padres, religiosos e religiosas, incontestavelmente, desorganizará a Igreja, mudará a sua figura, a obrigará a se refundar em sua base leiga, a partir das pequenas comunidades que já vemos se formar, na ordem ou na desordem, assíduas no estudo do Evangelho, aplicadas a viver fraternalmente, a colocá-lo em prática na sociedade, para manter a tradição da fé cristã da qual ela há muito tempo se alimenta. Eis em que sentido eu imagino ou espero que evolua o futuro da Igreja, que ela encontrará uma renovação de vitalidade e que continuará contribuindo na busca de sentido dos nossos contemporâneos (p. 51).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mudanças possíveis&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As coisas podem evoluir fazendo com que as comunidades não sejam de simples adesão, mas também de contestação, lembrando que, linguisticamente, "contestação" está ligado a "atestação". &lt;strong&gt;Contesta-se a autoridade para atestar o Evangelho&lt;/strong&gt;. O fato de os cristãos não poderem mais viver na instituição eu entendo, mas, se estiverem sozinhos, não podem fazer grandes coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sonho com comunidades cristãs em que outros crentes poderiam vir, mas também pessoas que não têm fé, e que se diriam: "O que podemos fazer juntos? Há coisas que gostaríamos de suprimir ou de corrigir, ou outras que teríamos vontade de inventar?"; pessoas que refletiriam sobre tudo isso e que decidiriam o que fazer. É assim que se poderá espalhar o espírito do Evangelho. [...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É em grupo que se podem fazer coisas importantes, e &lt;strong&gt;é difícil para um cristão viver isolado&lt;/strong&gt;, sobretudo &lt;strong&gt;quando se pensa&amp;nbsp;que o cristianismo é uma religião encarnada e comunitária, não uma pura filosofia&lt;/strong&gt;. Vocês não mudariam o mundo permanecendo sozinhos, cada um no seu canto. E, como vocês querem viver como cristãos, pensem também em mudar a Igreja, portanto, em permanecer vinculados (p. 82).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Passagem&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Igreja Católica se encontra em um momento de passagem&lt;/strong&gt;. Vai rumo a uma outra coisa, rumo a uma outra maneira de fazer Igreja, o que por si só não é trágico. Toda mudança, é verdade, tem um aspecto inquietante, porque produz rupturas, aflições, fraturas. E essas palavras, que são tomadas do vocabulário corporal, por si só evocam sofrimentos e perigos. Mas essa evolução será o advento de uma era nova, que eu ainda não posso imaginar para a Igreja nem para a fé cristã, mas que não será necessariamente catastrófica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não prevejo, de modo algum, uma retomada do poder, do poder perdido pela Igreja sobre a sociedade, mas sim uma outra maneira de se situar no mundo e de guardar a sua unidade. Talvez, ela terá menos visibilidade, no sentido de que a sua visibilidade atual está amplamente ligada à sua estrutura hierárquica e clerical. Mas a &lt;strong&gt;sua hierarquia perdeu muito da sua credibilidade interna e externa por causa dos seus excessos de poder sobre os seus fiéis e com relação à sociedade&lt;/strong&gt;. E o clero, dada a perda de recrutamento, logo não poderá mais ocupar sozinho todos os postos de autoridade e de responsabilidade que lhe eram devidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maior visibilidade da Igreja passará, assim, para o campo dos leigos e leigas, porque haverá cada vez menos clérigos e, portanto, será preciso confiar aos leigos e leigas um número cada vez maior de postos de responsabilidade. &lt;strong&gt;A Igreja terá menos visibilidade por causa da forte diminuição do número dos seus fiéis, e uma visibilidade diferente, menos "vistosa", se assim posso dizer, pelo fato de que a sua dominante leiga não a diferenciará mais tão fortemente do resto da sociedade; lhe dará um rosto menos especificamente religioso, menos cultual e ritual&lt;/strong&gt;. [...]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginar uma tal evolução me enche de esperança, eu confesso, embora certamente haverá menos pessoas que se dirão católicas. Mas o pensamento de muitas pessoas que estão deixando a Igreja continua a me perturbar. Não que eu tema que o seu abandono da Igreja os condene ao inferno – porque eu não acredito que Deus persiga com a sua cólera aqueles que dEle se esqueceram –, mas porque &lt;strong&gt;a perda de toda vida espiritual os colocaria em perigo de afundar para sempre na morte, se é verdade, para os crentes, que não existe vida eterna a não ser na união com Deus&lt;/strong&gt; (p. 147-149).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-8212080029570722780?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8212080029570722780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8212080029570722780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/07/joseph-moingt-um-ensaio-sobre-igreja.html' title='Joseph Moingt: um ensaio sobre a Igreja'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-2155263414601916113</id><published>2011-07-17T21:05:00.000-03:00</published><updated>2011-07-17T21:05:48.928-03:00</updated><title type='text'>Alain de Botton propõe ''ateísmo 2.0''</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O filósofo e escritor suíço Alain de Botton afirmou anteontem que o mundo precisa de um "ateísmo 2.0", que deixe de lado a luta histérica para provar que Deus não existe e tire proveito do que as religiões têm a oferecer. "É claro que Deus não existe. Mas isso não é o fim da história. Há muito o que podemos absorver das religiões para nos ajudar em questões de educação e cultura, por exemplo", afirmou, durante palestra na TEDGlobal, conferência sobre entretenimento e inovações que acontece em Edimburgo, na Escócia. A reportagem é de Vaguinaldo Marinheiro e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 16-07-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia não é totalmente nova. Já estava esboçada em um artigo publicado pelo autor em 2008 chamado "Uma Religião Para Ateístas". Mesmo assim, ele dividiu a plateia, composta em sua maioria por pessoas que dizem não ter religião. Botton é autor de vários best-sellers, como "Arquitetura da Felicidade" ou "Como Proust Pode Mudar Sua Vida", que misturam filosofia com autoajuda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;DILEMA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na palestra, afirmou que as pessoas vivem hoje um dilema: ou acreditam nas doutrinas religiosas e são consideradas ingênuas ou não acreditam em nada e rejeitam tudo o que tem a ver com as religiões. "&lt;em&gt;A vida secular deixou muitos buracos abertos. Nas questões morais, por exemplo&lt;/em&gt;", disse. Depois, criticou o sistema educacional do Ocidente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Se uma pessoa for a uma boa universidade, como Harvard, Oxford ou Cambridge, e pedir aconselhamento sobre moral, ou se disser que quer aprender como viver, vão encaminhá-la para uma instituição psiquiátrica&lt;/em&gt;." As universidades, disse, acreditam que todos somos adultos racionais, que precisamos apenas de informação e dados, não de ajuda. Já as grandes igrejas sabem que as pessoas precisam de ajuda e sempre ofereceram aconselhamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor afirma que o ateísmo radical faz as pessoas se privarem do prazer de admirar obras de um Andrea Mantegna (pintor da renascença italiana), por exemplo, ou textos dos Evangelhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Questionado ao final da palestra se pretende ser um líder ou um profeta desse "ateísmo 2.0", o escritor disse que não, porque é preciso sempre desconfiar daqueles que se dizem líderes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua apresentação na TED foi gravada e estará em breve no site &lt;a href="http://ted.com/"&gt;ted.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-2155263414601916113?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2155263414601916113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2155263414601916113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/07/alain-de-botton-propoe-ateismo-20.html' title='Alain de Botton propõe &apos;&apos;ateísmo 2.0&apos;&apos;'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1044667597794968208</id><published>2011-06-26T17:20:00.002-03:00</published><updated>2011-06-26T17:22:31.170-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Moisés Sbardelotto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2QU2ljdxTSY/TgeUTzJOClI/AAAAAAAAB3I/vC9J4zE5TS4/s1600/igrejainternet.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" i$="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-2QU2ljdxTSY/TgeUTzJOClI/AAAAAAAAB3I/vC9J4zE5TS4/s1600/igrejainternet.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Igreja e internet: uma relação de amor e ódio&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sbardelotto é mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, na linha de pesquisa &lt;strong&gt;Midiatização e Processos Sociais&lt;/strong&gt;. Atualmente, é coordenador do Escritório da Fundação Ética Mundial no Brasil (Stiftung Weltethos), um programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, em São Leopoldo-RS. É bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Como a Igreja se posicionou diante das novas tecnologias e do uso da internet? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Pelo que temos visto especialmente nos últimos anos, a Igreja Católica tem mantido uma relação de “amor e ódio” com os meios de comunicação e particularmente com as mídias digitais, tendo estado no centro de inúmeras crises. Nesse processo de reviravolta sociocomunicacional, a Igreja ainda está tateando em busca de um reposicionamento institucional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2009, em um gesto histórico, o papa enviou uma carta a todos os bispos do mundo, na qual reconheceu que cometera um erro “comunicacional”. Referindo-se ao fato de não ter se informado anteriormente sobre um bispo ultratradicionalista recém reintegrado à Igreja que havia negado a existência das câmaras de gás durante o Holocausto, Bento XVI afirmou: “Disseram-me que o acompanhar com atenção as notícias ao nosso alcance na internet teria permitido chegar tempestivamente ao conhecimento do problema. Fica-me a lição de que, para o futuro, na Santa Sé, deveremos prestar mais atenção a esta fonte de notícias”. Ou seja, o papa assumiu que bastaria ter dado uma simples “googlada” para saber quem era esse bispo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em termos oficiais, no nível da alta esfera, o Vaticano tem publicado documentos que abordam a relação entre a Igreja e as mídias digitais, como, por exemplo, as mensagens por ocasião do &lt;em&gt;Dia Mundial das Comunicações Sociais&lt;/em&gt;. A última, do dia 5 de junho de 2011, trata do tema &lt;strong&gt;“Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”&lt;/strong&gt;. Ou seja, essa nova ambiência é uma temática que interroga a Igreja, que se encontra tão enraizada na cultura escrita impressa e nos meios de comunicação de massa, recolhendo ainda os despojos do papado multimidiático de João Paulo II. Nessa mensagem, há um avanço quando se reconhece que “as novas tecnologias estão mudando não só o modo de comunicar, mas também a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, na mensagem, Bento XVI afirma que “&lt;em&gt;como qualquer outro fruto do engenho humano&lt;/em&gt;”, as novas tecnologias da comunicação, se “&lt;em&gt;usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano&lt;/em&gt;”. Embora reconhecendo o alcance sociocultural das mídias digitais, a Igreja ainda se centra na questão do seu uso – que poderia ser, nesse entendimento, bom ou ruim (no final, o papa diz: “&lt;em&gt;Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital&lt;/em&gt;”). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A preocupação, no entanto, deveria ir muito além disso. A internet, embora sendo “&lt;em&gt;fruto do engenho&lt;/em&gt; &lt;em&gt;humano&lt;/em&gt;”, está ligada também a formas e práticas de vida intrínsecas a ela. Como analisa &lt;em&gt;Gordon Graham&lt;/em&gt;, novidades tecnológicas como a internet não são positivas apenas por serem novas, nem negativas apenas por serem tecnológicas. Mas também não são neutras: nas mídias digitais online, por exemplo, põe-se de manifesto um determinado tipo de ser humano. Mesmo um “&lt;em&gt;bom uso&lt;/em&gt;” traz consigo lógicas que são intrínsecas à técnica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para exemplificar, na semana passada, a Basílica de São João de Latrão, em Roma, começou a emprestar iPods a seus peregrinos com um aplicativo projetado especialmente para guiar o visitante junto às obras de arte, à arquitetura e à história do local. A proposta, segundo o padre responsável, seria reduzir o ruído provocado pela visitação de grandes grupos e seus guias, assim como atrair mais os jovens. Cada visitante pode até ouvir as narrações na “voz” de personagens históricos como o próprio imperador Constantino. Mas, no fundo, o que significa atribuir a função de “guia” a um aparelho digital personalizado? São essas lógicas, anteriores ainda a um bom ou mau uso, que merecem reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – De que maneira a manifestação religiosa da Igreja e dos fiéis se transformou a partir da utilização da internet?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Em uma sociedade em midiatização, o religioso já não pode ser explicado nem entendido sem se levar em conta o papel das mídias. Na transformação cultural de hoje, as mídias organizam e impregnam o social, e passamos a viver em uma realidade sociocultural de permanente comunicação midiatizada. Por isso, as mídias não são meros meios de transmissão de informação, nem apenas extensões dos seres humanos, mas sim o ambiente no qual a vida social se move. &lt;em&gt;Marshall McLuhan&lt;/em&gt; já afirmava que “&lt;em&gt;toda tecnologia gradualmente cria um ambiente humano totalmente novo&lt;/em&gt;”, ambientes que “&lt;em&gt;não são envoltórios passivos, mas processos ativos&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, o transcendente se digitalizou. E, como o Moisés bíblico, as pessoas sobem a montanha digital porque vêem uma sarça ardente em seu topo e buscam a presença de Deus na Internet. Portanto, se as mídias digitais como a internet hoje “&lt;em&gt;viraram um templo&lt;/em&gt;”, com tantas ofertas de sagrado disponíveis, cabe analisar como isso aconteceu, que templo-Igreja é esse e que relação fiel/Deus se manifesta em meio a seus bits e pixels.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Exemplo disso é que a experiência da fé – dentre outras diversas manifestações religiosas – pode ser vivenciada na internet por meio de diversos serviços: versões online da Bíblia e de textos sagrados; orientações online com líderes religiosos; pedidos de oração; as chamadas “velas virtuais”; programas religiosos em áudio e vídeo; dentre muitas outras opções. O fiel, onde quer que esteja, quando quer que seja, por meio da internet, desenvolve um novo vínculo com a Igreja e com o transcendental, em um novo ambiente de culto. Isso possibilita uma nova modalidade de revelação e de manifestação de Deus e do sagrado: agora, porém, midiatizada – uma espécie de midioteofania. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir desse desvio do olhar do fiel dos templos tradicionais para os novos templos digitais, ocorrem alterações também na formação da identidade individual e religiosa. Cada tecnologia traz consigo uma nova maneira de ser e de fazer. Com o desenvolvimento das tecnologias digitais, características como a digitalidade (o sagrado moldado em bits e pixels), a ubiquidade (o sagrado acessível em qualquer ponto da rede a qualquer momento), a conectividade (conexões/interações em rede entre o sagrado e o fiel e entre fiéis) e a hiperdiscursividade (novas formas de discurso e narrativas sobre o sagrado), dentre outras, manifestam lógicas e processualidades comunicacionais que modificam o ser, o fazer e o experienciar da religião. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Como se dá a interação entre fiel, Igreja e Deus no ambiente digital brasileiro?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – São as “&lt;em&gt;ações entre&lt;/em&gt;” sistema e fiel que possibilitam a comunicação e a construção de sentido religioso na internet. De outra forma, isso não ocorreria. Na pesquisa, analiso essas interações por meio de três eixos conceituais – &lt;strong&gt;interface&lt;/strong&gt; (as materialidades gráficas dos sítios católicos), &lt;strong&gt;discurso&lt;/strong&gt; (coisa falada e escrita nos sítios católicos) e &lt;strong&gt;ritual&lt;/strong&gt; (operações, atos e práticas do fiel).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com relação à interface, o sagrado que é acessado pelo fiel passa por diversos níveis de codificação por parte do sistema. Analisamos quatro deles: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1) a tela; &lt;br /&gt;2) periféricos como teclado e mouse; &lt;br /&gt;3) a estrutura organizacional das informações (menus); e &lt;br /&gt;4) a composição gráfica das páginas em que se encontram disponíveis os serviços e rituais católicos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seja, a interação é possibilitada porque o fiel decodifica o sagrado a partir da configuração computacional ofertada pelo sistema. Por meio de instrumentos e aparatos físicos e simbólicos, o fiel “manipula” o sagrado ofertado e organizado pelo sistema e navega pelos seus meandros da forma como preferir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por meio da interface, o sistema informa ao usuário seus limites e possibilidades, e este comunica ao sistema suas intenções. O sistema indica ao fiel não apenas uma forma de ler o sagrado, mas também uma forma de lidar com o sagrado, que raramente é neutra ou automática: ela carrega consigo sentidos e afeta a mensagem transmitida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o contato entre fiel e sagrado passa pelo discurso, pela narração da fé, pela “&lt;em&gt;realidade material de coisa pronunciada ou escrita&lt;/em&gt;”, nas palavras de &lt;em&gt;Michel Foucault&lt;/em&gt;. Nos sítios brasileiros, esse discurso é construído a partir de três atores: &lt;strong&gt;o fiel&lt;/strong&gt; (o internauta); &lt;strong&gt;um “outro”&lt;/strong&gt; (com quem o fiel dialoga e intercede junto ao sagrado); &lt;strong&gt;e um “Outro”&lt;/strong&gt;, o destinatário último (Deus, Nossa Senhora ou os santos, por exemplo). É por meio do discurso, portanto, que se gera o sentido religioso nos sítios católicos. Nele, é possível perceber virtualmente entidades como o “enunciador” e o “enunciatário” – que estão inscritas e vivem no interior do texto –, assim como as regras para as interações entre eles, já que o discurso não é simplesmente “&lt;em&gt;aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar&lt;/em&gt;”, como também aponta &lt;em&gt;Foucault&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por último, o fiel interage com o sagrado por meio de rituais. Até então celebrados no templo físico, eles agora se deslocam para o ambiente &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; (como, por exemplo, as “velas virtuais”, o “terço virtual”, a “adoração ao Santíssimo”, missas etc.). Por isso, os chamados rituais &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; são atos e práticas de fé desenvolvidos pelo fiel por meio de ações e operações de construção de sentido em interação com o sistema católico &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; para a busca de uma experiência religiosa. O ritual &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;, portanto, esclarece mecanismos e processualidades fundamentais do fenômeno religioso contemporâneo. Tudo isso, analisado mais detalhadamente, estará disponível no Cadernos IHU, n. 35, que sintetiza a pesquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Como o religioso pode ser explicado e entendido em uma sociedade em midiatização&lt;/strong&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – O que se constata hoje é um desvio do olhar do fiel dos templos tradicionais para os novos templos digitais, que estimulam, sob novos formatos e protocolos, a experimentação de uma prática religiosa que encontra suas raízes na realidade &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt; (como o “acender de velas”), mas que agora é ressignificada para o ambiente digital. Existe algo que faz com que o indivíduo prefira praticar a sua fé na internet, em vez de fazer isso na igreja de seu bairro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, se a comunicação (suas lógicas, seus dispositivos, suas operações) está em constante evolução, a religião, ao fazer uso dela, também acompanha essa evolução e é por ela impelida a algo diferente do que tradicionalmente era. É essa complexidade da interface entre o fenômeno da comunicação (a partir de suas ocorrências concretas, como o caso da internet) e o fenômeno religioso (a partir da utilização dos dispositivos comunicacionais para a sua ocorrência) que exige maior atenção por parte da Igreja e dos pesquisadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Que religião nasce da mídia?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Essa é a pergunta-chave. As respostas são múltiplas, por isso posso dar apenas algumas indicações. O que podemos perceber é que a fé vivenciada, praticada e experienciada nos ambientes digitais aponta para uma mudança na experiência religiosa do fiel e da manifestação do religioso, por meio de novas temporalidades, novas espacialidades, novas materialidades, novas discursividades e novas ritualidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, a religião como tradicionalmente a conhecemos também está mudando, e a “nova religião” que se descortina diante de nós nesse “odre novo” traz também um “vinho novo”, que caracteriza a midiatização digital (suas formas características de ser, existir, pensar, saber, agir etc. na era digital). Junto com o desenvolvimento de um novo meio, como a internet, vai nascendo também um novo ser humano e, por conseguinte, um novo sagrado e uma nova religião, por meio de algumas microalterações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um lado, temporalmente, os tempos e períodos tradicionais, divididos e organizados pela Igreja liturgicamente e na vida cotidiana, mudam radicalmente na internet. Agora, um ritual religioso (missa, adoração ao Santíssimo, acompanhamento espiritual etc.) pode ser feito a qualquer hora do dia, independentemente dos horários dos demais membros da comunidade religiosa, e em qualquer lugar, em casa, no horário de trabalho, ou mesmo em trânsito, independente da agenda do padre, do religioso ou dos demais fiéis. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sistema se encarrega de mediar essa interação, apesar do tempo &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt; da vida cotidiana. Os processos lentos, vagarosos e penosos da ascese espiritual (os “séculos dos séculos”, “até que a morte os separe”) vão sendo agora substituídos pela lógica da velocidade absoluta. Passamos, assim, a viver uma fé na expectativa de imediaticidade (tudo deve estar disponível agora, já).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, há um deslocamento espacial da experiência religiosa: a celebração feita do outro lado do país ou do mundo pode ser agora assistida pelo fiel em seu quarto – e é ele quem decide quando a missa vai começar. Um fiel do interior da Amazônia não precisará se deslocar até o Santuário Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, para fazer suas orações, prostrar-se diante da imagem e até mesmo acender sua vela, pois, pela Internet, a “capela virtual” acolhe seus pedidos e lhe oferece um vídeo do interior da basílica para venerar a santa pela internet. Assim, instaura-se uma nova forma de presença: uma “telepresença”, como indica &lt;em&gt;Lev Manovich&lt;/em&gt;, possibilitada pela produção de presença encarnada nas representações e simulações de sagrado disponíveis no sistema católico &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. Mas a essência dessa nova modalidade de presença é a não presença, a “antipresença”. Não é necessário que o fiel esteja lá fisicamente para estar lá digitalmente: o fiel pode agora ver e agir à distância. Essa “bilocação” não se deve à “santidade” do fiel, mas sim à técnica comunicacional, que permite ao fiel esse seu “poder ultraterreno” nessa ambiência digital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A fé digital &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, a fé digital traz consigo uma materialidade totalmente própria: numérica, de dígitos que podem ser alterados, deletados, recombinados de acordo com a vontade do sistema e/ou do fiel, embora com resquícios de uma religiosidade pré-midiática (como o uso de velas, por exemplo). Assim, a complexidade da técnica não pressupõe o abandono de tradições discursivas. Porém, elas são ressignificadas: na “capela virtual”, o sol sempre brilha, as flores sempre estão abertas, vivas e coloridas, as velas até se acendem sozinhas, e a cerimônia inicia assim que o fiel entra (adeus, preocupação com o atraso!). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro, algumas velas digitais também se “consomem” e diminuem de tamanho com o passar dos dias, mas não há mais os “incômodos” da cera derretida, dos vapores e fumaças, dos riscos de incêndio. Mas, hoje, acrescentam-se novas camadas intermediatórias entre fiel e Deus, agora tecnocomunicacionais: computador, teclado, mouse, interfaces, fluxos de interação comunicacional etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, tudo isso, em geral, passa despercebido pelo fiel, reforçando a transparência da técnica: a sensação de sagrado construída pelo sistema promove (ou reforça) a crença de que o fiel está diante de (e apenas de) Deus. Além disso, a fé digital é vivida com uma sensação de carência: exigem-se sempre novas tecnologias, crescendo a necessidade de ser mediado pela tecnologia comunicacional, até na espiritualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sentido religioso &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Discursivamente, o fiel constrói sentido religioso por meio de narrativas fluidas e hipertextuais, marcadas por uma constante transformação, em que novas informações também podem ser adicionadas, deletadas, corrigidas ou relacionadas segundo os protocolos da internet. Isso acaba abrindo o texto original a inúmeras interpretações em uma hermenêutica infindável de novos sentidos. As relações e vínculos nesse ambiente também são fragmentários, já que o fiel seleciona e escolhe a sua alteridade discursiva (terrena ou divina). O fiel-internauta vive uma experiência de fé com uma ausência objetiva (antipresença) do “outro”, seja ele outra pessoa ou Deus, o que, nem por isso, caracteriza uma fé vivida isolada e individualisticamente, pois ele continua recorrendo a uma comunidade de fé, embora ressignificada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O deslocamento, em suma, dá-se em direção à lógica do acesso, em que o pertencimento-participação em uma comunidade não se estrutura por uma localização geográfica, mas sim por uma ambiência fluida em que só faz parte dela quem a ela tem acesso. E são comunidades instauradas comunicacionalmente: ou, vice-versa, é a interação comunicacional que cria novas comunidades ao tornar comum entre os fiéis aquilo que social, política, existencial e religiosamente é incomum ou não pode nem deve, a seu ver, ficar isolado. Assim, no fundo, há uma lógica do compartilhamento e da publicização: antes, o pedido do fiel era privado, restrito à sua intimidade com Deus. Hoje, é público, é compartilhado com todos, e seu conteúdo é de livre acesso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, ritualisticamente, os atos e práticas de fé desenvolvidos pelo fiel por meio de ações e operações de construção de sentido em interação com o sistema constroem-se agora na internet. E novos fluxos começam a surgir, como rituais &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt; reconstruídos midiaticamente e rituais &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; que são estendidos midiaticamente para o ambiente &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt;. Manifesta-se, assim, não apenas uma liturgia assistida pela mídia, mas também uma liturgia centrada, vivida, praticada e experienciada pela mídia, em que esta também oferece modelos para as práticas, o espaço e o imaginário litúrgicos. Instaura-se, em suma, uma nova sacramentalidade. O que fica escondido nos templos territorializados, como o ritual de acender velas, passa a ser exposto e oferecido como o principal ritual religioso das “capelas virtuais”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir da midiatização digital do fenômeno religioso, portanto, vai acontecendo uma metamorfose da fé, somada aos diversos outros âmbitos sociais e históricos que evidenciam esse processo. Ou seja, embora mantendo alguns de seus aspectos tradicionais, produzem-se novas qualidades do religioso. Mas não podemos perder de vista que a hierofania nunca se restringe a um único âmbito do humano. Por meio da midiatização, revelam-se algumas faces desse sagrado, que não se limita a essas manifestações. O sagrado escapa ao midiático. Paralelamente aos ambientes &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;, continua-se vivendo, praticando e experienciando a fé nos tradicionais espaços de culto, em crescentes tensões e desdobramentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – E o que a religião em uma sociedade midiatizada revela acerca da mídia?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Estamos em uma nova etapa da comunicação, em que as mídias não são apenas veículos de troca de informações, nem se resumem a instaurar mediações entre âmbitos sociais. Com a convergência tecnológica e midiática, temos um ambiente formado pela comunicação midiática, onde se dão os processos sociais contemporâneos. Existe agora uma cultura atravessada, perpassada, embebida pelas mídias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir dessa compreensão, percebe-se que é esse ecossistema midiático que constitui o &lt;em&gt;socius&lt;/em&gt;. O conteúdo do fenômeno da midiatização é a convergência das mídias, cada vez mais abrangente, cada vez mais acelerada. Não se trata apenas de um avanço tecnológico, mas sim de uma nova configuração social ampla, que gera novos sentidos em escala complexa e dinâmica, a partir da tecnologia e para além dela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Analisar a midiatização da religião, portanto, é analisar também um processo de secularização: o processo histórico em que as mídias assumiram muitas das funções sociais que costumavam ser desempenhadas, por exemplo, pela própria religião. Por meio das processualidades da midiatização, a lógica midiática vai subsumindo outras lógicas sociais, em termos de regulação institucional, de conteúdo simbólico e de práticas individuais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Qual o significado da religião em uma sociedade midiatizada? Como ela constrói e gera sentido nesse novo contexto?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Hoje, os fiéis estão fazendo de forma &lt;em&gt;online &lt;/em&gt;grande parte daquilo que fazem &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt;, mas, como dizíamos, fazem isso de uma forma e em um ambiente diferentes, que geram diferença para a religião como a conhecemos. Essas microalterações na vivência da fé não são apenas uma isenta mudança de “forma”, mas sim, em sentido mcluhaniano, uma mudança de “conteúdo”: religião e mídia coevoluem de forma midiatizada, gerando novos predicados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um contexto de aprofundamento das interações sociais via mídia, ganha menos destaque o discurso sobre Deus, e mais o contexto, as circunstâncias específicas, em que as pessoas interagem com Deus: não como as pessoas creem ou devem crer (&lt;em&gt;doxa&lt;/em&gt;), mas sim como as pessoas expressam a sua fé (&lt;em&gt;praxis&lt;/em&gt;). Hoje, esse contexto da fé é vivenciado na internet, é um o contexto comunicacional construído pela interação entre o fiel e o sistema católico &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. No fundo, os fiéis encontram nos protocolos da internet características outras, que são ou não encontradas nos santuários do mundo &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt;. Uma mídia tão simbólica da pós-modernidade como a internet permeia, mas também altera, a vivência e a experiência de uma fé tradicional, pré-moderna. Não acredito que se dê um processo de substituição de um por outro, mas sim uma justaposição das ofertas religiosas &lt;em&gt;offline&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;onlin&lt;/em&gt;e, a partir daquilo que o mundo digital concede a mais ou a menos, ou de forma mais instantânea, acessível ou disponível do que a religião tradicional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Raízes agrárias&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, para religiões tradicionais como a Igreja Católica, ainda tão enraizadas em culturas e origens agrárias e pastoris, são necessárias mudanças realmente profundas em seus sistemas simbólicos para que possam ser capazes de responder a todos esses desafios na compreensão de uma nova forma de ver e de viver o “novo mundo” que vai nascendo. Noções como tempo, espaço, comunidade, autoridade, presença, participação etc. – tão centrais ao contexto religioso – vão sendo reconstruídos e readaptados a uma nova configuração social que, por vezes, é combatida pela Igreja e tem sua importância diminuída, como um processo localizado e sem grandes repercussões para as estruturas eclesiais. Porém, esse é um grande engano, já que, a partir das beiradas, uma modificação de fundo vai ocorrendo, para o bem ou para o mal, na configuração das religiões tradicionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Como vê o incentivo e o estímulo que a Igreja tem dado à relação e ao vínculo do fiel com Deus por meio do ambiente digital?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – A relação com os meios de comunicação é quase vital à Igreja. Como indicou a Instrução Pastoral &lt;em&gt;Communio et progressio&lt;/em&gt;, ainda em 1971, “&lt;em&gt;os modernos meios de comunicação social dão ao homem de hoje novas possibilidades de confronto com a mensagem evangélica&lt;/em&gt;”. Para o então Papa Paulo VI, a Igreja “&lt;em&gt;viria a sentir-se culpada diante do seu Senhor&lt;/em&gt;” se não lançasse mão dos meios de comunicação. Já para o Papa João Paulo II, na encíclica &lt;em&gt;De Redemptoris Missio&lt;/em&gt;, os meios de comunicação social seriam “&lt;em&gt;o primeiro areópago dos tempos modernos&lt;/em&gt;”. E aqui, o papa reconhece um ponto importante, já em uma era digital (1990): “&lt;em&gt;A experiência humana como tal se tornou uma experiência vivida através dos mass media&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, em nível internacional, começando pelo órgão máximo da Igreja, o Vaticano lançou sua página &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; ainda nos primórdios da internet, em 1995. O sítio continha apenas o texto da mensagem de Natal do então Papa João Paulo II para aquele ano e um e-mail de contato. Hoje, o sítio oficial da Igreja Católica já está disponível em oito idiomas, incluindo o português e até o latim, língua oficial do Vaticano. Em junho de 2011, foi lançada uma nova interface do sítio com poucas alterações na página de entrada, principalmente, um menu em formato de “calendário maia”, como li em uma crítica. A grande novidade do novo sítio ainda está em construção, que será um serviço de notícias do Vaticano, o News.va &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Também houve uma recente ampliação dos serviços prestados pelo sítio, como uma seção de vídeos e a criação de uma “visita virtual” a diversas basílicas vaticanas, além da Capela Sistina e da Necrópole Vaticana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além do sítio oficial, o Vaticano também criou outros serviços específicos, como a página Pope2You (pope2you.net), lançada em 2009. A intenção de lançar esse sítio foi o de aproximar os jovens à mensagem de Bento XVI, ou a chamada “geração digital”, conforme palavras do próprio pontífice. Foi uma aproximação, mas nada além disso. Na página, os usuários têm acesso a aplicativos para Facebook, iPhone e iPad, para o recebimento de conteúdos religiosos, além de links para a Jornada Mundial da Juventude e para a página do Vaticano no YouTube. O fiel continua apassivado para o sistema, e precisa encontrar brechas em outros ambientes &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;, não oficiais, em que dá vazão à sua construção simbólica do religioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Tecnologia à “nossa imagem e semelhança”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, é preciso superar, por parte da Igreja, uma imagem das mídias meramente como meios a seu dispor para a difusão de uma mensagem, como se a “influência” da tecnologia sobre nossas vidas fosse só um problema no “modo de usar”. Ao contrário, é necessário compreender que toda a tecnologia – incluindo a comunicacional midiática – não é uma “escrava” a serviço do ser humano, nem mero prolongamento, extensão ou magnificação das capacidades humanas. A tecnologia é nossa “irmã” (como diria São Francisco) e nasce à “nossa imagem e semelhança”, da nossa “costela”, depende de nós. E, por isso, também nos molda poderosamente através de uma coevolução cada vez mais intensa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como a Igreja, enquanto instituição hierárquica, em sua organização interna, irá reagir ao longo do tempo a uma cultura do compartilhamento, da instantaneidade, das redes, da fluidez de tempo, espaço e vínculos etc.? Acho que o Wikileaks e as revoluções no Oriente Médio são demonstrações mais do que suficientes de que &lt;strong&gt;a cultura contemporânea é&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;em grande parte&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;o resultado do encontro entre as possibilidades da técnica diante das impossibilidades e limitações da episteme contemporânea&lt;/strong&gt; (social, política, econômica, mas também religiosa). A tentativa de conjugar e resolver essa tensão será cada vez mais forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – A virtualização provoca alguma modificação na vivência da fé?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Moisés Sbardelotto&lt;/strong&gt; – Cremos que apontamos diversos aspectos nas respostas anteriores. Mas a pergunta é válida para debater o conceito de “virtual”, tão disseminado no campo de estudos das mídias digitais. &lt;strong&gt;Virtual é um termo que vem do latim (virtus), no sentido de força, potência, virtude&lt;/strong&gt;. Ou ainda, filosoficamente, &lt;strong&gt;é aquilo que não tem efeito atual (“concreto”), que existe somente em potência&lt;/strong&gt;. Mas essa conceituação não nos possibilita compreender a internet e suas processualidades. A internet pode, sim, ser considerada virtual quando o indivíduo está, por exemplo, descansando no campo, longe de um computador conectado. Nesse momento, ela, para ele, é virtual. Porém, assim que ele a acessa e interage com a rede, ele já a atualiza, a presentifica, poderíamos dizer. Passa-se do virtual ao atual. Por isso, mesmo que a informação da internet esteja “virtualmente presente em cada ponto da rede onde seja pedida”, como afirma &lt;em&gt;Pierre Lévy&lt;/em&gt;, ela se atualiza, fisicamente até, em algum lugar (por exemplo nos mais de 7 mil metros quadrados ocupados pelos quase 2 mil servidores do centro de dados do Google na Califórnia, ou nos mais de 65 mil metros quadrados do centro de dados da Microsoft, em Chicago), em determinado momento, em determinado suporte, deixando assim de ser virtual. A internet em sua virtualidade não é do interesse da comunicação, mas sim a atualização do virtual nas interações e processos comunicativos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, preferimos usar conceitos como digital ou &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; (conectado), mas que também não são sinônimos. Digital é a operação computacional que lida com quantidades numéricas ou informações expressas por algarismos (dígitos), com bits, com “cacos” de informação. Mas os fenômenos aos quais nos referimos aqui não são apenas digitais, mas também &lt;em&gt;onlin&lt;/em&gt;e, ou seja: o acesso do fiel ao “sagrado digitalizado” se dá por meio da internet, em rede, em qualquer ponto do tempo e do espaço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma analogia teológica, para se fazer presente na internet, &lt;strong&gt;o Verbo&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;se torna informação e faz-se bit&lt;/strong&gt;. Mas Deus, segundo a tradição cristã, se faz “carne”, para integrar tudo o que é do ser humano: seus órgãos, seus sentidos, a terra que o envolve. E não apenas o seu DNA. Em bits (o DNA da computação), o Verbo fica impossibilitado de assumir o “homem todo inteiro”, segundo &lt;em&gt;Leonardo Boff&lt;/em&gt; – assim como o DNA não dá conta de toda a complexidade da “carne”. Portanto, na internet - entre fiel, Igreja e Deus - interpõe-se a técnica comunicacional digital, que reduz a bits, a “cacos”, a experiência multissensorial do sagrado. E “os bits fazem com que a matéria seja mais maleável do que os átomos”, como aponta &lt;em&gt;Kerckhove&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nota:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1.- O novo portal do Vaticano, news.va, será apresentado oficialmente nesta segunda-feira, dia 27 de junho, em Roma. (Nota da IHU On-Line).&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1044667597794968208?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1044667597794968208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1044667597794968208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/06/entrevista-moises-sbardelotto.html' title='Entrevista - Moisés Sbardelotto'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2QU2ljdxTSY/TgeUTzJOClI/AAAAAAAAB3I/vC9J4zE5TS4/s72-c/igrejainternet.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-7616878369950931807</id><published>2011-05-15T16:28:00.002-03:00</published><updated>2011-05-15T17:01:47.481-03:00</updated><title type='text'>MANIFESTO PÚBLICO EM APOIO AOS CARMELITAS DE SUCUMBÍOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Publicamos aqui o Manifesto Público das organizações populares e dos movimentos sociais da diocese de Sucumbíos, no Equador, publicado no blog da Igreja de San Miguel de Sucumbíos - ISAMIS, 12-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Organizações populares,&lt;br /&gt;Organizações e movimentos sociais,&lt;br /&gt;Organizações sindicais,&lt;br /&gt;Nacionalidades de Sucumbíos&lt;br /&gt;Organizações não governamentais&lt;br /&gt;E povo da província de Sucumbíos&lt;br /&gt;reunidos na sede do Fondo Ecuatoriano Populorum Progressio - FEPP Regional Lago Agrio, no dia 10 de maio de 2011&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considerando:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, no último dia 30 de outubro, ocorreu no Vicariato de San Miguel de Sucumbíos (ISAMIS) a remoção violenta da Administração dessa Igreja, sem opção para uma transição natural, serena e aberta positivamente ao futuro;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que Dom Gonzalo foi obrigado a sair de maneira violenta desta Igreja e da província em que viveu, trabalhou e sonhou junto com outros atores eclesiais e sociais, uma província com equidade, integração, justiça e paz por mais de 40 anos;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que a administração da Igreja de Sucumbíos foi entregue à Sociedade Virgo Flos Carmeli, pertencente à congregação dos Arautos do Evangelho, organização clerical vinculada ao movimento Tradição, Família e Propriedade, conhecido na América Latina como um movimento ultradireitista e conservador, que se contrapõe totalmente ao modelo de Igreja, e o processo social que foram vivendo na província;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, desde a chegada dos Arautos do Evangelho à província de Sucumbíos, demonstraram atitudes agressivas, desrespeitosas, autoritárias e discriminatórias, o que se agravou nos últimos meses, especialmente na violação de direitos e de segurança de trabalho;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que a presença invasiva dos Arautos do Evangelho na província provocou divisão entre a população, situação nunca antes conhecida, nem nas crises mais profundas ela viveu em sua história, o que constitui um risco público permanente;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que sua prática individualista e individualizante pressupõe uma ameaça ao tecido social da província, devido à sua desvalorização de toda forma de reunião, assembleia e organização em que se possa chegar a acordos e articular os diferentes setores de forma participativa e democrática para enfrentar coletivamente os problemas que mais urgem a província, o que afeta temas de alta sensibilidade como a fronteira, os direitos humanos, o meio ambiente, pondo em risco a segurança construída em anos de esforço na província, porque não são atores neutros;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que sua ideologia machista e patriarcal atenta contra a dignidade e os direitos das mulheres, convertendo-se em uma ameaça para o processo de consolidação dos princípios de igualdade, equidade e dignidade contemplados na Constituição equatoriana e nos tratados internacionais de Direitos Humanos;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, para conseguir seus fins, recorrem ao engano, à mentira, à ameaça, à pressão e ao assédio, tentaram enganar o governo equatoriano suplantando a Assembleia Diocesana de Pastoral para obter o reconhecimento oficial de um Conselho Jurídico à sua medida que atualmente continua sem se legalizar. Da mesma forma distorcida e fora de contexto, eles divulgam textos, testemunhos, fotografias e outros produtos comunicacionais, totalmente alheios à verdade;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, depois de mais de um ano e meio de presença sem a legalização do Conselho Jurídico do Vicariato e de seu Procurador, eles continuam atuando até a nomeação e a legalização do Legado Pontifício, em campos jurídicos, administrativos e financeiros, afetando interesses e direitos de missionários/as e empregados/as do Vicariato;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, por causa da desinformação sistemática promovida pelos Arautos do Evangelho para com as autoridades do Vaticano sobre as ações e a suposta desobediência ao Papa da Igreja de Sucumbíos, dos Padres Carmelitas Descalços e de outras congregações religiosas, o clero local, os Ministérios das comunidades e demais agentes de pastoral e comunidades, essas autoridades ordenaram a saída dos seis missionários Carmelitas Descalços que, em sua maioria, estão há quase 40 anos acompanhando os processos eclesiais e sociais em Sucumbíos;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que, por causa da própria desinformação sistemática promovida pelos Arautos do Evangelho, a maioria dos meios de comunicação locais fizeram eco e permanentemente geraram notícias sem critérios, sem contexto e sem conhecimento nem análise da complexa realidade, desfocando o problema, com o que fomentam a violência, promovem e fortalecem a divisão e o confronto da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frente a todo o exposto sobre a situação que se gerou na província com a sua presença e ação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Responsabilizamos os Arautos do Evangelho pelo conflito que se está vivendo na província, tanto dentro quanto fora da Igreja, e que afeta famílias, comunidades, organizações e a sociedade em seu conjunto por dividir e fomentar o enfrentamento entre os diferentes setores da Igreja e da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rejeitamos as campanhas difamatórias e demais ações contra Dom Gonzalo, os Carmelitas de Sucumbíos, o clero diocesano, os agentes de pastoral, os empregados do Vicariato diversos agentes sociais, o que continua agravando a comoção social interna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Manifestamos nossa dor, inconformidade e desacordo com a decisão do papa de remover da Província os seis sacerdotes missionários da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços, por não corresponder em justiça à verdade e transparência de suas ações e exercício do Ministério durante o tempo que permaneceram em Sucumbíos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Solicitamos respeitosamente que Dom Ángel Polibio Sáanchez, Legado Pontifício para Sucumbíos, entre em comunicação direta e urgente também com a Coordenação da Assembleia Diocesana da ISAMIS e com a Sociedade Civil que a respalda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rejeitamos todas as emissoras, jornais e outros meios que entram nessa linha de comunicação sensacionalista e irresponsável, que atuam em nome de interesses de setores poderosos da província, confundindo a população, elevando os ânimos e contribuindo com o clima de instabilidade social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidimos abrigar-nos nas instalações do Governo Autônomo Descentralizado de Lago Agrio e manter uma presença pacífica permanente nessa nossa Casa Municipal, até a saída dos Arautos do Evangelho da nossa Província de Sucumbíos, sem causar qualquer prejuízo às instalações e ao seu funcionamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Exigimos a intervenção do senhor presidente do Equador, Rafael Correa, e do Governo Nacional, através das diversas pastas do Estado, para agir em defesa dos direitos da população de Sucumbíos que se viram afetados, ordenando a saída dos Arautos do Evangelho da nossa província, o mais rapidamente possível, já que a situação ultrapassou os limites possíveis da tolerância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Aqui, em Teresina, já vi algumas vezes integrantes do movimento Arautos do Evangelho. Sempre que os vejo, observo-os e fico impressionada com suas roupas e posturas. Parecem pertencer a um outro mundo, parecem desconhecer a presença de qualquer pessoas que esteja ao lado, têm modos rudes e secos. Não demonstram ter qualquer sentimento de doçura ou alteridade. Se é um movimento saudável ou se&amp;nbsp;é constituído por&amp;nbsp;boas pessoas, nao parece nem um pouco...muito pelo contrário!! A impressão que dão é que carrregam ódio no coração, ou seja, o diabo no corpo!&amp;nbsp; O Manifesto acima e&amp;nbsp;a notícia abaixo confirmam a impressão que possuo dos infelizes&amp;nbsp;Arautos!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Enoisa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #4c1130;"&gt;&lt;strong&gt;O impasse entre Carmelitas e Arautos do Evangelho em Sucumbíos. Outro episódio&lt;/strong&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color: #4c1130;"&gt;&lt;em&gt;Organizações sociais de Sucumbíos, no Equador, desafiam o Vaticano e não aceitam a saída definitiva dos padres da ordem dos Carmelitas Descalços desta província. Na terça-feira, dezenas de camponeses dos cantões Cascales, Gonzalo Pizarro e Lago Agrio tomaram, durante três horas, a sede municipal deste último cantão, para reiterar que não permitirão a saída dos Carmelitas e a vinda dos Arautos do Evangelho. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;A reportagem está publicada no jornal equatoriano El Universo, 11-05-2011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #4c1130;"&gt;Na semana passada, o Vaticano pediu a saída dos seis sacerdotes carmelitas, para que a congregação dos Arautos pudesse assumir de uma vez por todas. Essa ordem reacendeu o conflito que persiste há seis meses, com a chegada dos Arautos. Nem a nomeação do bispo de Guaranda, Ángel Sánchez, como delegado pontifício para o caso, solucionou o desacordo na comunidade. Em uma assembleia de final de semana, as organizações indígenas do cantão de Cascales, que estão sendo acompanhados há 45 anos pelos Carmelitas, resolveram impedir a entrada dos Arautos em suas comunidades. “Creio que já é hora de tomar decisões, nossas comunidades estão bem ressentidas pelos maus-tratos que fazem aos nossos sacerdotes”, assinalou Pedro Grefa, dirigente da União dos Povos Indígenas de Cascales, que agrupa 22 organizações indígenas. Outros grupos tomaram atitude similar. Os Arautos, por sua vez, guardaram silêncio frente à postura adotada por parte da população.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-7616878369950931807?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7616878369950931807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7616878369950931807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/05/manifesto-publico-em-apoio-aos.html' title='MANIFESTO PÚBLICO EM APOIO AOS CARMELITAS DE SUCUMBÍOS'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-951101966813483000</id><published>2011-05-15T16:02:00.000-03:00</published><updated>2011-05-15T16:02:14.682-03:00</updated><title type='text'>Leonardo Boff</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Fez-se vingança, não justiça&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém precisa ser inimigo de si mesmo e contrário aos valores humanitários mínimos se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado ele mesmo num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do pais. Fez mais, conduziu duas guerras, contra o Afeganistão e contra o Irã, onde devastou uma das culturas mais antigas da humanidade nas qual foram mortos mais de cem mil pessoas e mais de um milhão de deslocados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman de Melbourne Beach da Flórida que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente:"Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano, "As veias abertas da América Latina", para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligiência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos "Blowback" (retaliação) onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao su esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barak Obama, como se fosse um "deus" determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de "não matar" e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque,com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se sequestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável."Minha é a vingança" diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E &lt;strong&gt;a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-951101966813483000?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/951101966813483000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/951101966813483000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/05/leonardo-boff.html' title='Leonardo Boff'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-3518523693951201165</id><published>2011-03-29T21:09:00.001-03:00</published><updated>2011-03-29T21:10:24.753-03:00</updated><title type='text'>Morre José Comblin</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=41800"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;José Comblin&lt;/span&gt; morreu nesta madrugada, em Salvador, na Bahia, aos 88 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Padre &lt;strong&gt;Comblin&lt;/strong&gt; estava hospedado na comunidade Recanto da Transfiguração, em &lt;strong&gt;Simões Filho&lt;/strong&gt; (BA), em tratamento de saúde, quando sofreu um ataque cardíaco.&amp;nbsp;Foi encontrado morto, sentado, em seu quarto, quando era esperado para a oração da manhã e não apareceu na capela. Ele tinha problemas cardíacos e usava marcapasso. Apesar da doença, parecia bem disposto e estava trabalhando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele nasceu no dia 22 de março de 1923, na Bélgica. Desde 1958 trabalhava no Brasil, especialmente em Pernambuco, na Paraíba e na Bahia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele veio para o Brasil em 1958, atendendo a apelo do papa &lt;strong&gt;Pio XII&lt;/strong&gt;, que no documento &lt;strong&gt;Fidei donum&lt;/strong&gt; (O Dom da Fé) pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de trabalhar em Campinas e, em seguida, passar uma temporada no Chile, foi para Pernambuco, em 1964, quando d. &lt;strong&gt;Helder Câmara&lt;/strong&gt; foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, foi detido e deportado, em 1972, ao desembarcar no aeroporto de volta de uma viagem à Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img align="left" alt="" border="5" height="289" hspace="5" src="http://vitalvereador.files.wordpress.com/2010/10/dom-helder-70-anos-de-jose-comblin.jpg?w=400&amp;amp;h=299" vspace="5" width="387" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele foi um dos importantes assessores de D. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Hélder Câmara &lt;/span&gt;e um dos maiores teólogos em atividade no Brasil. Deixa uma vasta e importante obra teológica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Comblin&lt;/strong&gt; esteve aqui no &lt;strong&gt;Instituto Humanitas Unisinos - IHU&lt;/strong&gt;, participando do Ciclo de Estudos &lt;strong&gt;De Medellín a Aparecida: marcos, trajetórias e perspectivas da Igreja Latino-Americana &lt;/strong&gt;que celebrou os 40 anos da realização da Assembleia Geral do Episcopado Latino-Americano em &lt;strong&gt;Medellín&lt;/strong&gt;. Ele foi um dos assessores deste grande evento da Igreja latino-americana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conferência proferida naquela ocasião,&amp;nbsp;foi publicada nos &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/uploads/publicacoes/edicoes/1216295965.3603pdf.pdf"&gt;&lt;strong&gt;Cadernos Teologia Pública&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, no. 36.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste evento, também foi exibido o belo documentário &lt;strong&gt;Hélder Câmara. Um santo rebelde&lt;/strong&gt;. Após a exibição do filme, padre &lt;strong&gt;Comblin&lt;/strong&gt;, um dos entrevistados pela diretora do documentário, comentou o filme, questionando o título ’santo rebelde’. Segundo &lt;strong&gt;Comblin&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;D. Hélder&lt;/strong&gt; era santo, mas não rebelde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na oportunidade, em 2008, muito disposto, concedeu uma longa entrevista sobre a sua trajetória de vida. A entrevista foi publicada pela revista &lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt;. A entrevista pode ser acessada &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=14754"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;José Comblin&lt;/strong&gt; participou&amp;nbsp;do primeiro grupo da &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt;. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em &lt;strong&gt;Pernambuco&lt;/strong&gt; e na &lt;strong&gt;Paraíba&lt;/strong&gt; (1969), do seminário rural de &lt;strong&gt;Talca&lt;/strong&gt;, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em &lt;strong&gt;Serra Redonda&lt;/strong&gt; (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada &lt;strong&gt;Teologia da enxada&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, esteve na origem da criação dos &lt;strong&gt;Missionários do Campo&lt;/strong&gt; (1981), das &lt;strong&gt;Missionárias do Meio Popular&lt;/strong&gt; (1986), dos &lt;strong&gt;Missionários formados em Juazeiro da Bahia&lt;/strong&gt; (1989), na &lt;strong&gt;Paraíba&lt;/strong&gt; (1994) e em &lt;strong&gt;Tocantins&lt;/strong&gt; (1997). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É autor de inúmeros livros, dentre eles &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-3518523693951201165?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3518523693951201165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3518523693951201165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/03/morre-jose-comblin.html' title='Morre José Comblin'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1349016009232110167</id><published>2011-03-08T16:37:00.000-03:00</published><updated>2011-03-08T16:37:41.205-03:00</updated><title type='text'>Monge Enzo Bianchi</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Uma eremita incômoda, amável e incisiva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, publicado no jornal La Stampa, 05-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A publicação, a poucas semanas da morte de &lt;strong&gt;Adriana Zarri&lt;/strong&gt;, do seu &lt;em&gt;Un eremo non è un guscio di lumaca&lt;/em&gt; [Um ermitério não é uma concha de caracol] (Ed. Einaudi) é a ocasião para fazer memória dessa cristã incômoda, que soube fazer da sua própria existência uma voz aguda e clara na Igreja dos últimos 60 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo mantido com ela muitos intercâmbios, principalmente nos anos 60 e no início dos anos 80 do século passado, desejo testemunhar sobretudo a sua qualidade de mulher cristã que soube viver a pobreza evangélica em uma vida sóbria, sem luxo nem acúmulo de bens. Para sustentar-se, sempre se confiou ao seu trabalho – que certamente não lhe permitia confortos – e à amizade de quem lhe ajudava na gratuidade a manter a sua casa bela e acolhedora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sua existência foi a de uma "eremita" ainda antes de obter uma residência solitária: a sua incapacidade de viver em uma comunidade vinha-lhe de um caráter de grande autonomia, de uma distinta singularidade que tornavam difícil a convivência cotidiana. Quando, no início dos anos 70, esboçou uma tentativa de vida comum com um padre de profunda espiritualidade e profecia, a ideia naufragou antes ainda de tomar forma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simplesmente, a solidão era necessária a &lt;strong&gt;Adriana&lt;/strong&gt;, para "viver dentro", segundo as suas palavras, para ser ela mesma no face a face com &lt;strong&gt;Deus&lt;/strong&gt; e com o mundo: a solidão era o seu modo de se sentir em comunhão com os outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos longos anos que viveu não longe do meu mosteiro – em Albiano primeiro e depois em Crotte –, não faltaram as ocasiões de encontro das quais surgiam a sua paixão para uma Igreja fiel ao Evangelho e a sua lucidez crítica. Não nego que, mesmo nutrindo um grande respeito pela sua qualidade cristã, não compartilhei muitas das suas posições, e a franqueza recíproca nos levou também a trocas verdadeiramente vivazes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era principalmente a diferente sensibilidade eclesial que provocava atritos: o nosso modo de viver na Igreja e de criticar a não evangelicidade de cristãos e de instituições tinham timbres e acentos às vezes profundamente dissonantes. A consciência da sua "anomalia" de ser mulher e teóloga a levava a expressar instâncias às vezes polêmicas, como os seus amados gatos, outras vezes meigas, como um fio de erva; levava-a a batalhas de vanguarda e a saída inoportunas. Mas a sua vida e a sua pessoas, tão ricas de inteligência e de sensibilidade cristã autêntica, merecem um grande respeito e uma escuta livre de preconceitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Costumou-se celebrar as pessoas mortas só com elogios quando se compartilha tudo o que fizeram e disseram. Senão, prefere-se o silêncio. Acredito, ao contrário, que a Igreja é uma comunidade plural e que os caminhos para viver o Evangelho em seu interior são diferentes: o que me leva ao silêncio não são, portanto, as divergências ou as posições que eu sinto como contraditórias às minhas, mas sim as &lt;strong&gt;atitudes de quem não se protege do "fermento dos fariseus", a hipocrisia&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desse fermento, &lt;strong&gt;Adriana Zarri&lt;/strong&gt; sempre se afastou, e por isso faço memória dela com muito gosto! O seu livro, que às páginas mais antigas acrescentou outras, não menos ásperas e críticas, contem todo o mundo de &lt;strong&gt;Adriana&lt;/strong&gt;, as suas expectativas e as suas desilusões, a indignação e as esperanças... Justamente por isso, revela ainda hoje uma alma que sempre aspirou a ser cristã e desejou uma Igreja digna do seu Senhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1349016009232110167?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1349016009232110167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1349016009232110167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/03/monge-enzo-bianchi.html' title='Monge Enzo Bianchi'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-4595228326822735663</id><published>2011-03-08T15:35:00.004-03:00</published><updated>2011-03-08T16:14:03.144-03:00</updated><title type='text'>Louis A. Ruprecht Jr.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Aos 96 anos, morre o confessor de Thomas Merton&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Artigo&amp;nbsp;de Louis A. Ruprecht Jr., professor da cátedra William M. Suttles de Estudos Religiosos da Georgia State University, em Atlanta, nos EUA, e pesquisador visitante da cátedra Stanley J. Seeger do Programa de Estudos Helênicos da Universidade de Princeton, publicado no sítio Religion Dispatches, 24-02-2011, com tradução é de Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Louis disse a Delia: 'Essa é a parte triste da vida. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam'. Os anjos a reservaram.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Josh Ritter, em Bloodbath Folk&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam". Essa é a frase que, de repente, me veio à mente quando eu soube que o &lt;strong&gt;Padre Matthew Kelty&lt;/strong&gt; deixou este mundo em paz, ao meio-dia do dia 18 de fevereiro. Essa é uma grande perda para aqueles dentre nós que chegaram recentemente, e nem tão recentemente, e eu queria tentar explicar porque eu penso isso. Esse notável monge passou 50 anos dentro e fora da Abadia de Gethsemani, no Kentucky, onde ele havia sido o último confessor que &lt;strong&gt;Thomas Merton&lt;/strong&gt; teve. E, como se isso não bastasse para garantir uma discussão mais aprofundada, ele também era um padre gay que "saiu do armário" em um de seus ensaios mais eloquentes na maturidade dos 90 anos. Não veremos novamente tipos de monges como esse tão cedo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A história do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; não é tão conhecida como merece ser, em grande parte porque sua história foi tão profundamente entrelaçada com a história de &lt;strong&gt;Thomas Merton&lt;/strong&gt; (1915-1968), sem dúvida o monge mais famoso que a Abadia de Gethsemani e o catolicismo norte-americano já produziram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; não era nem famoso nem se autopromovia, e é isso que torna tão eloquentes e tão dignos da nossa audiência os traços líricos das notas que ele produziu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ambos me parecem ser agora o produto de uma era e de um tempo diferentes e, mais especificamente, ambos eram o resultado de uma forma diferente de habitar o tempo – uma forma monástica, poética e, finalmente, bastante silenciosa. Ambos cresceram nos Estados Unidos do pós-guerra, e ambos estavam intimamente envolvidos na vasta experiência do pensamento cultural que associamos com os anos 60: as tentativas de reimaginar raça, sexo, nação e religião. Precisamos de suas vozes e precisamos nos lembrar da existência de tais vozes contra a cacofonia cultural de fundo dos nossos dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Kelty via Merton&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que vou estar em consonância com a quieta humildade do &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; se usar &lt;strong&gt;Thomas Merton&lt;/strong&gt; para ajudar a contar a sua história – &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;, o talentoso escritor e adepto espiritual que foi responsável, dentre outras coisas, pela introdução de um público norte-americano para as formas novas e mais místicas de imaginar o evangelho cristão, para o significado do monaquismo e do silêncio, para a profunda relação entre criatividade artística e vida espiritual, para a necessidade do pacifismo em um mundo em guerra, e até mesmo para as virtudes e as sutilezas do Zen budismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O início da vida de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; não foi fácil. Seus pais, ambos artistas, estavam vivendo na França quando &lt;strong&gt;Thomas Merton&lt;/strong&gt; nasceu. Forçado a fugir da violência iminente da Primeira Guerra Mundial, eles navegaram para Nova York e se estabeleceram em Long Island, onde sobreviveram durante a Grande Guerra com sua família ampliada. A mãe de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; morreu em 1921, quando ele tinha apenas seis anos de idade. Seu pai o abandonou no ano seguinte, em busca de um romance improvável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jovem homem precoce se instalou em uma escola francesa por alguns anos, voltando a viver com seu pai até que o artista faleceu, três anos depois, devido a um tumor cerebral. &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; tinha apenas 16 anos quando ficou órfão. Ele viajou extensivamente pela Europa, vagou durante algum tempo, e então passou dois anos no Clare College, em Cambridge, antes de se transferir para a Universidade de Columbia, onde se graduou em 1938 com uma licenciatura em língua inglesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora as sementes para isso foram claramente plantadas em 1933, quando ele fez uma visita decisiva a Roma, &lt;strong&gt;Thomas Merton&lt;/strong&gt;, um pouco surpreendentemente, se converteu ao catolicismo romano em novembro de 1938. Menos de dois anos depois, durante a época da Páscoa de 1941, ele fez um retiro na Abadia de Nossa Senhora do Gethsemani, no Kentucky, um refúgio beneditino de vários andares, fundado em 1846 e situado em um vale deslumbrante a menos de 20 milhas da casa natal e da fazenda da infância de Abraham Lincoln. &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; foi aceito como peticionário na Abadia de Gethsemani em dezembro do mesmo ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assumindo o nome de &lt;strong&gt;Padre Louis&lt;/strong&gt; e os necessários votos trapistas de obediência silenciosa, &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; colocou sua voz surpreendente e seus vastos poderes artísticos na imprensa, tornando-se assim o mais público dos eremitas e o mais prolífico escritor que o catolicismo norte-americano já produziu. Mas &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; estava sempre inquieto, agitado. Nunca estava – não se pode deixar de sentir – muito contente. Ele pensava na ideia de deixar Gethsemani e, eventualmente, deixar também a vida monástica, não muito tempo depois de ser arrebatado por um caso amoroso com uma enfermeira local de 25 anos, Margie Smith. O caráter dessa jovem fica claro a partir de um único detalhe que o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; me transmitiu: nas longas décadas posteriores à morte de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;, ela nunca disse uma palavra pública sobre o seu relacionamento. Havia um brilho em seus olhos quando ele disse isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo sido proibido de manter um contato maior com a sua amante, &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; recebeu a permissão de deixar a abadia para uma viagem ao Extremo Oriente na primavera de 1968. Seu principal objetivo era dar uma palestra em Bangkok sobre monaquismo e misticismo comparativo, mas havia muito mais nessa viagem do que isso, como revelam os seus diários publicados hoje. Ele explorou uma grande variedade de possíveis novos eremitérios ao longo do caminho, teve várias audiências com Sua Santidade o Dalai Lama e visitou as monumentais estátuas budistas no Sri Lanka – elas seriam a inspiração para o que viria a ser a sua visão artística e mística final. Então, quase tão misteriosamente quanto aquele sorriso de Buda, &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; foi embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claramente exausto, ele teve um desempenho bastante pobre em Bangkok e, então, antes de se retirar ao seu quarto para tirar uma soneca, ele expressou o que viriam a ser as suas últimas palavras públicas: "&lt;em&gt;Agora eu vou desaparecer&lt;/em&gt;". Ele voltou ao seu quarto e morreu eletrocutado durante seu banho. Seu corpo foi enviado aos Estados Unidos em um avião de carga que transportava as baixas norte-americanas da guerra nessa mesma região – da qual ele tinha sido um crítico especialmente direto e eloquente. O &lt;strong&gt;Pe. Louis&lt;/strong&gt; foi enterrado em uma sepultura simples ao lado do mosteiro, com vista para as colinas que ele versejava tão comoventemente em muitos de seus melhores livros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Um amigo e colega&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O monge que atuou como confessor de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; nesses anos finais e tumultuosos em Gethsemani era um colega monge da sua mesma idade: o &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; sabia que algo estava acontecendo com o seu conturbado amigo e manifestou o sentimento profundo de que, no dia da sua partida, quando o &lt;strong&gt;Pe. Louis&lt;/strong&gt; optou por se afastar do mosteiro nas primeiras horas da manhã sem dizer adeus a ninguém, ele provavelmente não veria o seu amigo de novo. E ele não veria, é claro. "&lt;em&gt;Essa é a parte triste da vida&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse detalhe capta muito bem a graça silenciosa e tolerante do &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; e o serviço que ele ofereceu durante todas as longas quatro décadas sem &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;. Ele entendeu muitas coisas sobre esse homem, especialmente as atitudes e os comportamentos que ele não necessariamente compartilhava. Ele nunca precisou fazer amizades nem cultivar colegas de trabalho, preferindo permitir que os outros se tornassem imagens mais puras de si mesmos, sem pressioná-los à idolatria de sua própria imagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao lidar com um amigo e companheiro, cujo espírito era muito mais conturbado e muito mais discordante do que o seu, o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; apenas ouvia, meditava, rezava e nunca deixava de oferecer uma palavra oportuna de conforto. Ele era dono de si e conhecia a sua própria mente, mas, a partir dessa silenciosa calma e firmeza de propósito, ele era capaz de analisar um mundo mais amplo e mais instável de formas humanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido e batizado como &lt;strong&gt;Charles Richard Kelty Jr&lt;/strong&gt;., em South Boston (em 1915, assim como &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;), seus pais não eram artistas. Seu pai era um engenheiro e maquinista de Nova Jersey. Ele foi sem dúvida o mais precoce dos seus três irmãos. Foi educado em escolas públicas de Milton, Massachusetts, onde, por sua própria confissão, adquiriu o seu vitalício gosto pela poesia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outras palavras, ao contrário de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;, a arte não se insinuou a ele. Ele se aproximou dela e tomou gosto dela naturalmente. Ao ver o currículo monástico do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt;, não podemos deixar de ficar impressionados com o estranho contraste entre esses dois homens – a energia impaciente e a profunda infelicidade do &lt;strong&gt;Pe. Louis&lt;/strong&gt;, e o fácil contentamento e a graça silenciosa do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; conhecia um verdadeiro poeta quando via um, e deu a &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; uma amizade e uma compreensão favorável, das quais que não se pode deixar de sentir uma necessidade desesperada em seus últimos anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Santos e discípulos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; era assim: seu próprio espírito parecia brilhar mais intensamente em seu próprio ambiente. Não existem santos sem seus discípulos mais verdadeiros, nem poetas sem seus leitores honestos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Charles Kelty&lt;/strong&gt; estudou no Seminário da Sociedade do Verbo Divino - SVD em Techny, Illinois, e foi ordenado sacerdote, assumindo o nome de &lt;strong&gt;Matthew&lt;/strong&gt;, em agosto de 1946. Mas ele serviu à Igreja de muitas outras formas ao longo dos próximos 15 anos, antes de ir para Gethsemani.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, ele serviu nas missões dos padres verbitas em Papua Nova Guiné (1947-1951), depois voltou para a sede da SVD em Techny, Illinois (1951-1960). Ele foi aceito para a comunidade da Abadia de Gethsemani em fevereiro de 1960 e fez os votos de Obediência Estrita em 1962.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma reviravolta curiosa e até mesmo poética, o &lt;strong&gt;Pe. Louis&lt;/strong&gt; foi designado para ser o diretor espiritual dos novos iniciados em 1960, e por isso teve uma influência direta sobre a consequente adoção do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; das restrições da abadia. Esse aspecto de entrelaçamento de suas vidas monásticas é curioso: &lt;strong&gt;Louis&lt;/strong&gt; chega cedo, &lt;strong&gt;Matthew&lt;/strong&gt; chega tarde; &lt;strong&gt;Louis&lt;/strong&gt; sai mais cedo, &lt;strong&gt;Matthew&lt;/strong&gt; fica por mais tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"As pessoas sempre vão embora enquanto outras chegam"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; recordava de sua primeira formação monástica era a maneira que &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; incentivava os novos monges a encontrar suas próprias formas de expressão artística, sob qualquer forma, assim como ele próprio havia encontrado na palavra escrita. A criatividade – espiritual e outras – deveria ser a palavra de ordem em Gethsemani. E até mesmo uma passada rápida hoje na loja da abadia demonstra como muitos dos monges assumiram o chamado de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; à criatividade nas artes visual e escrita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; não foi uma exceção, embora tenha alcançado a sua criatividade mais lentamente do que a maioria. Como &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;, ele deixou Gethsemani por um tempo. Ao contrário de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;, ele sempre teve a intenção de voltar. Ele passou três anos (1970-1973) junto a uma pequena comunidade cistercense em Oxford, na Carolina do Norte, e depois mais nove anos (1973-1982) novamente em Papua Nova Guiné como um solitário. Depois, voltou para casa, em Gethsemani.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi aí que a sua vida se tornou a sua obra-prima. O &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; voltou-se para o ofício da homilia dominical, muitas das quais ele filmou e postou online no final de sua vida (disponíveis&lt;a href="http://www.bardstown.com/~brchrys/homilies/"&gt; &lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, em inglês). Sua maneira de celebrar a Eucaristia era justamente isto: uma celebração ritual, um evento teatral cuja gravidade artística nunca estava longe do seu desejo. Elas estão entre as suas criações artísticas semanais mais emocionantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; também se voltou para a palavra escrita. Sua correspondência pessoal tem a qualidade de um poema, em que as palavras descobrem uma delicadeza que às vezes não tinham nas mãos menos calejadas de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;. O &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; também escreveu um livro. Mas as suas razões para fazê-lo foram muito menos pessoais do que as de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;. Elas foram, na falta de um termo melhor, políticas. O &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; publicou uma coleção de homilias e de ensaios espiritual intitulada &lt;em&gt;My Song is of Mercy&lt;/em&gt; (editada por Michael Downey) em 1994.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Sexo não é problema. O amor é que é"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trecho mais surpreendente e um dos mais comoventes nesse livro o epílogo, intitulado &lt;em&gt;O celibato e o dom dos gays&lt;/em&gt;. O &lt;strong&gt;Pe. Matthew Kelty&lt;/strong&gt; decidiu, em antecipação ao seu 90º aniversário, "tirar do armário" a sua própria personalidade monástica e, assim, tentar descrever que dons os cristãos gays e lésbicas têm para contribuir com a complexa tapeçaria da comunhão cristã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele fez isso porque sentiu uma responsabilidade para com os "menores dentre nós", que não estavam percorrendo um caminho de aceitação como muitos esperavam no final dos anos 60 e no início dos anos 70. Mas também é possível ouvir mais do que um sutil eco a partir do que &lt;strong&gt;Matthew&lt;/strong&gt; aprendeu com o tormento heterossexual de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Continua sendo verdade que, dado o nosso clima nacional, vai demorar um pouco para deixar o amor livre. E, depois, para deixar o amor crescer, mais profundamente, mais grandemente, mais amplamente&lt;/em&gt;. (...) &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;É por isso que tantos heterossexuais abandonam o celibato depois de uma década ou duas: eles não conseguem lidar com ele: eles precisam de uma mulher externa para despertar o 'eu' interior, especialmente em nossa cultura. Talvez, com um 'eu' menos dividido, eles sejam melhores...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E como aqueles que tendem a se inquietar vão se inquietar aqui com relação ao sexo, a resposta é simples: o sexo não é problema. O amor é que é. Onde não há amor, você pode esperar que o sexo surja. Todos os homens querem amor, também os celibatários. O sexo pode ser uma forma de amar, mas é absurdo dizer: não sexo é não amor, tão absurdo quanto dizer que sexo é amor.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Um sacerdócio e comunidade celibatários são uma graça para a Igreja, uma música do Reino (onde não haverá casamento, mas todos serão como um todo) e uma alegria para todos os que nele estão. Não há ninguém mais chamado a isso, mais capaz disso, mais criado para isso do que as pessoas que chamamos de gays. Eles iniciam, desde o primeiro dia, um processo de integração que os outros não têm sequer ideia antes dos 40 anos. Abençoados sejam!&lt;/em&gt; (&lt;strong&gt;My Song is of Mercy&lt;/strong&gt;, p.258-259).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, ele escreveu para outros, nunca para si mesmo. Mesmo nesta, a mais pessoal das confissões espirituais, o assunto não foi o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt;. Foi a humanidade, o mundo, a Igreja, o seu abraço compassivo, surpreendente e envolvente da Criação, da qual ele via a si mesmo como uma parte indelével.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; fez um forte lobby para obter a permissão de viver levemente distante de sua comunidade, em um pequeno eremitério na subida da colina a partir de Gethsemani – alguns monges se ressentiriam pelo fato de que a súplica especial e o tratamento especial de &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; eram inevitáveis. Mas o &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; nunca fez isso. Ao invés disso, ele creditou a &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; o fato de que o seu pensamento e o de seus colegas monges se voltaram para os valores centrais do misticismo e da solidão. Só dessa forma é que o monge pode encontrar o amor divino em que o celibato faz sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembremo-nos da visão central que tornou possível a sua própria vida monástica: "&lt;em&gt;O sexo não é problema. O amor é que é&lt;/em&gt;". Essa foi, sem dúvida, a sua percepção mais distintiva, que ele não deve a &lt;strong&gt;Merton&lt;/strong&gt; (salvo como um contraexemplo), mas que era totalmente do próprio &lt;strong&gt;Matthew&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A questão do celibato é discutida frequentemente em um nível muito superficial, e certamente isso acontece quando o nível místico é posto de lado. Fazer isso é reduzir o celibato a um ato de coragem que [...] pode terminar apenas arruinando a pessoa. O celibato sem um caso de amor profundo é um desastre. Não é nem mesmo celibato. É só não estar casado. E o mundo já tem o suficiente dessas pessoas, casadas ou não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sexo não é problema. O amor é que é. Por isso, o celibato é perversamente mal interpretado se for imaginado como uma vida não casada sem sexo. Isso apenas reinscreve as obsessões sexuais dos nossos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celibato é um caso de amor – um caso de amor com Deus. É isto o que se apreende do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt;: o seu amor tranquilo, embora às vezes avassalador, por Deus. Ele foi infundido com ele, e brotava dele em cada homilia, em cada carta, em cada olhar sorridente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua oração mais comum era uma oração pela paz. Sua orientação espiritual fundamental era para a eterna misericórdia, misericórdia que ele cantou como uma canção e viveu como um caso de amor. E, assim como o catolicismo norte-americano continua repensando a sua relação com Roma e o seu futuro cultural em tempos de ataque, é ainda mais importante lembrarmos que vozes como a do &lt;strong&gt;Pe. Matthew&lt;/strong&gt; existiram na Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-4595228326822735663?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/4595228326822735663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/4595228326822735663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/03/louis-ruprecht-jr.html' title='Louis A. Ruprecht Jr.'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-533612259399467612</id><published>2011-02-20T21:58:00.001-03:00</published><updated>2011-02-20T21:59:49.573-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - João Batista Libânio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Igreja Católica mergulha em longo processo neoconservador&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Recentemente, teólogos e teólogas alemâes, suíços e austríacos lançaram um manifesto propondo reformas para a Igreja em 2011. A convite da IHU On-Line, o teólogo João Batista Libânio&amp;nbsp; leu o documento e analisou as propostas, concedendo por e-mail a entrevista a seguir. Libânio é padre jesuíta, escritor e teólogo. É doutor em Teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) de Roma. Atualmente, leciona na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e é Membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais. É autor de inúmeros livros, dentre os quais Teologia da revelação a partir da Modernidade (5. ed. Rio de Janeiro: Loyola, 2005), Qual o caminho entre o crer e o amar? (2. ed. São Paulo: Paulus, 2005) e Qual o futuro do Cristianismo? (2. ed. São Paulo: Paulus, 2008).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=10&amp;amp;noticiaId=1770"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;CEBI&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Qual sua reação ao manifesto que propõe reformas para a Igreja em 2011, elaborado por teólogos alemães, suíços e austríacos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Impressiona, logo à primeira vista, o conjunto de assinaturas de teólogos da mais alta competência e responsabilidade. Portanto, não subscreveriam nenhum manifesto superficial, imprudente. Concordemos ou não com as proposições, ele merece séria consideração e detida atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Parte do inegável mal-estar que afetou não só a Igreja Católica alemã e de alguns países por causa do escândalo da pedofilia, mas de toda a Igreja por ver-se nele a ponta de um iceberg de maior amplitude: a falta de liberdade e de transparência no interior da Igreja devido ao cerceamento das instâncias de poder eclesiástico. Por isso, o manifesto bate forte na tecla das estruturas de governo da Igreja Católica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - A partir da sua trajetória sacerdotal, o senhor também concorda que a Igreja precisa ser reformada? Quais seriam as reformas urgentes?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Os anos me permitem perceber três nítidos momentos no processo eclesiástico das últimas décadas. Ainda conheci estruturas hieráticas no pontificado de Pio XII, que lançava a imagem do poder eclesiástico onisciente e onipotente. Roma pronunciava-se sobre os mais diversos assuntos e com a consciência de dizer verdades inquestionáveis. Não se percebia sinal de dúvida ou perplexidade. Isso acontecia com duplo efeito. Positivamente, oferecia aos católicos fieis enorme segurança sobre temas desde a astronomia até a intimidade da vida conjugal. Para aqueles que já tinham recebido o impacto da modernidade liberal, democrática, marcada pela subjetividade, autonomia das pessoas, consciência história, práxis transformadora, tais declarações romanas produziam enormes dificuldades e mal-estar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Veio então João XXIII. Convoca o Concílio Vaticano II que inicia, com certa coragem, o diálogo da Igreja com a modernidade. Usando a imagem da música "andante ma non troppo", a Igreja caminha em direção ao repensamento doutrinal e pastoral, provocado pelos questionamentos teóricos e práticos levantados nos últimos séculos. No entanto, o tempo de aggiornamento não durou muito. Já no próprio Pontificado de Paulo VI, a partir de 1968, despontam sinais de contenção e retrocesso. E depois a Igreja Católica mergulha em longo processo neoconservador que dura até hoje. As inovações iniciadas no Vaticano II se interromperam e outras não surgiram, exceto em um ou outro gesto ousado de João Paulo II, como a Oração pela Paz em Assis com os líderes das diferentes religiões do mundo. Ainda que o clima geral não fala de abertura, entretanto percebe-se-lhe a necessidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O manifesto também propõe uma reconversão da Igreja. O que o senhor entende por esta proposta?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - A Igreja tem a enorme graça de pôr como referência última, principal, insuperável a pessoa de Jesus Cristo. E quanto mais se conhece o Jesus histórico, mais se percebe a força revolucionária de sua pessoa. Ele não deixa nenhuma estrutura esclerosar-se, sem que lhe seja acicate de mudança. Menciono de passagem o maravilhoso livro de J. Pagola, Jesus: aproximação histórica(Petrópolis: Vozes, 2010), que nos descreve e narra um Jesus colado à realidade no projeto maior de devolver às pessoas a dignidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante dessa figura de Jesus, muitas estruturas eclesiásticas sofrem terrível crítica. A partir dele, cabe falar de contínua reconversão da Igreja. Basta comparar a figura de Jesus andarilho, de Pedro pescador e crucificado em Roma com certas aparências poderosas clericais para ver a gigantesca distância e a força crítica de Jesus. Santo Inácio de Loyola apostava na força de conversão da contemplação dos mistérios de Jesus. Isso vale em nível pessoal, comunitário e eclesiástico. Em confronto com a pessoa de Jesus, a Igreja se vê questionada continuamente a assumir formas de humildade, simplicidade, pobreza, abandonando o luxo, o esplendor, a arrogância triunfante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O manifesto diz ainda que somente através de uma comunicação aberta a Igreja pode reconquistar confiança. Em que consistiria uma comunicação aberta com a sociedade? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Só existe comunicação aberta se se abrem canais de entrada e saída. De entrada nos recônditos dos segredos, nas manipulações e jogadas maquiavélicas, nas tramas urdidas na noite do anonimato. Existe limite difícil de ser traçado do direito ao sigilo de consciência, de reputação das pessoas e comunicação transparente. Portanto, não se trata de questão fácil. Entre os extremos da cultura Big Brother - da total e perversa transparência - e dos sigilos cabalísticos de verdades a que os fiéis têm direito de conhecer, existe um meio termo de clareza e de possibilidade de acesso. O canal de saída refere-se à liberdade de expressão das pessoas no interior da Igreja a respeito da vida da Igreja. No embate da discussão encontram-se melhores caminhos que na proibição da mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - É possível a Igreja romper com tradições, se renovar sem perder seus princípios básicos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Não se trata nem de romper nem de engessar a Tradição, ou mais corretamente as tradições. Na polêmica com&amp;nbsp; Mqr. Lefevre, que defendia a literalidade da Tradição e das tradições, Paulo VI insistia na necessidade de interpretá-la (s). Eis a questão! Os princípios permanecem no nível universal, abstrato. Importa ver como eles são entendidos nas situações concretas. E aí está o problema. O trabalho interpretativo tem exigências. Implica esforço da inteligência de captar três coisas. O significado da questão no contexto primeiro em que ela foi formulada e respondida. Esta mesma questão como se entende hoje. E, então, como o significado de ontem se reinterpreta para hoje. Por exemplo, a usura, cobrar mais do que se emprestava, até o nascimento do capitalismo se considerava roubo, portanto eticamente condenável. Hoje, ela se chama juros e ninguém os considera imorais. Então, como se fez a transposição de um princípio ético no pré-capitalismo para o capitalismo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa economia estável sem circulação monetária parecia injusto receber mais do que se emprestava. Nisso consistia a injustiça. Numa sociedade em que o dinheiro se tornou fonte de renda, se considera injustiça só quando as taxas de juros superam de muito a força de rentabilidade. Recebe o nome de agiotagem. Mas cobrar taxas razoáveis não contradiz o princípio ético pré-capitalista no significado, embora materialmente pareça opor-se a ele (usura). Problemas semelhantes se levantam em muitos campos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O documento também chama a atenção para a necessidade de reconhecer a liberdade de consciência individual, referindo-se também a opção sexual dos indivíduos. Entretanto, observa que "a alta consideração da Igreja pelo matrimônio e pela força de vida sem matrimônio está fora de discussão". Parece algo contraditório?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - A consideração anterior que fiz no campo das finanças vale no campo da sexualidade. Os ensinamentos morais da Igreja sobre o matrimônio permanecem válidos na linha dos princípios. E cabe perguntar-nos pelo seu significado profundo que diz respeito à dignidade humana, ao respeito das relações afetivas. Que significam o respeito e a dignidade nas relações humanas na união homoafetiva ? Não se responde em abstrato, mas a partir das experiências que se fazem no concreto da vida. Tanto nas relações matrimoniais como nas homoafetivas existem tanto dignidade, respeito como o oposto. E as considerações éticas descem ao concreto de tais relações para aí interpretar o princípio fundamental da dignidade humana, do respeito entre as pessoas, o projeto de amor de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O que significam os casos de pedofilia na Igreja?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Revelam a face pecadora dos homens e mulheres de Igreja em todos os níveis: do simples fiel até pessoas da alta hierarquia. Em face do pecado, cabem, em primeiro lugar, a conversão e o perdão de Deus. Quando o direito de outras pessoas é lesado, como no caso da pedofilia que fere gravemente a criança envolvida, entram fatores de reparação desde a econômica até a judicial. Nada justifica o ocultamento, mas importa tomar as medidas concretas para evitar outros casos, sanear o acontecido, reparar o estrago feito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, não tem sentido entrar no sensacionalismo da mídia. Está em jogo algo sério demais para ser simplesmente assunto de folha policial em ocasião para jogar pedras na Igreja. Não se pensa em acabar com a família, embora nela aconteça a imensa maioria dos casos de pedofilia. A mesma mídia que divulga, "escandalizada" casos de pedofilia, termina sendo uma das causas importantes da decadência moral da sociedade com a enxurrada de programas de banalização do amor, de sexualização das crianças, de exibicionismo e voyeurismo sexual, da perda de senso de responsabilidade social. A luta contra a pedofilia exige programa complexo de purificação das fantasias, de presença maior de educação sadia, de melhoria de cultura veiculada pela mídia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Quais são as perspectivas e os desafios da Igreja para esta segunda década do século XXI?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Distingamos os níveis. No momento, em nível das estruturas internas da Igreja não se veem perspectivas animadoras. Durante o longo pontificado de João Paulo II, a Igreja Católica viveu o paradoxo, de um lado, de rasgos de abertura na prática do diálogo inter-religioso, na defesa dos direitos humanos, na oposição a toda guerra enfrentando, inclusive, as pretensões americanas, na proximidade com o mundo dos pobres e, de outro, de enrijecimento doutrinal e disciplinar interno. No horizonte, não se percebe que a Igreja enfrentará os novos desafios da cultura contemporânea por meio de mudanças internas, como fez, em parte, logo depois do Concílio Vaticano II. Falta o clima de abertura, de otimismo e de profetismo para lançar-se em transformações profundas. Em termo de hierarquia, reina antes momento de silêncio, de prudência sem muita inspiração e lanço de coragem inovadora. A geração profética do porte de Dom Helder deixou-nos ou já está envelhecida. E a nova safra eclesiástica revela outro corte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No universo dos leigos há sinais de esperança nas comunidades de base, na crescente participação consciente e ativa das mulheres, no maior desejo de espiritualidade e teologia, na vitalidade de novos ministérios, na criatividade litúrgica, no acesso amplo às Escrituras pela via da leitura orante. Em algumas igrejas particulares a Assembleia do povo de Deus anuncia algo de novo, desde que a clericalização não a prejudique.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O senhor concorda com a tese de que o Vaticano está enquadrando a Igreja no Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Cícero chamou a história "mestra da vida". Lancemos um olhar para os últimos séculos a fim de entender a relação entre o Vaticano e as igrejas locais. Gregório VII, no século XI, deu a decisiva guinada da autonomia das igrejas locais para crescente poder de Roma. Ele pautou o governo pontifício pelo dictatus papae, que ressuda centralismo, autoritarismo desmedido. Esse longo processo de quase mil anos marcou uma linha de comportamento em que Roma exerce imensa influência sobre as Igrejas particulares ou regionais. O Concílio Vaticano II, com a colegialidade, tentou diminuir tal tendência, mas com pouco resultado. Faz parte, portanto, da consciência comum eclesiástica a dependência em relação a Roma. E a dialética de dependência de uma parte pede o exercício de domínio da outra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A criança que pergunta a mãe que meia vai usar pede uma mãe cada vez mais absorvente que termina ditando-lhe tudo. Assim na Igreja. Roma responde com autoridade e a reforça porque as próprias igrejas locais a solicitam e ficam à espera. A liberdade se entende como relação entre duas liberdades. Não há liberdade de um lado só. Que o diga Erich Fromm no magistral livro Medo da liberdade. As análises que lá faz, baseadas em sua experiência do nazismo, valem para toda relação de submissão e de autoritarismo, onde ela se dê. No dia, porém, em que as igrejas locais tomarem maior consciência de outra eclesiologia, então a Igreja de Roma também lentamente afinar-se-á com ela. O processo se institui de ambas as partes simultaneamente em mútua relação e influência. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto mais a Igreja do Brasil marcar a originalidade, a liberdade, a autonomia, tanto mais Roma a reconhecerá. Se ela, porém, está a esperar para cada palavra que disser um sorriso aprobatório de Roma, a liberdade se encurtará e a autonomia se dissolverá. Quem age sob o olhar de um outro, termina condicionando-se de tal modo que perde a própria identidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Como avalia a notícia de três nomeações de bispos brasileiros para ocupar cargos importantes na Cúria Romana? O que isto significa? Terá algum impacto na CNBB?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - A nomeação dos membros da Cúria Romana obedece ao difícil jogo de interesses e preocupações. Não creio que o caráter nacional, no caso, o fato de ser brasileiro, seja predominante. Entram em questão outros critérios de linha teológica, ideológica, de indicações de pessoas influentes, de vinculação a movimentos de igreja, de serviço prestado. Em termos modernos, falamos de "perfil". As firmas, as instituições contratam ou dispensam funcionários dando como razão o fato de corresponderem ou não ao seu perfil. Analogamemte vale no caso da Igreja. Julgo que os bispos brasileiros escolhidos para cargos romanos respondem ao atual perfil de Roma. Coincide que vários brasileiros corresponderam a tal retrato e então foram escolhidos. Isso não vem de nenhum prestígio especial do episcopado brasileiro, como tal, além do peso estatístico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Como vê a atual internacionalização da Cúria Romana? Como propõe o manifesto, a sociedade deveria ajudar a escolher os representantes? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - A internacionalização traz vantagens. Mas não decide por si mesma. Acontece que a cor internacional desaparece facilmente por homogeneização ideológica por força da instituição. Se cada nação levasse para dentro da Cúria Romana a própria originalidade e a conservasse em contínuo diálogo com a predominante cultura europeia e romana, então a internacionalização causaria outro efeito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bispos latino-americanos, africanos ou asiáticos que arribam a Roma se romanizam a ponto de não se distinguir muito dos outros. Outra coisa significaria se as igrejas locais se fizessem presentes em Roma por meio de seus representantes, escolhendo-os e eles fazendo-se porta-voz delas. Mais: se elas mesmas decidissem na escolha dos ministros que as servem ou vetassem aqueles que não as satisfizessem. Assim evitaríamos casos desastrosos que tivemos de bispos, párocos ou pessoas em outras funções que durante décadas exerceram funções com detrimento da vida eclesial em vez de construí-la e os fieis tiveram de suportá-los calados e sem poder de mudança. Certos aspectos da sociedade democrática não contradizem, teologalmente falando, a maneira de designar membros da hierarquia. A escolha pode ser democrática, embora a conferição se faça pela graça do sacramento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - O que significa, para a Igreja brasileira, a nomeação de Dom Odilo Scherer no Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Como disse acima, os critérios de escolha das pessoas respondem antes ao perfil buscado pelo Vaticano para determinada função e ao peso de influências indicativas que à origem nacional. E o perfil se define pela combinação do histórico do bispo em questão e as conveniências da Instituição. Para alguém que está fora desse jogo fica muito difícil fazer juízo objetivo sobre as indicações. No início de cada governo no mundo da política, assistimos ao delicado jogo da escolha das pessoas para os cargos. Nem todos os indicados e escolhidos respondem ao desejo do presidente ou do papa, no caso da Igreja, mas entram na lista para cumprir uma série de acordos necessários para o governo. A política eclesiástica não escapa totalmente dessa regra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line - Está em curso a consolidação do programa ratzingeriano para a Igreja do Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;João Batista Libânio&lt;/strong&gt; - Teríamos que conhecer de antemão o programa do Papa. Os papas, em geral, não fazem discursos programáticos, mas dogmáticos. E supõe-se arguta análise para perceber sob as afirmações doutrinais que tipo de prática de governo subjaz. Aventuraria dizer que Bento XVI atribui relevância especial à qualidade da pertença à Igreja e não se impressiona tanto com a diminuição estatística. O manifesto dos teólogos alude ao fato de que em 2010 "tantos cristãos, o que jamais ocorrera antes, deixaram a Igreja e apresentaram à autoridade da Igreja a desistência de sua pertença ou privatizaram sua vida de fé para defendê-la da instituição". Enquanto percebo, tal constatação não abala a convicção do projeto de manter uma Igreja, embora minoritária, mas fiel aos ensinamentos dogmáticos, morais e à prática disciplinar eclesiástica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No projeto de Igreja em curso, a fidelidade, a exatidão doutrinal e a coerência prática disciplinar merecem relevo preponderante mesmo que à custa de êxodo de católicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O manifesto pondera a questão do isolamento da Igreja em relação à sociedade. Tal fato, porém, não se entende na percepção pontifícia de modo negativo, enquanto fechamento, mas como exigência de coerência com a própria mensagem a despeito da incompreensão por parte da mentalidade moderna. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra coisa, como parece supor o manifesto, tal aspecto implicaria incongruência com o projeto salvífico de Jesus. A questão teológica se desloca. Até onde tal programa eclesiástico afasta-se do reino anunciado por Jesus? Acusação grave que precisa ser bem pensada e discutida de ambos os lados. A tônica do projeto do Papa e a do manifesto são divergentes. No primeiro caso, volta-se para a Igreja e quer mantê-la na sua atual estrutura e, a partir daí, cumprir melhor sua função. No outro, propõe-se o projeto de Jesus e se pergunta como adequar as estruturas da Igreja a ele. Pontos divergentes que geram leituras diferenciadas. Só o diálogo mostra o limite e a positividade de cada perspectiva. O manifesto acentua: primeiro a liberdade individual e de consciência e a partir dela a fidelidade. A atual disciplina eclesiástica: primeiro a fidelidade à doutrina e à prática e aí dentro a liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mesmo vale de outros pontos acentuados pelo manifesto: participação dos fiéis, comunidade de partilha, reconciliação dos pecadores e celebração ativa, enquanto o projeto eclesiástico em curso entende tais demandas a partir dos quadros jurídicos traçados para a participação, para a vida de comunidade, para a reconciliação e celebração e não à sua revelia ou à exigência da sua mudança. Nessa tensão consiste, segundo minha leitura, a divergência maior entre o manifesto e o que está em curso atualmente no seio da Igreja Católica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-533612259399467612?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/533612259399467612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/533612259399467612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/entrevista-joao-batista-libanio.html' title='Entrevista - João Batista Libânio'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1985403132384718021</id><published>2011-02-15T21:46:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T21:46:17.511-03:00</updated><title type='text'>Um terço dos teólogos de fala alemã exige o fim do celibato e o sacerdócio da mulher</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Revolução na pátria de Ratzinger. Um terço dos teólogos católicos de fala alemã residentes na Alemanha, Suíça e Áustria (144 professores de Teologia católica), subscreveu um manifesto em que exigem profundas reformas da Igreja católica, que incluam, entre outras, o fim do celibato, o sacerdócio feminino e a participação popular na escolha de bispos. A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 04-02-2011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os assinantes representam mais de um terço dos 400 teólogos da região de fala alemã, segundo revela o jornal &lt;em&gt;Süddeutsche Zeitung&lt;/em&gt;, em que se afirma que seu número seria maior se muitos não tivessem negado sua rubrica por medo de represálias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A iniciativa representa, além disso, o mais importante levantamento contra a cúpula da Igreja católica nos últimos 22 anos, quando 220 teólogos subscreveram, em 1989, a chamada &lt;strong&gt;Declaração de Colônia&lt;/strong&gt;, crítica com o governo da Igreja exercido por João Paulo II.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A professora de Teologia de &lt;em&gt;Münster&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Judith Könemann&lt;/strong&gt;, uma das oito pessoas que redigiram o manifesto, reconhece que teriam se contentado com 50 assinaturas, mas destaca que o amplo eco demonstra que “&lt;em&gt;tocaram um nervo&lt;/em&gt;”, em declarações ao citado jornal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os que assinam o documento destacam-se prestigiosos professores eméritos como &lt;strong&gt;Peter Hünermann&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Dietmar Mieth&lt;/strong&gt;, velhos lutadores pelas reformas como &lt;strong&gt;Heinrich Missalla&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Friedhelm Hengsbach&lt;/strong&gt;, progressistas como &lt;strong&gt;Otto Hermann Pesch&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;Hille Haker&lt;/strong&gt;, mas também conservadores como &lt;strong&gt;Eberhard Schockenhoff&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Redigido com os escândalos de pederastia no interior da Igreja católica como transfundo, o texto é prudente e louva também o chamamento dos bispos a um diálogo aberto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após explicar que se veem “&lt;em&gt;na responsabilidade de dar uma contribuição a um novo começo real&lt;/em&gt;”, a tese central do memorando destaca que a Igreja católica só “&lt;em&gt;pode anunciar o libertador e amante Deus Jesus Cristo&lt;/em&gt;”, quando ela mesma “&lt;em&gt;for um lugar e um testemunho crível da mensagem de libertação do Evangelho&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve reconhecer e fomentar “&lt;em&gt;a liberdade do homem como criatura de Deus&lt;/em&gt;”, respeitar a consciência livre, defender o direito e a justiça e criticar as manifestações que “&lt;em&gt;depreciam a dignidade humana&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suas exigências, que prudentemente qualificam de “&lt;em&gt;desafios&lt;/em&gt;”, incluem “&lt;em&gt;maiores estruturas sinodais em todos os níveis da Igre&lt;/em&gt;j&lt;em&gt;a&lt;/em&gt;” e a participação dos fiéis na escolha de seus bispos e párocos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O manifesto destaca que a Igreja católica necessita “&lt;em&gt;também de sacerdotes casados e mulheres no ofício eclesiástico&lt;/em&gt;”, assinala que a falta de sacerdotes força a exigência de paróquias cada vez maiores e lamenta que os sacerdotes sejam “&lt;em&gt;queimados&lt;/em&gt;” diante destas circunstâncias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Destaca igualmente que “&lt;em&gt;a defesa legal e a cultura do direito&lt;/em&gt;” na Igreja devem “&lt;em&gt;melhorar urgentemente&lt;/em&gt;” e comenta que a elevada valorização do matrimônio e do celibato supõe “&lt;em&gt;excluir pessoas que vivem o amor, a fidelidade e a preocupação mútua&lt;/em&gt;” em uma relação estável de casal do mesmo sexo ou como divorciados casados em segundas núpcias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O manifesto critica, além disso, o “&lt;em&gt;rigorismo&lt;/em&gt;” da Igreja católica e destaca que não se pode pregar a reconciliação com Deus sem criar as condições para uma reconciliação com aqueles “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;diante dos quais é culpada: por violência, por negar o direito, por converter a mensagem bíblica de liberdade em uma moral rigorosa sem misericórdia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;À tempestade do ano passado (em referência aos escândalos de pederastia) não pode seguir tranquilidade nenhuma&lt;/em&gt;”, afirma o texto, que considera que “&lt;em&gt;nas circunstâncias atuais só pode ser a tranquilidade da sepultura&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois de exigir diálogo e comentar que o medo não é bom conselheiro, recorda que os cristãos foram “&lt;em&gt;chamados pelo Evangelho a olhar com valor para o futuro e como o chamamento de Jesus a Pedro para caminhar sobre as águas: ‘por que estais com medo? Vossa fé é tão pequena?&lt;/em&gt;’”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1985403132384718021?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1985403132384718021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1985403132384718021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/um-terco-dos-teologos-de-fala-alema.html' title='Um terço dos teólogos de fala alemã exige o fim do celibato e o sacerdócio da mulher'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1233642246756096766</id><published>2011-02-15T21:38:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T21:38:15.426-03:00</updated><title type='text'>Os bispos alemães avaliam o manifesto dos teólogos como positivo</title><content type='html'>&lt;em&gt;A Conferência Episcopal Alemã considera que o manifesto crítico à Igreja católica, subscrito por um grupo de professores de Teologia, é uma contribuição para a discussão sobre o futuro da fé e da Igreja neste país e reagiu positivamente a essa iniciativa. A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 04-02-2011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cento e quarenta e quatro&lt;/strong&gt; professores de Teologia católica da Alemanha, Áustria e Suíça subscreveram um manifesto no qual exigem profundas reformas da Igreja católica, que incluem, entre outras, o fim do celibato, o sacerdócio feminino e a participação popular na escolha de bispos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um comunicado tornado público na sexta-feira passada, dia 4/02, pelo secretário da Conferência, &lt;em&gt;Peter Hans Langendördf&lt;/em&gt;, destaca que o memorando resume em princípio ideias frequentemente discutidas e “&lt;em&gt;não representa mais que um primeiro passo&lt;/em&gt;” no debate aberto neste país após os escândalos de pederastia no interior da Igreja no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma série de questões do memorando dos teólogos “&lt;em&gt;se encontra em tensão&lt;/em&gt;” com as convicções teológicas e os princípios eclesiásticos de elevado compromisso, reconhece &lt;em&gt;Langendördf.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Os diferentes temas necessitam de um urgente esclarecimento&lt;/em&gt;”, assinala o porta-voz da Conferência Episcopal, que destaca que falta mais que uma aproximação dos bispos para enfrentar os difíceis desafios da Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os erros e fracassos do passado devem ser tratados e reconhecidos, assim como os &lt;em&gt;déficits&lt;/em&gt; e exigências de reformas da atualidade, admite &lt;em&gt;Langendördf&lt;/em&gt;, que reconhece que “&lt;em&gt;não se pode evitar os temas conflitivos&lt;/em&gt;” e anuncia que a Conferência Episcopal fará suas propostas durante a sua próxima reunião plenária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1233642246756096766?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1233642246756096766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1233642246756096766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/os-bispos-alemaes-avaliam-o-manifesto.html' title='Os bispos alemães avaliam o manifesto dos teólogos como positivo'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-8230188234236245004</id><published>2011-02-15T21:22:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T21:22:00.382-03:00</updated><title type='text'>Manfred Hauke</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-74NUbVUTGBM/TVsYjkfbMNI/AAAAAAAAB2Y/ChdprJ74hWs/s1600/TEOLOGIA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="150" src="http://2.bp.blogspot.com/-74NUbVUTGBM/TVsYjkfbMNI/AAAAAAAAB2Y/ChdprJ74hWs/s200/TEOLOGIA.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Iniciativa dos teólogos alemães: renovação ou demolição?&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os signatários da DM podem sinceramente apresentar a Professio fidei exigida como condição indispensável para ensinar, em nome da Igreja, nas faculdades de teologia?", questiona o teólogo alemão, Manfred Hauke, professor de Patrística e Dogmática na Faculdade de Teologia de Lugano e vice-diretor da Revista Teológica de Lugano. Segundo ele, "o memorando dos 143 teólogos entristece pois não oferece nenhuma contribuição para lançar-se rumo a um futuro cheio de esperança, mas sim uma demolição põe em perigo o tesouro da fé eclesial". O artigo, intitulado "Aufbruch oder Abbruch? – Eine Stellungnahme zum Theologen-Memorandum, Kirche 2011“ foi, originalmente, publicado pelo jornal alemão Die Tagepost, 07-02-2011. A tradução é da Agência Zenit, 13-02-2011.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Em 3 de fevereiro, um conhecido jornal alemão, o &lt;em&gt;Süddeutsche Zeitung&lt;/em&gt;, publicou um relatório (&lt;strong&gt;Memorándum&lt;/strong&gt;) assinado por 143 teólogos alemães, com o título "&lt;strong&gt;Igreja 2011: uma adesão necessária&lt;/strong&gt;" (&lt;strong&gt;Ein notwendiger Aufbruch&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(1)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;). As petições lembram, em muitos aspectos, a "&lt;em&gt;Declaração de Colônia&lt;/em&gt;", de 1992, e a iniciativa "&lt;em&gt;Nós Somos Igreja&lt;/em&gt;", de 1995. A faculdade teológica mais representada entre os signatários é a de &lt;em&gt;Münster&lt;/em&gt;, com 17 teólogos, incluindo o decano &lt;strong&gt;Klaus Müller&lt;/strong&gt;; uma teóloga de &lt;em&gt;Münster&lt;/em&gt; faz parte do comitê de redação do memorando (cf. &lt;em&gt;M. Drobinski, Theologen gegen den Zölibat, Süddeutsche Zeitung&lt;/em&gt;, 3.2.2011). Também uma petição muito específica remete à influência de &lt;em&gt;Münster&lt;/em&gt;, a de constituir tribunais administrativos para a Igreja (&lt;strong&gt;Klaus Lüdicke&lt;/strong&gt;). Portanto, o texto poderia tranquilamente ser chamado de "&lt;em&gt;Declaração de Münster&lt;/em&gt;" (DM).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por ocasião da DM, seus signatários indicam o debate público sobre os abusos sexuais que houve no ano passado. Ao procurar por "&lt;em&gt;causas do abuso, do silêncio e da moral dupla&lt;/em&gt;", teria "&lt;em&gt;crescido a convicção de que são necessárias reformas profundas&lt;/em&gt;". O convite dos bispos ao "&lt;em&gt;diálogo&lt;/em&gt;" teria suscitado expectativas que seria preciso acolher. Os teólogos querem fazer de 2011 um "&lt;em&gt;ano de partida" para que a Igreja possa sair de "estruturas fossilizadas&lt;/em&gt;". O "&lt;em&gt;diálogo aberto&lt;/em&gt;" deve incluir seis "&lt;em&gt;áreas de ação&lt;/em&gt;": &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;strong&gt;(1)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; São necessárias "&lt;em&gt;mais estruturas sinodais em todos os níveis da Igreja&lt;/em&gt;", sob o princípio: "&lt;em&gt;O que afeta todos deve ser decidido entre todos&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A vida da comunidade necessitaria, para sua condução, de estruturas mais democráticas (para sua orientação). "&lt;em&gt;A Igreja também precisa de padres casados e mulheres no ministério eclesial&lt;/em&gt;." &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;strong&gt;(3)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Um primeiro passo para alcançar uma "&lt;em&gt;cultura do direito&lt;/em&gt;" seria "&lt;em&gt;a criação de uma jurisdição&lt;/em&gt; &lt;em&gt;administrativa&lt;/em&gt;" (ou seja, de tribunais administrativos). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Com relação ao que chamam de "&lt;em&gt;liberdade de consciência&lt;/em&gt;", foi dito: "&lt;em&gt;A alta estima do casamento por parte da Igreja (...) não exige a exclusão de pessoas que vivem responsavelmente o amor, a fidelidade e o apoio mútuo em uma união de pessoas do mesmo sexo [casais homossexuais] ou como divorciados recasados&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;(5)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; No espírito de "&lt;em&gt;reconciliação&lt;/em&gt;", seria preciso ir contra "&lt;em&gt;uma moral estrita, sem misericórdia&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;6)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A liturgia vive graças à participação ativa dos fiéis e não deveria ser tão unificada de maneira centralista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Temos de dar a razão aos signatários da DM em que a Igreja (de língua alemã) está passando por uma "crise profunda". Por outro lado, muitas sugestões apresentadas pelos teólogos signatários fazem parte desta crise e não podem favorecer a superação dos problemas. Os pedidos contidos no memorando são, em boa parte, pedidos conhecidos, procedentes dos anos 60 e 70 do século passado. Existe um "&lt;em&gt;passo adiante&lt;/em&gt;" nos esforços a favor da &lt;em&gt;práxis&lt;/em&gt; vivida da homossexualidade. O debate público sobre os abusos sexuais é instrumentalizado para empurrar uma Igreja enfraquecida para uma situação que se afasta da sua origem apostólica e se aproxima do protestantismo liberal. Segundo as estatísticas, o percentual (deplorável) do abuso sexual pelo clero católico é muito menor comparado ao que acontece nas estruturas (comparáveis) do âmbito secular (por exemplo: famílias, escolas, associações esportivas) e até mesmo com relação ao que se sabe dos pastores protestantes, casados, em sua maioria (cf. J. M. Schwarz, Kirche, Zölibat und Kindesmissbrauch, &lt;a href="http://www.kath.net/"&gt;http://www.kath.net/&lt;/a&gt;, 3.2.2010).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os teólogos da DM cometem um "&lt;em&gt;abuso com o abuso&lt;/em&gt;" ao promover petições que certamente não podem combater as causas que estão na base dos próprios abusos. Não se diz que a castidade é necessária para uma verdadeira renovação. Não se fala sequer sobre a exigência da conversão. Pelo contrário: Deseja-se o reconhecimento, por parte da Igreja, da situação dos divorciados novamente casados, que vivem (nas palavras de Jesus) em um estado de adultério (cf. Mc 10,11), e mesmo os casais homossexuais, cuja prática sexual, de acordo com os catálogos dos vícios no Novo Testamento, leva à exclusão do Reino de Deus (cf. 1Cor 6,10). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui não se vê a influência de um conhecimento teológico mais profundo, mas sim uma perda de fé e de moral. Os elementos fundamentais da doutrina apostólica são sacrificados devido a um pensamento que quer estar "a par" da situação atual. A petição de retirar a obrigação do celibato recorda os pedidos do Iluminismo tardio, superados há muito tempo por &lt;em&gt;Johann Adam Möhler&lt;/em&gt; e outros protagonistas na renovação católica do século XIX. Nem mesmo aos ilustrados das igrejas estatais da época josefinista, entretanto, teria ocorrido rebaixar os valores do matrimônio cristão ou encorajar o concubinato homossexual. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inclusive o pedido de ter "&lt;em&gt;mulheres no ministério apostólico&lt;/em&gt;" é dirigido contra a origem apostólica da Igreja, pelo menos quando se entende "&lt;em&gt;ministério&lt;/em&gt;" no sentido do sacramento da Ordem. Recorde-se aqui a Carta Apostólica de João Paulo II, &lt;em&gt;Ordinatio Sacerdotalis&lt;/em&gt; (1994), na qual o Papa sublinha que "&lt;em&gt;a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e esta sentença deve ser&lt;/em&gt; &lt;em&gt;considerada definitiva por todos os fiéis da Ig&lt;/em&gt;reja". O que se aplica a "&lt;em&gt;todos os fiéis da Igreja&lt;/em&gt;" vale, provavelmente de maneira mais forte, para os teólogos que têm uma &lt;em&gt;missio&lt;/em&gt; canonica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos dar uma breve olhada em outros pedidos, ainda que não possamos dar aqui uma resposta exaustiva. Certamente é importante uma "&lt;em&gt;participação&lt;/em&gt;" de todos os fiéis na vida da Igreja, mas esta participação não deve ser confundida com as formas políticas da democracia. De acordo com a sucessão apostólica, a Igreja é guiada pelo Papa e pelos bispos. No início da Igreja, também os fiéis, muitas vezes, participaram da eleição de bispos por meio do seu testemunho e consentimento: mas estes fiéis foram preparados pelo testemunho dos mártires, na época das perseguições; não era a situação de hoje, em que quase 90% dos "católicos" alemães não vão à Missa no domingo e dependem quase que inteiramente da influência da mídia, a qual, em sua maior parte, é decididamente desfavorável à fé católica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As eleições episcopais não eram decisões tomadas pelo povo, mesmo na Igreja antiga. Segundo o &lt;em&gt;Papa Leão Magno&lt;/em&gt;, o bispo deveria ser eleito pelo clero, aclamado pelo povo e ordenado pelos bispos da província, com o consentimento do Metropolitano. O princípio jurídico citado pela DM vem originalmente do direito romano privado e foi interpretado em 1958 por &lt;em&gt;Yves Congar&lt;/em&gt;, no sentido da recepção dentro da Igreja, mas não como democratização do Magistério&amp;nbsp; nem do ministério de guia (&lt;em&gt;Quod omnes tangit, ab&lt;/em&gt; &lt;em&gt;omnibus tractari et approbari debet&lt;/em&gt;); explicar o consentimento do povo de Deus como "&lt;em&gt;decisão&lt;/em&gt;" ou inclusive como base de "&lt;em&gt;estruturas mais sinodais&lt;/em&gt;" é sinal de uma ideologização fora da história eclesial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se afirma sobre a questão das "paróquias XXL" refere-se a uma dolorosa realidade. A solução das dificuldades não está em mudar as estruturas da Igreja, procedentes de Cristo (como o sacerdócio ministerial reservado aos homens e sua responsabilidade específica para a guia da comunidade). Para organizar bem a vida das comunidades, é necessária a prudência pastoral e o compromisso de todos, mas não uma laicização na guia de das comunidades paroquiais. A "&lt;em&gt;liberdade de consciência&lt;/em&gt;" proclamada na DM separa claramente a consciência do sujeito da verdade objetiva à qual a consciência deve se orientar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não faz sentido aplicar a "&lt;em&gt;liberdade de consciência&lt;/em&gt;" para aprovar os casais do mesmo sexo e o adultério. &lt;em&gt;Newman&lt;/em&gt; falaria aqui de um pretendido "&lt;em&gt;direito à voluntariedade&lt;/em&gt;" (&lt;strong&gt;Carta ao Duque de Norfolk&lt;/strong&gt;). A "&lt;em&gt;misericórdia&lt;/em&gt;" na moral, mencionada sob a voz da "&lt;em&gt;reconciliação&lt;/em&gt;", não deve se separar da necessidade de respeitar os mandamentos de Deus: Deus perdoa o pecador sinceramente arrependido, mas lhe dá a entender também (como Jesus à adúltera): "&lt;em&gt;De agora em diante, não peques mais&lt;/em&gt;" (Jo 8, 11).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A petição da DM de integrar as "&lt;em&gt;experiências e expressões da época contemporânea&lt;/em&gt;" na liturgia já tem seu lugar conveniente no atual ordenamento - por exemplo, na oração dos fiéis e na homilia. O acolhimento de "&lt;em&gt;situações concretas da vida&lt;/em&gt;" não deve obscurecer a importância da liturgia como glorificação de Deus, juntamente com toda a Igreja, que proporciona formas muito precisas para a expressão comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente, é preciso elogiar o "&lt;em&gt;diálogo&lt;/em&gt;" dentro da Igreja. Para um debate legítimo entre cristãos católicos, entretanto, deve estar claro o pré-requisito presente na profissão comum da fé católica. Diversos pontos da DM questionam essa base. Os signatários da DM podem sinceramente apresentar a &lt;em&gt;Professio fidei&lt;/em&gt; exigida como condição indispensável para ensinar, em nome da Igreja, nas faculdades de teologia? Os bispos responsáveis terão a coragem de insistir contra a dissidência sobre o caráter eclesial da teologia? A próxima visita do Santo Padre à Alemanha será uma grande oportunidade para uma renovação na fé católica. O memorando dos 143 teólogos, porém, entristece: não oferece nenhuma contribuição para lançar-se rumo a um futuro cheio de esperança, mas sim uma demolição põe em perigo o tesouro da fé eclesial. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-8230188234236245004?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8230188234236245004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8230188234236245004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/manfred-hauke.html' title='Manfred Hauke'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-74NUbVUTGBM/TVsYjkfbMNI/AAAAAAAAB2Y/ChdprJ74hWs/s72-c/TEOLOGIA.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-444566176047277306</id><published>2011-02-15T20:56:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T20:56:18.784-03:00</updated><title type='text'>Jerome Anciberro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-pwvY54rM2hU/TVsSdeM8e_I/AAAAAAAAB2U/d0gCqk0OMhY/s1600/Peter_Seewald.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-pwvY54rM2hU/TVsSdeM8e_I/AAAAAAAAB2U/d0gCqk0OMhY/s1600/Peter_Seewald.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Peter Seewald e o ''stalinismo teológico''&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jornalista tornado célebre por suas entrevistas com Joseph Ratzinger/Bento XVI, Peter Seewald (foto)&amp;nbsp;também era conhecido pelo seu robusto catolicismo e certa verve crítica perante a ideologia liberal de nossas sociedades ocidentais. O comentário é de Jerome Anciberro e publicado pelo sítio da revista francesa Temoignage Chrétien, 08-02-2011. A tradução é de Benno Dischinger.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;Luz do mundo&lt;/strong&gt;, seu último livro-entrevista com &lt;em&gt;Bento XVI&lt;/em&gt;, suas perguntas e algumas digressões suas haviam atraído a atenção dos comentaristas. Emergia, de fato, uma visão do mundo um tanto pessimista e muito severa sobre o estado cultural e ideológico do Ocidente. Em algumas passagens do livro até se podia ter a impressão que o papa procuraria tranqüilizar seu interlocutor e acalmar um pouco os seus ardores de polemista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O manifesto &lt;em&gt;Igreja 2011&lt;/em&gt;, firmado por aproximadamente 200 teólogos de língua alemã e que convida a uma “indispensável renovação” da Igreja católica não continha evidentemente nada que pudesse agradar ao nosso ardente defensor do papado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sítio católico austríaco &lt;em&gt;kath.net teve&lt;/em&gt;, por isso, a boa idéia de ir entrevistar nosso homem, a quem já se atribui certa proximidade simbólica ao papa – proximidade que não reveste, em todo o caso, nenhum caráter oficial – para obter suas reações àquele documento. O resultado é impressionante. &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; se entrega, de fato, a um ataque de pleno rigor e não se controla no uso das invectivas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo ele, o &lt;em&gt;Memorandum&lt;/em&gt; dos teólogos resultaria de uma “&lt;em&gt;ação concertada por forças neoliberais que fazem pressão por transformações que teriam como resultado espoliar a Igreja católica de seu próprio ser e, portanto, de seu espírito e de sua força&lt;/em&gt;.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma passagem do texto dos teólogos evocava a paralisia que deriva da auto-referencialidade, da obsessão de si demonstrada pela Igreja católica. &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; inverte a crítica explicando que são precisamente os contestadores que estão obsessionados pelo funcionamento interno da Igreja e que impediriam a esta última de tratar dos “&lt;em&gt;verdadeiros problemas&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“&lt;em&gt;Quem semeia vento recolhe tempestade&lt;/em&gt;”, adverte ele, voltado aos teólogos do manifesto, evocando um possível efeito de mobilização daqueles que permanecem “&lt;em&gt;fiéis à Igreja&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo um motivo recorrente de certa crítica dos anos 90, &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; considera que o manifesto dos teólogos seja datado e que evoque uma “&lt;em&gt;rebelião de casa de repouso&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O “&lt;em&gt;establishment teológico&lt;/em&gt;” se une, a seu ver, aos “&lt;em&gt;agitadores que perderam há muito tempo a autorização para ensinar porque fizeram do filho de Deus um caudilho&lt;/em&gt;” (alusão a certos pesquisadores especialistas do método histórico-crítico). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;“Ramos podres”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considera, portanto, que estes críticos já seriam superados e, se os teólogos subscritores do manifesto podem ter entre suas fileiras algum militante, não poderão “&lt;em&gt;jamais entusiasmar as multidões, sobretudo os jovens&lt;/em&gt;”. Muito vivamente, &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; compara abertamente os subscritores a “&lt;em&gt;ramos podres que ainda podem causar dano, mas que já estão caindo da árvore à qual estão pendurados&lt;/em&gt;”. Chama-os, entre outras coisas de “&lt;em&gt;sacerdotes teólogos, pequeno-burgueses, fanfarrões que vão perorar em todos os microfones que lhes são oferecidos&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com igual firmeza, o jornalista alemão recorda que os ataques mais graves contra a Igreja “&lt;em&gt;vem do interior&lt;/em&gt;”. Cita como exemplo a tempestuosa reintegração dos bispos integristas de janeiro de 2009 e a revelação dos escândalos de pedofilia de janeiro de 2010. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; acusa também (erradamente) os subscritores de considerarem que o celibato dos padres e a moral sexual católica sejam a causa dos fatos de pedofilia na Igreja. Aproveita isso também para dar um puxão de orelhas em certos “&lt;em&gt;jesuítas de alto nível&lt;/em&gt;” que se permitiriam criticar a moral sexual católica enquanto escândalos de pedofilia tem tido lugar “&lt;em&gt;em suas casas&lt;/em&gt;”, fazendo alusão aos abusos sexuais no interior de institutos secundários jesuítas alemães, como o colégio &lt;em&gt;Canisius&lt;/em&gt; de Berlim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt;, encorajado por seus entrevistadores, não se detém aqui. Respondendo a uma preocupação clássica dos ambientes católicos, explica seriamente que não há falta de padres. De fato, assegura, quando se relaciona o número dos padres com o dos fiéis que vão regularmente à missa, a proporção é até melhor do que antes! E, do ponto de vista financeiro, um &lt;em&gt;surplus&lt;/em&gt; [uma sobra] de padres seria até prejudicial para a Igreja. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suspeitando que a minoria (reformadora) quer impor suas visões (modernistas) à maioria dos católicos, &lt;em&gt;Peter Seewald&lt;/em&gt; fala, com uma fórmula surpreendente, de “&lt;em&gt;uma espécie de stalinismo teológico&lt;/em&gt;”. Invectiva, além disso, tanto os movimentos contestadores como &lt;em&gt;Wir sind Kirche&lt;/em&gt; (Nós somos Igreja) quanto o Comitê central dos católicos alemães que compara ao comitê central da SED (o partido comunista da Alemanha oriental) antes da queda do Muro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agressivo, o fogoso jornalista também pede a demissão do porta-voz da Conferência Episcopal Alemã, o padre &lt;em&gt;Hans Langendörfer&lt;/em&gt;, jesuíta, que acolheu o manifesto dos teólogos anunciando prudentemente propostas futuras da parte dos bispos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-444566176047277306?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/444566176047277306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/444566176047277306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/jerome-anciberro.html' title='Jerome Anciberro'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-pwvY54rM2hU/TVsSdeM8e_I/AAAAAAAAB2U/d0gCqk0OMhY/s72-c/Peter_Seewald.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-1628758193422208522</id><published>2011-02-15T20:33:00.000-03:00</published><updated>2011-02-15T20:33:47.371-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Gianni Vattimo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Igreja se salvará de seu próprio suicídio somente com um pensamento fraco''&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RP8ufgYoVdg/TVsMKJZ0tcI/AAAAAAAAB2Q/-Gw0aHIzCm4/s1600/GIACOMO.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-RP8ufgYoVdg/TVsMKJZ0tcI/AAAAAAAAB2Q/-Gw0aHIzCm4/s200/GIACOMO.jpg" width="156" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Gianni Vattimo (foto)&amp;nbsp;é o filósofo italiano vivo mais traduzido. Criador da expressão “pensamento fraco”, foi professor, eurodeputado e ativista político e cultural. Há um tempo surpreendeu o mundo ao anunciar sua reconversão ao catolicismo. Nas livrarias espanholas há agora duas novidades: Adiós a la verdad (Gedisa) e ¿Verdad o fe débil? Diálogo sobre cristianismo y relativismo (Paidós), onde polemiza com o antropólogo René Girard sobre a religião. A entrevista é de Francesc Arroyo e pubicada por El País, 12-02-2011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Você se declara católico, mas sua fé parece mais a de um ateu que a de um crente monoteísta.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que nem sequer sei se Deus existe. O teólogo &lt;em&gt;Dietrich Bonhoeffer&lt;/em&gt; disse que “um Deus que existe, não existe”. Não sei se Deus é uma entidade nem onde está. Sempre pensávamos que estava no céu. A verdade é que não posso chamar-me monoteísta. O monoteísmo tem implicações de dominação, de colonização, de violência, e desconfio dele. Também não sou politeísta. Não posso falar de Deus como se fosse uno ou três ou quatro ou muitos. Sou cristão ou não? É um problema que tenho, sobretudo quando morrer e tiver de enfrentar o juízo final. Chamo-me cristão porque me sinto uma criatura, alguém que não se fez a si mesmo. Me sinto dependente de um infinito. E isso procede da minha leitura do Evangelho. Não sei se o Evangelho é a única verdade religiosa no mundo. Eu não procuraria converter os não crentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Chamar a sua fé de cristianismo não induz a confusão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um nome histórico. Cresci na comunidade da Igreja. E em nome de seus princípios posso criticá-la. Como Lutero criticou o Papa em nome do Evangelho. Não creio que haja uma religiosidade natural. Sem ter conhecido o Evangelho, me teria perguntado pela existência de Deus? Não há “a” religião, há religiões. Eu cresci em uma e a interpreto filosoficamente, racionalmente, como um chamado do infinito do qual dependo. E chamo a esse infinito de Deus e Jesus é seu filho, sem saber em que termos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O que não parece assumir é que a vida seja um vale de lágrimas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Muitas vezes o é, mas não posso aceitar que isso seja a essência do mundo. Não creio que tenha que atribuir a Deus o sofrimento. De fato, não sei se se deve atribuir a Deus tudo o que acontece no mundo. Não sei se criou o universo e suas leis. Deus é minha esperança espiritual, espero sobreviver como espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Na Bíblia você vê um Deus que não é astrônomo nem moral. O que resta?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mensagem de salvação. Uma mensagem de caridade a aplicar na minha relação com os outros. A humanidade: sentir-se melhor em um mundo de amigos que de inimigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Você diz que Deus é relativista. O relativismo filtrou a defesa do criacionismo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me sinto mais evolucionista que criacionista. Sou criacionista na medida em que o anúncio da salvação não é um produto da evolução. Pode ser inclusive que a fé seja resultado da evolução. Eu não creio na objetividade do real. Deus existe? Não sei. Se digo que existe ou que não existe, entro em um objetivismo que não casa com a minha espiritualidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Também diverge da tendência da Igreja de proibir.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque não creio que haja uma essência do bem e do mal. &lt;em&gt;Há condições de vida compartilhadas&lt;/em&gt;. A moral é o código de circulação mais a caridade. Tudo é convencional, salvo o respeito ao outro. E isso é bastante cristão e bastante comunista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ao final, seu Deus é caridade e amor. Que diferença há entre os dois termos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tradicionalmente, se baseou na repressão. Fazemos um pouco de caridade ou um pouco de amor? Trata-se de organizar o erotismo de forma tolerante, porque não há uma ordem natural do amor. Estamos condicionados por uma tradição repressora, familiarista. O Papa precisa pregar sobre o uso do preservativo? Não. Se gosto de dormir com uma mulher ou com um senhorzinho, como regulá-lo? Desde a perspectiva da caridade, o divórcio está bem. Não se pode obrigar duas pessoas a viverem juntas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Igreja celebra as conversões, mas sobre a sua não fala.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que eu deveria ser Papa, por mais que seja quase o único que pensa assim. Mas estou convencido de que a Igreja se salvará de seu próprio suicídio somente com um pouco de pensamento fraco. Creio nisso como pensador fraco e também como cristão ocidental. A Igreja está pensando que a secularização atual é apenas coisa do Ocidente e que os povos convertidos da África serão cristãos mais sérios. Também serão mais primitivos, porque creem mais nos milagres e inclusive praticam a magia, como, por exemplo, o bispo Milingo. Eu, na verdade, não me sentiria à vontade em uma Igreja dominada por esses cristãos. Espero que a providência intervenha.&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-1628758193422208522?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1628758193422208522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/1628758193422208522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/02/entrevista-gianni-vattimo.html' title='Entrevista - Gianni Vattimo'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-RP8ufgYoVdg/TVsMKJZ0tcI/AAAAAAAAB2Q/-Gw0aHIzCm4/s72-c/GIACOMO.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-5188355283151339517</id><published>2011-01-27T22:13:00.000-03:00</published><updated>2011-01-27T22:13:17.976-03:00</updated><title type='text'>Manuel Fraijó</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O olhar crítico e necessário de Hans Küng&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Artigo de Manuel Fraijó, professor de Filosofia da Religião e decano da Faculdade de Filosofia da UNED, publicado no jornal espanhol El País, 25-01-1011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUIYCO_-RyI/AAAAAAAAB1s/o04nYSRE5cM/s1600/hanskung.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUIYCO_-RyI/AAAAAAAAB1s/o04nYSRE5cM/s1600/hanskung.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram-se 15 anos desde que 1.300 pessoas, emocionadas e em pé, aplaudiam a última aula magistral de Hans Küng (foto). Não menos emocionado que seu auditório, o grande teólogo percorria a saída do abarrotado salão de atos cochichava um apenas perceptível “gostaria de continuar contando com seu afeto”. Era o dia de sua aposentadoria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Espanha, país que tantas vezes visitou e onde seus livros alcançam uma extraordinária difusão, sempre o honrou com seu afeto; mas estava pendente a tarefa de plasmá-lo em imagens, de lhe outorgar importância e solenidade. É o que se propõe fazer a UNED no próximo dia 27 de janeiro, por proposição de sua Faculdade de Filosofia. Fizeram-no, antes que ela, outras 14 universidades de diferentes países. Hans Küng, além de ser um dos mais destacados teólogos atuais, apresentou notáveis serviços à filosofia, especialmente à Filosofia da Religião. Mais: pertence a uma tradição, a alemã, que não separa a teologia da filosofia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase todos os grandes teólogos alemães criaram apaixonantes teologias filosóficas. É possível inclusive que a passagem do tempo, tão impiedosa com as criações humanas, só respeite aqueles projetos teológicos profundamente enraizados em uma rigorosa e exigente reflexão filosófica. É, sem dúvida, o caso de Hans Küng (Sursee, Lucerna, 1928).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começou em 1957 com uma fascinante tese de doutoramento. Tinha o título &lt;strong&gt;A justificação. A doutrina de Karl Barth e uma interpretação católica&lt;/strong&gt;. Küng se atreveu com um tema que, desde os inícios da Reforma, havia dividido católicos e protestantes. Com coragem e juventude, estendeu pontes de diálogo e compreensão. Barth deu um simpático visto bom à obra, qualificando o seu autor de “israelita sem dolo” e desejando-lhe que viesse sobre ele o Espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na década de 1960 suscitaram grande entusiasmo e esperança obras como &lt;strong&gt;Estruturas da Igreja&lt;/strong&gt; (1962) e &lt;strong&gt;A Igr&lt;/strong&gt;eja (1967). Küng desenhava o perfil de uma Igreja humilde, fiel à mensagem de Jesus, atenta às necessidades do mundo e sempre disposta a se reformar. Nem nos momentos mais conflitivos de sua relação com a Igreja pensou Küng em abandoná-la. &lt;em&gt;O seu serviço é crítico, vigilante, incômodo e arriscado, mas necessário.&lt;/em&gt; Em 1965, no transcurso de uma conversa privada, Paulo VI lhe fez uma “oferta de trabalho” que poderia ter mudado sua biografia: conta-o, com invejável maestria literária, no primeiro volume de suas memórias, &lt;strong&gt;Liberdade Conqu&lt;/strong&gt;istada (p. 553ss.). “&lt;em&gt;Quanto bem você poderia fazer (...) se pusesse seus grandes dotes a serviço da Igreja&lt;/em&gt;”, lhe disse o Papa. Küng lhe responde: “&lt;em&gt;Ao serviço da Igreja? Santidade, eu já estou a serviço da Igreja&lt;/em&gt;”. Mas o papa se referia à Igreja especificamente romana e acrescentou: “&lt;em&gt;deve confiar em mim&lt;/em&gt;”. De novo Küng: “&lt;em&gt;Eu tenho confiança em Sua Santidade, mas não em quantos estão ao seu redor&lt;/em&gt;”. A oferta não foi aceita e Küng continuou o seu caminho de professor universitário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um caminho que o levou, se seguimos a sequência cronológica, a um estudo intenso, guiado pelo método histórico crítico, da figura de Jesus. Em 1974 apareceu um dos seus livros mais geniais, &lt;strong&gt;Ser Cristão&lt;/strong&gt;. Era, e continua sendo, uma obra repleta de informação histórica e paixão crente. Afirmava-se a fé cristã de sempre, mas era expressa de forma diferente. Küng não partia de fórmulas abstratas. Seu ponto de partido era o grande protagonista da aventura cristã: &lt;strong&gt;Jesus de Nazaré&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o teólogo sabe que tem sempre um encontro com o último do último. São Paulo diz que Cristo é Deus. Deus é, com efeito, o assunto final da teologia, sua noite e seu dia, sua prova máxima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Küng enfrentou este desafio em sua monumental obra &lt;strong&gt;Existe Deus?&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Resposta ao problema de Deus em nosso tempo&lt;/strong&gt; (1978). A suas páginas se assomam todas as sacudidas experimentadas pelo tema “Deus” desde que Descartes deu carta de cidadania à dúvida. Küng responde afirmativamente à pergunta pela existência de Deus. Sem Deus, afirma, o ser humano ficará sem chão firme debaixo dos pés. No horizonte apareceria o sem sentido. Sem sentido ao qual fazem frente algumas religiões com a promessa da ressurreição. Küng se atreveu também com este tema em seu livro &lt;strong&gt;Vida eterna?&lt;/strong&gt; (1982).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o final, a ressurreição, leva à origem, à criação, ao começo de tudo. É o tema que aborda em &lt;strong&gt;O princípio de todas as coisas. Ciência e religião&lt;/strong&gt; (2007). As últimas páginas constituem um rotundo “não” ao “nada”, uma aposta na “outra vida” que, inclusive se ao final se perde, terá ajudado a viver esta com mais ilusão e esperança. Sobre suas ilusões e esperanças volta, em tom pessoal, quase confidencial, no livro &lt;strong&gt;Em que eu creio&lt;/strong&gt; (2011).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que, incompreensivelmente, um 15 de dezembro de 1979, o papa João Paulo II &lt;u&gt;“premiou”&lt;/u&gt; esta folha de serviços à Igreja &lt;u&gt;afastando este brilhante defensor da fé cristã&lt;/u&gt; a &lt;em&gt;venia docendi&lt;/em&gt; e &lt;u&gt;declarando-o “teólogo não católico”,&lt;/u&gt; Küng se adentrou em terrenos pelos quais não costuma transitar o teólogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nasceram assim seus volumosos estudos sobre as religiões: &lt;strong&gt;O judaísmo&lt;/strong&gt; (1991), &lt;strong&gt;O cristianismo&lt;/strong&gt; (1994), e &lt;strong&gt;O islamismo&lt;/strong&gt; (2004). Previamente, em 1984, havia publicado o volume &lt;strong&gt;O cristianismo e as grandes religiões&lt;/strong&gt;, em que se senta o cristianismo a dialogar com o islamismo, o hinduísmo e o budismo. Küng não esquece que a secularização é um fenômeno quase exclusivamente ocidental; no resto do mundo, as religiões seguem configurando a realidade. É, pois, necessário contar com seu impulso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desembocamos, por último, em sua contribuição mais recente, aquela dedicada à ética. Hans Küng é fundador e presidente da &lt;strong&gt;Fundação Ética Mundial&lt;/strong&gt;, com sede em Tubingen e Zurique, mas com representação em numerosos países. Representantes da educação, da cultura, da religião e da política acodem a esta fundação em busca de orientação em valores e compromisso educativo. O substrato desta fundação se encontra no seu livro &lt;strong&gt;Projeto de ética mundial&lt;/strong&gt; (1990). Seu autor está convencido de que, sem um consenso ético básico sobre determinados valores, normas e atitudes, é impossível uma convivência humana digna, tanto em pequenas como em grandes sociedades. Um consenso que só é alcançável mediante o diálogo e o mútuo reconhecimento e apreço. A ética mundial deve partir de um princípio tão básico quanto antigo: “todo ser humano deve receber um trato humano”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente: Hegel deixou escrito que os grandes homens não são apenas os grandes inventores, “mas aqueles que cobraram consciência do que era necessário”. A tais homens pertence, creio, o pensador que por estes dias a UNED se propõe a honrar. Acabamos de enumerar alguns de seus méritos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde já, Küng nunca poderia ser o destinatário da grosseria que seu grande amigo, o ex-chanceler social-democrata Helmut Schmidt, cometeu contra um grupo de jornalistas. Cansado de que reprovassem sua &lt;em&gt;realpolitik&lt;/em&gt; e sua falta de espírito utópico (governou a Alemanha depois do carismático Willy Brandt), lhes obsequiou, meio em tom de brincadeira, meio a sério, com um “quem tiver visões que vá ao médico”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, a UNED não convidou o professor Küng para “enviá-lo ao médico”, mas para acrescentá-lo ao nosso claustro de professores e agradecer-lhe seu espírito visionário, suas utopias e suas esperanças de dias bons, melhores que os atuais, para o futuro de todos os seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-5188355283151339517?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/5188355283151339517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/5188355283151339517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/manuel-fraijo.html' title='Manuel Fraijó'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUIYCO_-RyI/AAAAAAAAB1s/o04nYSRE5cM/s72-c/hanskung.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-422794047918422535</id><published>2011-01-27T21:54:00.001-03:00</published><updated>2011-01-27T21:54:52.699-03:00</updated><title type='text'>Juan José Tamayo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Dez lições que aprendi de Hans Küng&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Artigo é de Juan José Tamayo publicado no jornal espanhol Diario Vasco, 26-01-2011. A tradução é do Cepat.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUITXc8CtPI/AAAAAAAAB1o/fUOUDEH-oPo/s1600/Hans.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUITXc8CtPI/AAAAAAAAB1o/fUOUDEH-oPo/s1600/Hans.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis aqui algumas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Deus.&lt;/strong&gt; Küng (foto)&amp;nbsp;coloca o problema de Deus seguindo os passos do pensamento moderno europeu através de alguns de seus principais filósofos e sistemas de pensamento. Em diálogo com eles e atento às suas críticas, responde com três “sim” à pergunta pela existência de Deus: &lt;em&gt;sim à realidade como alternativa ao niilismo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sim a Deus como alternativa ao ateísmo&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sim ao Deus cristão, que se revela em Jesus de Nazaré&lt;/em&gt;. Analisa também as concepções de Deus nas religiões não cristãs, o judaísmo, o islamismo, o hinduísmo, incluindo a ideia de Deus nas religiões chinesas e a religiosidade não-teísta do budismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;2. Jesus de Nazaré.&lt;/strong&gt; A cristologia de Küng é uma das mais inovadoras e melhor fundadas nas últimas décadas, que contribuiu para recuperar o Jesus histórico e para reformular e interpretar a doutrina sobre Jesus de Nazaré em perspectiva histórica e no contexto dos novos climas culturais. À pergunta pela verdadeira imagem de Cristo responde que o Cristo real, que não é um mito, mas um personagem, cujo contexto sociocultural, mensagem, conflitos com as autoridades políticas e religiosas, morte e nova vida analisa com rigor exegético.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;3. A Igreja.&lt;/strong&gt; Küng se pergunta se a Igreja pode apelar razoavelmente a Jesus e se está fundada no Evangelho. A partir daí elabora uma eclesiologia crítica que parte da Igreja real encarnada no mundo, e não de uma Igreja ideal que se encontra nas abstratas esferas celestes da teoria teológica e destaca sua índole carismática como parte de sua estrutura fundamental. A Igreja não se encontra no mesmo nível que o Reino de Deus, mas está ao seu serviço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;4. O diálogo ecumênico.&lt;/strong&gt; O teólogo suíço vai em busca das convergências entre catolicismo e protestantismo. E o faz falando como católico diante do espelho do Evangelho, desejando que os irmãos protestantes se tornem mais evangélicos, e assim se reencontrar não em torno da figura do papa, mas em torno do Evangelho. Após ler sua tese de doutoramento, Barth só pode se perguntar se todas as guerras de religião, as lutas teológicas e as divisões não teriam sido um imenso erro. Tinha razão!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;5. A unidade das igrejas cristãs.&lt;/strong&gt; As igrejas cristãs não devem se fechar no estreito círculo de sua própria confissão, caindo em um confessionalismo excludente. Deverão se abrir ao ecumenismo em todos os terrenos. A unidade dos diferentes cristianismos não se consegue com o retorno de uma igreja a outra, e menos ainda com a submissão ou rendição de todas a uma. Consegue-se através da mútua aceitação e da conversão de todas a Jesus de Nazaré e à sua mensagem libertadora. Os acordos doutrinais devem vir acompanhados de práticas ecumênicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;6. As mulheres como sujeitos morais, eclesiais e teológicos.&lt;/strong&gt; As igrejas cristãs não podem seguir presas em concepções teológicas que inferiorizam ou consideram menores de idade as mulheres, nem nos modelos organizativos hierárquico-patriarcais, que as excluem do exercício dos ministérios e das funções de direção. Devem ser reconhecidas como sujeitos morais, eclesiais e teológicos e, enquanto tais, com o protagonismo que tiveram no movimento de Jesus e no cristianismo primitivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;7. O diálogo inter-religioso.&lt;/strong&gt; Nenhuma religião pode reivindicar o monopólio da verdade, nem da ética, nem da libertação. Por sua vez, toda religião tem uma verdade originária que, além de verdade teórica e reto conhecimento, se torna verdade na práxis, o reto comportamento e a atitude ética. As religiões podem proporcionar um horizonte global de sentido, inclusive diante da dor, da culpa, e do sem sentido, dar um sentido último à vida frente à morte, garantir valores supremos e motivações profundas e impulsionar manifestações contra as situações injustas. Nesse horizonte se situa a necessidade do diálogo inter-religioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;8. O projeto de ética mundial.&lt;/strong&gt; Küng é pioneiro na proposta de uma ética mundial na era da globalização, na qual hão de convergir as religiões e as ideologias seculares, em torno das seguintes tarefas: defesa da vida, trabalho pela paz, proteção do meio ambiente, cultura da não violência, da solidariedade, da tolerância, de uma vida veraz, da igualdade e da colaboração entre homens e mulheres. Propõe uma ética mundial para a economia e a política, que critica as situações realmente existentes, apresenta alternativas construtivas e racionalmente realizáveis, assim como impulsos para a sua realização. Nesta ética hão de convergir as religiões e as ideologias seculares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;9. Renúncia a servir ao sistema romano.&lt;/strong&gt; Küng nunca se viu tentado a entrar no serviço do sistema romano. Se o tivesse feito, como o fizeram outros colegas seus, teria que ter dito sim e amém a muitas coisas contrárias à sua consciência e teria vendido sua alma pelo poder da Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;10. Liberdade, verdade e veracidade.&lt;/strong&gt; Que orientações segue hoje a vida de Küng? Ele mesmo responde: &lt;em&gt;“Continuo resistindo em aras da verdade, tendo a liberdade em alta estima, avançando na pesquisa e lutando por uma Igreja que não se considere a si mesma infalível&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-422794047918422535?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/422794047918422535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/422794047918422535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/juan-jose-tamayo.html' title='Juan José Tamayo'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TUITXc8CtPI/AAAAAAAAB1o/fUOUDEH-oPo/s72-c/Hans.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-2942247749473616253</id><published>2011-01-24T08:56:00.001-03:00</published><updated>2011-01-24T08:57:44.656-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Pe. José Comblin</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TT1oxVX6UdI/AAAAAAAAB1k/sgFyNp1RWTY/s1600/jose-comblin.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="151" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TT1oxVX6UdI/AAAAAAAAB1k/sgFyNp1RWTY/s200/jose-comblin.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;''A Igreja Católica suspeita da democracia''&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pode parecer curioso que um sacerdote indique que Marx "foi o primeiro filósofo cristão". Essa é a posição que José Comblin (foto)&amp;nbsp;tem a respeito da sustentação do cristianismo, religião que, com a influência de filósofos como Aristóteles, naturalizou a ordem do mundo, até se convencer de que não é possível mudá-lo, já que foi dado por Deus.&amp;nbsp; A reportagem é de Cristóbal Cornejo, publicada no sítio El Ciudadano, 20-01-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido na Bélgica (1950), Comblin se doutorou em teologia na Universidade de Louvain (capital do país). Viveu no Brasil e, em 1972, expulso pela ditadura, foi ao Chile para ensinar na Universidade Católica. No entanto, em 1981, Pinochet lhe impediu de reingressar depois de uma viagem, por isso voltou para o Brasil, onde trabalhou nessa década com comunidades de base. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor caracteriza Jesus Cristo? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele vem mostrar em sua vida o que é a nova humanidade e anunciar a transformação. Busca os que sofrem, os doentes, os que não tiveram sorte. Depois, anuncia aos pobres que a situação mudará, que tenham confiança e força, porque eles têm a sabedoria de Deus e a entendem. Por outro lado, os ricos e poderosos nunca entendem e não querem entender. Eles defendem seus privilégios e nada mais. Depois, ele reuniu uma comunidade e lhes deu uma recomendação básica fundamental: que ninguém queira ser mais do que os outros. Isso basta, é a única instrução. Se respeitarem isso, todo o resto funciona. Depois, denunciou a todos os que mantêm o sistema de dominação, e que o defendem, porque lhes beneficia. Por fidelidade a essa mensagem, todas as autoridades de Israel querem matá-lo e vão pôr-se de acordo com o governador romano que, de fato, sente que ele é um revolucionário que ameaça seu sistema e ao qual é melhor suprimir. Jesus mostrou o caminho para construir um mundo novo, não só para salvar a alma, que é mais fácil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como se projeta a imagem desse Jesus na Igreja Católica que se institui? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um momento crítico, os imperadores romanos adotaram o cristianismo como religião do Estado. E isso está muito longe do evangelho de Jesus! Começam a representar Jesus em mosaicos vestido como Imperador, com as insígnias do poder, com o manto imperial, o que, por sua vez, confirma o poder do Imperador. Aí, aparece todo um sistema de culto que não existia, porque as religiões anteriores ofereciam sacrifícios, tinham templos, mas os cristãos não. Com esse sistema, todo o mundo é obrigado a ser cristão, as pessoas se batizam porque a polícia os está vigiando, e assim aparece um monte de discípulos de Jesus que, na realidade, não o entendem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;E qual é o papel dos sacerdotes?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tarefa da organização eclesiástica é de cuidar da transmissão da fé, mas, na prática, fazem isso à medida que não seja um perigo para a sua carreira. No momento em que é um perigo, &lt;em&gt;há coisas que é melhor não dizer nem explicar. Não dizem que Jesus morreu porque lutou contra todos os dominadores e denunciou o sistema. Dizem que sacrificou sua vida para que Deus perdoe os pecados das pessoas, e ninguém se sente ameaçado&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor vê o momento atual da Igreja Católica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste momento, sua preocupação principal é se manter, continuar, já que há muitos que foram embora. Estão buscando manter sua posição de poder, embora, na prática, isso não tenha muita influência. Estão preocupados em reconquistar a influência que tinham antes, embora não saibam como fazer isso. Quanto ao mundo exterior, não há muita preocupação. Entrar em conflito com os poderes dominantes? Isso não, nada disso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Igreja teve alguma vez a possibilidade de impulsionar a mudança social? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como instituição não, só mudança social até o ponto em que as classes dirigentes aceitam. Daí a confrontar... isso é feito por algumas pessoas, alguns padres, alguns bispos, mas não a instituição. Toda instituição tende a permanecer, essa é a sua natureza, não ter conflitos com outros poderes. Por isso, o melhor seria a instituição mais frágil possível, ter o necessário para manter a unidade e a organização, sem concentração de poder, com dispersão, que cada lugar possa se organizar e definir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O que lhe parece a figura e a liderança do Papa Bento XVI? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele é mais discreto do que o anterior, não tem o mesmo carisma, nem o desejo de se mostrar tanto. É um intelectual, dedica o tempo para estudar. Não conhece muito sobre as realidades dos povos. É muito amável, muito acolhedor, mas nas ideias é muito tradicional, conservador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;E sobre suas relações com o nazismo?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que todo sistema é autoritário. Na democracia, critica-se discute-se, vota-se e decidem-se coisas, mas a Igreja não gosta disso, tem medo. A Igreja suspeita da democracia, por isso um sistema autoritário coincide melhor com seus interesses, porque aí tudo se decide conversando com o ditador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Em que difere a concepção da Igreja sobre o pecado da que Jesus teve? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando judeus se tornaram discípulos de Jesus, eles traziam toda a sua herança, muito concentrada no Antigo Testamento: a insistência de fazer com que as pessoas aplicassem toda a moral e todas as normas e as regras. Jesus não se preocupou muito com o pecado, porque Deus perdoa. Ele teve simpatia pelos pecadores, porque eram menosprezados, mal considerados. Deu-lhes mais ânimo, valor e força. O pecado é o sistema de dominação que reaparece sempre em toda a história, o contrário da fraternidade e do amor. Toda forma de dominação que diminui a vida é matar o outro, isso é dominação, opressão, pecado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Se Jesus estivesse vivo, onde estariam postas as suas energias? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jesus queria mudar este mundo. Iria buscar as pessoas simples e pobres, porque com os ricos é inútil. Eles não vão querer mudar, estão aproveitando bem. Iria buscar os pobres, criaria comunidades, lhes daria o sentido de sua dignidade, de seus direitos, de lutar por uma vida melhor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Quando o senhor fala de mudar o mundo, fala de revolução social? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, de mudar a humanidade, a forma de se relacionar entre as pessoas, isso é o que é preciso mudar. Como fizeram as comunas medievais, as comunidades de base, as empresas cooperativas, em que todos participam. No final, o império cairá como todos os anteriores, e os oprimidos se libertarão graças à sua luta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-2942247749473616253?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2942247749473616253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2942247749473616253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/entrevista-pe-jose-comblin.html' title='Entrevista - Pe. José Comblin'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TT1oxVX6UdI/AAAAAAAAB1k/sgFyNp1RWTY/s72-c/jose-comblin.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-2707382822329404895</id><published>2011-01-21T22:33:00.000-03:00</published><updated>2011-01-21T22:33:44.702-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Monsenhor Jacques Gaillot</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Não é a velha Europa que dá o exemplo, é a América Latina&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTozitLXS5I/AAAAAAAAB1Y/lQgtsL5wsxo/s1600/monsenhorjacques.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="132" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTozitLXS5I/AAAAAAAAB1Y/lQgtsL5wsxo/s200/monsenhorjacques.bmp" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;São poucos os franceses que conhecem o nome da máxima autoridade da Igreja Católica no país, mas a imensa maioria sabe quem é o Monsenhor Jacques Gaillot (foto). Homem, de olhar sereno e voz pausada, que fez de sua vocação religiosa uma opção pelos direitos humanos, especialmente os direitos dos pobres e priosineiros da injustiça. Em entrevista ao jornalista Hernando Calvo Ospina, Gaillot denuncia o clima de injustiça reinante na França hoje, diz que a Igreja Católica virou às costas para o povo pobre e caminha&lt;/em&gt; &lt;em&gt;para virar uma seita, e aponta a América Latina como a região que deve servir de exemplo para os que lutam contra a injustiça. Hernando Calvo Ospina é&amp;nbsp;jornalista colombiano residente na Europa, autor de vários livros, entre os quais: Salsa, Don Pablo Escobar, Perú: los senderos posibles y Bacardí: la guerra oculta. Tradução: Katarina Peixoto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Carta Maior&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O que significou para você ter vivido essa guerra?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta experiência começou a mudar a minha vida. Ali me encontrei com o Islã, uma religião muito diferente da católica e sobre a qual nada conhecia. Fiquei sabendo que os muçulmanos tinham fé em um Deus, que oravam e que eram hospitaleiros. Eles foram como meus irmãos. Esta interreligiosidade influiu em minha fé. Também vivi a violência da guerra, razão pela qual fui me convertendo em um militante da não violência. Realmente, a Argélia foi um seminário para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Após 22 meses na Argélia, você foi enviado a Roma e, em 1961, foi ordenado sacerdote. Até que, em 1982, foi nomeado bispo da cidade de Evreux, na França. Mas em 13 de janeiro de 1995, o Vaticano decidiu retirar-lhe essa missão pastoral. O que aconteceu?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns dias antes dessa data fui chamado a comparecer diante das autoridades do Vaticano sem saber por quê. Ante minha incredulidade, em algumas horas fui declarado culpado e, em menos de um dia, foi decretada minha expulsão da diocese. O cardeal Bernardin Gantin, prefeito da Congregação dos Bispos, me propôs que eu assinasse minha demissão e assim poderia manter o título honorífico de bispo emérito de Evreux. Não assinei nada. Então me nomearam bispo de Partenia, uma diocese que não existe desde o século V, situada na atual Argélia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com minhas poucas roupas deixei a diocese de Evreux. Como não tinha onde ficar, me instalei durante um ano em um prédio recuperado por famílias sem teto e estrangeiros sem documentos, em Paris. Depois fui acolhido por uma comunidade de missionários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O que levou o Vaticano a tomar uma decisão tão drástica? Talvez suas posições políticas e compromissos sociais? Porque, vejamos: em 1983, foi um dos bispos que não votou a favor de um texto episcopal sobre a dissuasão nuclear. Em 1985, apoiou o levante palestino nos territórios ocupados por Israel, além de se encontrar com Yasser Arafat em Tunís. Em 1987, preferiu viajar até a África do Sul para visitar um preso, militante contra a segregação racial, ao invés de ir à peregrinação pela Virgem de Lourdes. Em 1988, defendeu na revista “Ele” a ordenação de homens casados. No mesmo ano se declarou a favor de dar a benção a homossexuais. No dia 2 de fevereiro de 1989, publicou na revista “Gai Pied” um artigo intitulado “Ser homossexual e católico”. Desde 1994, você se envolveu diretamente na fundação de associações de apoio a marginalizados, passando a ser conhecido como “O bispo dos sem”: sem documentos, sem teto...Não acredita que isso já seja o suficiente para conseguir inimigos entre os círculos de poder eclesiástico e civil?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda que siga sem provas concretas até hoje, fontes confiáveis me disseram que o governo francês, em particular o ministro do Interior da época, Charles Pascua, tem a ver com a decisão do Vaticano. Não esqueçamos que, na França, este ministério está encarregado dos Cultos. Tenho certeza que um livro meu contra a lei de imigração foi a gota d’água que entornou o copo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Vaticano e o governo francês quiseram me isolar. Mas em 1996, no primeiro aniversário de minha partida de Evreux, alguns amigos criaram na internet a Associação Partenia (1), fazendo de mim um “bispo virtual”. Não imaginaram que eu iria acabar animando a única diocese em expansão, com mais fiéis no mundo e em diferentes idiomas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imediatamente agradeci ao Vaticano e a Pascua, porque eles me fizeram dar mais passos na direção da outra margem, onde encontrei outra vida. Agora tenho toda a liberdade, vivo na ação com os excluídos da sociedade. Posso viver com as pessoas, compartilhar suas alegrias e suas angústias. Tem sido maravilhoso conhecer todas as pessoas que conheci. Enquanto isso, Pascua está sendo processado por vários delitos e a Igreja a cada dia perde mais cristãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como, você avalia atualmente a Igreja Católica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Igreja nos ensinou que Deus quis trazer-nos as desgraças e assim nos leva à resignação. Isso não é cristão. A Igreja procura fazer Deus intervir para nos forçar a obedecer e a não pensar. Muitos discursos sobre Deus falam dele, mas quando alguém fala bem do ser humano, isso me diz muito de Deus. A Instituição segue impávida em seu pedestal, longe do povo e de Deus. A seguir assim, se converterá em uma seita, porque muitas pessoas estão partindo para outras religiões. A Igreja vive uma hemorragia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Igreja deve mudar, modernizar-se, reconhecer que os casais têm direito a se divorciar e a usar a camisinha, que as mulheres podem abortar, que homens e mulheres podem ser homossexuais e se casar, que as mulheres podem chegar ao sacerdócio e ter acesso às esferas de decisão. Deve-se revisar a disciplina do celibato para que os sacerdotes possam amar como qualquer outro ser humano, sem ter que viver relações clandestinas, como delinquentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A situação atual é perversa e destruidora tanto para os indivíduos como para a Igreja. O Vaticano é a última monarquia absoluta da Europa. A Igreja deve aceitar a democracia em todos os níveis. E deve mudar de modelo porque o atual não é evangélico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O que você pensa da Teologia da Libertação, que teve um desenvolvimento importante na América Latina?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me interessei por ela porque é uma teologia que fala dos pobres. Não se fala da liturgia, nem do catecismo, nem da Igreja; fala-se do povo pobre. Ensina que são os próprios pobres que devem tomar consciência da necessidade de sua libertação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns de nós fomos muito tocados pelos ensinamentos de Dom Helder Câmara, no Brasil, um grande teólogo (2); do Monsenhor Leónidas Proaño, no Equador (3); de Oscar Romero, em El Salvador, e outros sacerdotes latino-americanos, principalmente. Para mim foi um choque brutal quando Romero foi assassinado celebrando a missa, em 24 de março de 1980. Ele havia deixado a Igreja dos poderosos para estar com os pobres. Achei admirável essa conversão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na América Latina, existiram alguns padres e freiras que pegaram em armas (4). Eu respeito sua decisão, não os julgo, ainda que não esteja de acordo com ela por ser um adepto da não-violência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente, a Teologia da Libertação é perigosa para os poderosos. Quando os pobres são submissos aceitam seu triste destino, então não há nada que temer, são pão abençoado para os poderosos. Os detentores do poder podem dormir tranquilos. Mas se os pobres despertam e adquirem consciência de sua condição, convertendo-se em atores da mudança, então isso produz medo no poder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que é terrível quando os pobres tomam a palavra e questionam a instituição eclesiástica. No mesmo instante, ela diz: “Atenção, cuidado com esses comunistas”. Porque sempre prevaleceu a obsessão da infiltração comunista. Por isso, regularmente, as ditaduras, os governos repressivos e o Vaticano se unem em um combate comum. Infelizmente não existem muitos rebeldes na Igreja, porque a instituição sempre formou para a obediência e para a submissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Como você vê a situação social e econômica na França hoje?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu julgo uma sociedade em função do que ela faz pelos mais desfavorecidos. E é claro que eu só posso fazer um juízo severo, porque na França não se respeita a todos os seres humanos. Para mim o problema número um é a injustiça que reina por toda parte. Os que estão no poder não investem nos pobres. Temos um governo que só favorece os ricos. Por isso temos três milhões de pobres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muitos de nossos cidadãos acreditam que os trabalhadores ilegais se aproveitam do sistema, sem saber que eles recebem o formulário de impostos em suas casas. Ou seja, eles são conhecidos pelo governo, mas como não estão com os papéis em dia não podem se beneficiar de nenhuma ajuda social. Isso é uma extorsão por parte do Estado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E a Igreja o que faz? Tomemos como exemplo o que ocorreu em 23 de agosto de 1996, quando quase mil policiais das forças especiais forçaram a ponta de machado as portas da Igreja Saint-Bernard-de-la-Chapelle em Paris, tirando a força 300 estrangeiros em situação irregular. Eu estava escandalizado e desgostoso porque o próprio bispo havia pedido sua expulsão. E quando alguém expulsa humanos que se protegem em uma igreja, está dessacralizando essa igreja. Desgraçadamente, isso continua acontecendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que se faz com os estrangeiros ilegais? São jogados em centros de detenção, e recebem um tratamento próprio de campos de concentração. Isso é o que ocorre hoje na França. Nas prisões, ocorre um suicídio a cada três dias. É um número enorme. O único horizonte para muitos desses presos é o suicídio, Nunca se viu algo igual. Na Europa, a França tem o recorde de suicídios por enforcamento na prisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;E o discurso sobre a crise econômica, onde se situa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta crise, não são os ricos que estão em crise, são os mais pobres. Protestamos o ano passado contra as leis propostas pelo governo porque elas penalizavam os pobres. Hoje, muitos franceses só vão ao médico, ao dentista, ao oftalmologista quando é algo verdadeiramente de urgência. E às vezes já é tarde. Os direitos sociais estão sendo eliminados. E a crise atinge as famílias. Se alguém comprou uma casa, perde o trabalho e não arruma outro, deve revendê-la. Isso traz muitos problemas de droga e delinquência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A moradia social não é uma prioridade política, porque aqueles que estão no poder possuem boas mansões. Constrói-se pouco e as pessoas não sabem aonde ir, restando-lhes as ruas ou algum sótão insalubre. E isso não importa, ainda que existam muitos edifícios vazios em Paris. Quando chega o inverno, o governo fala de “planos”. Então, abrem-se ginásios ou algumas salas para abrigar os milhares que não tem onde morar. Mas esses “planos” não são solução para o frio. A solução é construir habitações dignas. É uma vergonha, é desumano e não é cristão deixar que centenas de pessoas morram de frio nas calçadas e ruas da França.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como disse o escritor Victor Hugo: “Fazemos caridade quando não conseguimos impor a justiça”. Porque não é de caridade que necessitamos. A justiça vai às causas; a caridade, aos efeitos. Eu não estou dizendo que não se deve ajudar com um prato de sopa ou um abrigo a quem está nas ruas. Existem urgências. Eu faço isso, mas minha consciência não fica tranquila, porque penso que devemos lutar contra as causas estruturais que prendem essas pessoas na injustiça. O mais triste é que as pessoas vão se acostumando com a injustiça. E eu digo: Despertem! Tenham vergonha! Vamos nos indignar contra a injustiça!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, a injustiça está presente por toda a França. Existem oásis de riqueza, de luxo exorbitante, e extensos guetos de miséria. Na França, há uma violação flagrante dos Direitos Humanos. Por isso devemos combater, para que os direitos das pessoas sejam respeitados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ano passado, ocorreram manifestações massivas de protesto contra diferentes projetos do governo, que se fez de surdo para o barulho das ruas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu acredito que, quando não se respeita o povo que se expressa nas ruas, não se tem em conta o futuro. Na França, ficou um sentimento de raiva. Isso não pode seguir assim. Não se pode seguir metendo a polícia por todas as partes para conter a inconformidade do povo. Isso está nos levando na direção de um regime policial. A injustiça não traz paz. É exatamente o contrário. Existe fogo sob uma panela que querem manter fechada. Ela pode explodir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;As suas lutas pela justiça não se dão só na França. Sua palavra e ação se manifestam em outros lugares também. Poderia dar alguns exemplos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguimos lutando pelos direitos do povo palestino. Israel é um Estado colonialista que rouba terra palestina e exclui esse povo pela força. Há mais de 60 anos que a Palestina vive sob a ocupação israelense e a injustiça. E a chamada “comunidade internacional” faz bem pouco ou nada. Por isso estamos nos mobilizando em todas as partes para exercer uma pressão sobre o governo israelense. E uma das ações é boicotar os produtos vindos de Israel, principalmente aqueles que são produzidos nos territórios ocupados. Cerca de 50 produtos agrícolas são produzidos na Palestina para benefício israelense. Enquanto os palestinos viverem na injustiça, não haverá paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuba. Este é um país que tem futuro. Eu pude constatar que é um povo digno, corajoso e solidário. Em Cuba pode haver pobreza, mas não existe a miséria que se vê em qualquer país da América Latina, ou na França, ou nos Estados Unidos. Apesar do bloqueio imposto pelos EUA, todos têm saúde e educação gratuita, e ninguém dorme nas ruas. É incrível!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu faço parte do Comitê Internacional pela Libertação dos Cinco Cubanos presos nos EUA. Eles lutaram contra as ações terroristas que estavam sendo preparadas em Miami. Resolvi participar do Comitê porque me dei conta da injustiça cometida contra eles e que não pode ser tolerada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Qual a sua avaliação sobre a maneira pela qual a imprensa francesa trata os processos sociais e políticos alternativos que se desenrolam na América Latina? Por que essa imprensa tem a tendência a ridicularizar presidentes como Evo Morales e Hugo Chávez?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse comportamento da imprensa deve-se ao fato de que, regularmente, a França apóia a quem não deveria apoiar. É uma questão de interesses. Estes presidentes não fazem o que os ricos querem, assim a França se coloca ao lado dos ricos. É como faz na África também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, a participação das mulheres latino-americanas na política é sensacional. Uma mulher na presidência do Brasil é algo extraordinário! Na França, não fomos capazes nem de ter uma primeira ministra: somos tão machos! Ah, sim, uma vez tivemos a senhora Edith Cresson, mas ela não pode ficar por muito tempo já que tentaram massacrá-la em função de sua condição de mulher. Somos machos e vulgares como não se pode imaginar! Hoje, não é a velha Europa que dá o exemplo, é a América Latina. Devemos olhar para lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Duas últimas perguntas: o que outros altos membros da Igreja Católica pensam do senhor? E, como cidadão e ser humano, vê alguma alternativa para a situação social da França?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em geral, minhas relações com os outros bispos são cordiais, ainda que alguns prefiram me ignorar. Não me enviam nenhum documento da Conferência Episcopal, não me convidam para a assembleia anual em Lourdes. Tampouco dizem o porquê, e eu também não perguntei, embora outros sacerdotes tenham perguntado, sem receberem uma resposta até hoje. Às vezes, isso não é confortável, mas o que me conforta é que estou em paz com minha consciência, por dizer o que penso, por denunciar a injustiça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto à segunda pergunta, tenho confiança e esperança nos homens e mulheres. Vamos seguir avançando. Existem movimentos cidadãos que estão criando um tecido associativo alternativo. Vejo muitas lutas que nascem e se desenvolvem pouco a pouco. É formidável! Cada um deve encontrar o caminho onde outros lutam. A unidade: é isso que pode ajudar a salvar a democracia e os direitos das pessoas. Eu tenho esperança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;1) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.partenia.com/"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;http://www.partenia.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;2) Foi arcebispo de Olinda e Recife. Morreu em 27 de agosto de 1999.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;3) Chamado de « Bispo dos Índios », e também de « O bispo vermelho». Exercia seu trabalho pastoral na cidade de Riobamba. Morreu em 31 de agosto de 1988.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;4) Vários sacerdotes e freiras somaram-se às guerrilhas. O precursor foi Camilo Torres, na Colômbia, que morreu em combate em 15 de fevereiro de 1966. Na Nicarágua, durante a guerra contra a ditadura de Somoza, muitos seguiram seu exemplo, sendo Ernesto Cardenal o mais famoso.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-2707382822329404895?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2707382822329404895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/2707382822329404895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/entrevista-monsenhor-jacques-gaillot.html' title='Entrevista - Monsenhor Jacques Gaillot'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTozitLXS5I/AAAAAAAAB1Y/lQgtsL5wsxo/s72-c/monsenhorjacques.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-3307698985377099915</id><published>2011-01-21T22:15:00.000-03:00</published><updated>2011-01-21T22:15:53.319-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Pe. Thomas Reese</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O declínio das vocações é a forma de Deus 'desclericalizar' a Igreja&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTon9jwAxjI/AAAAAAAAB1U/8zSbU0bvcfU/s1600/petomasreese.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTon9jwAxjI/AAAAAAAAB1U/8zSbU0bvcfU/s1600/petomasreese.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thomas J. Reese (foto)&amp;nbsp;entrou para a Companhia de Jesus em 1962, tendo sido ordenado em 1974. É membro sênior do Woodstock Theological Center, centro jesuíta independente de pesquisa teológica da Universidade de Georgetown, em Washington. É mestre em ciências políticas pela Universidade de St. Louis e em teologia pela Escola Jesuíta de Teologia de Berkeley. Possui doutorado em ciências políticas pela Universidade da Califórnia. Entre 1998 e 2005, foi o editor-chefe da revista America, a renomada revista católica dos EUA, fundada em 1909. Porém, por pressão do Vaticano, que discordava de suas decisões editoriais, principalmente com relação a temáticas como o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres, Reese pediu para deixar o cargo. É autor de diversos livros que examinam a política e a organização eclesial. Em português, publicou O Vaticano por Dentro: A Política e a Organização da Igreja Católica (Edusc, 1998). Por Moisés Sbardelotto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Neste início da segunda década do século XXI, como o senhor avalia os episódios ocorridos em 2010 no Vaticano? Que expectativas centrais o senhor tem para 2011?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – O que é surpreendente com relação às notícias que surgiram sobre o Vaticano, no ano passado, é como o Papa teólogo foi forçado a desempenhar um papel no cenário internacional. Joseph Ratzinger era um teólogo acadêmico, mais confortável em uma biblioteca e em uma sala de aula do que em uma coletiva de imprensa ou em uma negociação diplomática. No entanto, os eventos o obrigaram a assumir um papel para o qual ele nunca foi treinado. A violência contra cristãos no Oriente Médio, Ásia e África, o secularismo agressivo na Europa, os terremotos no Haiti e um colapso econômico mundial não estão na agenda normal de um teólogo, mas foram lançados sobre o Papa como o líder de 1,1 bilhão de católicos. Infelizmente, este ano provavelmente será mais do mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Em 2010, Bento XVI também publicou seu livro-entrevista &lt;em&gt;Luz do Mundo&lt;/em&gt;. Que face de Bento XVI surge desse livro, além dos seus gestos e pronunciamentos ao longo do ano?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – Bento, em seu coração, é um professor. Se ele pudesse, ele iria gastar seu tempo mais escrevendo e menos em reuniões com líderes mundiais. Francamente, ele é um professor melhor do que o Papa João Paulo II, cujos escritos eram muitas vezes ininteligíveis até mesmo para os leitores instruídos. Bento XVI é mais acessível como professor quando responde a perguntas, como ele faz em seu novo livro &lt;em&gt;Luz do Mundo&lt;/em&gt;. Ele é capaz de extrair uma riqueza de conhecimento e explicar as questões para as pessoas. Às vezes, ele também deseja falar como um simples teólogo (sujeito à correção) e não como Papa. Embora muitas pessoas achem isso refrescante, algumas autoridades do Vaticano não gostam, porque acreditam que isso reduz a mística de sua autoridade. Elas também objetam que seu livro foi publicado sem ser revisto e revisado dentro do Vaticano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses funcionários curiais têm razão. Depois de décadas tratando cada palavra de um Papa como escritura sagrada, é difícil para os católicos simples entenderem que algo que o Papa diz pode estar aberto ao debate. No curto prazo, isso é confuso e, no longo prazo, será saudável para a Igreja. Também é constrangedor quando as palavras do Papa não são claras, como foi com o trecho sobre os preservativos, que exigiu uma semana de esclarecimentos para explicar o que ele quis dizer. Se ele, que não é um teólogo moral, tivesse consultado teólogos morais na elaboração de seus parágrafos sobre os preservativos, essa confusão poderia ter sido evitada. Por outro lado, a sua vontade de dizer que, sob certas circunstâncias, o uso de preservativos por pessoas com Aids pode ser moralmente responsável foi uma ruptura corajosa com o passado. Se ele tivesse consultado a burocracia do Vaticano, ele poderia não ter dito isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que os discursos e os livros de Bento XVI mostram é um teólogo que, às vezes, se expressa com confiança, sem necessariamente se consultar com alguém dentro ou fora do Vaticano. Isso lhe permite falar em um estilo menos burocrático, mas também o coloca em apuros quando ele diz algo que um crítico amável poderia tê-lo protegido de dizer, por exemplo o que ele disse em sua visita ao Brasil, que o colonialismo foi uma bênção para a índios da América Latina por ter trazido o cristianismo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Qual a sua análise da Visitação Apostólica às religiosas dos EUA? Já se tem algum resultado prévio? Está sendo uma iniciativa válida, em sua opinião?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – Durante décadas, os católicos conservadores falaram mal das religiosas dos EUA. Alguém poderia ter a impressão de que todas elas são bruxas que celebram a missa sem um sacerdote. Infelizmente, o Vaticano ouve esses conservadores. Na verdade, as religiosas dos EUA são mulheres majoritariamente generosas e dedicadas, que trabalharam arduamente para implementar o &lt;strong&gt;Vaticano II&lt;/strong&gt; em suas comunidades e ministérios. Elas cometeram algum erro? Claro que sim. Mas elas também aprenderam com os seus erros. Elas estão constantemente refletindo sobre como podem viver melhor o Evangelho e seus carismas particulares. A maioria delas é a favor da ordenação de mulheres? Certamente, assim como a maioria dos católicos norte-americanos. Elas estão fugindo e sendo ordenadas? Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A maioria dos católicos norte-americanos tem uma visão muito positiva das irmãs, com base em sua experiência com elas nas paróquias, escolas e hospitais. As irmãs são amadas e respeitadas. Quando os bispos norte-americanos fizeram uma coleta especial para criar um fundo de aposentadoria para as irmãs idosas, a coleta arrecadou mais do que todas as outras coletas nacionais somadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grande parte do problema com a visitação foi a forma com ela foi instigada. Não houve consulta com as irmãs sobre isso, embora as lideranças nacionais das irmãs estivessem em Roma um mês antes da visitação ser anunciada. O objetivo da investigação não foi bem explicado. A impressão que ficou é que as religiosas haviam ficado loucas, e que os homens iriam endireitá-las. Muitos leigos pensaram que não eram as irmãs, mas sim os bispos norte-americanos que deveriam ser submetidos a uma investigação do Vaticano por causa da sua má gestão da crise dos abusos sexuais. As pessoas erradas estavam sendo investigadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Em 2010, foi nomeado o novo secretário da Congregação para a Vida Religiosa, o norte-americano Joseph Tobin, e recentemente o Papa indicou o brasileiro João Bráz de Aviz como prefeito desse dicastério. Como o senhor recebe essas indicações? Que rumos e tendências Bento XVI deseja para a vida religiosa?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – As religiosas norte-americanas têm respondido muito positivamente à indicação do arcebispo Tobin como secretário da &lt;em&gt;Congregação para os Religiosos&lt;/em&gt;. Mesmo antes de se apresentar em Roma, ele reconheceu que a visitação estava com problemas e disse que iria ouvir as irmãs e transmitir suas opiniões a Roma. Palavras francas como essas de um recém-indicado ao Vaticano são inéditas. A nomeação de Dom João Braz de Aviz como prefeito só pode ser uma melhoria com relação ao cardeal [Franc] Rodé, que foi um desastre completo. As opiniões de Rodé acerca da vida religiosa eram pré-Vaticano II. Se o novo prefeito se aproximar das irmãs norte-americanas com uma mente aberta e ouvir o arcebispo Tobin, a crise será evitada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Em sua opinião, qual o papel da vida religiosa hoje, especialmente das grandes e tradicionais congregações, como os dominicanos, franciscanos, jesuítas etc.?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – O papel das congregações religiosas é providenciar uma base institucional para os carismas a serviço da comunidade cristã. Enquanto a hierarquia proporciona estrutura e estabilidade para a Igreja, as comunidades religiosas proporcionam criatividade e espontaneidade. Quando a Igreja hierárquica se torna burocrática, a vida religiosa providencia espaço para a inovação e a reforma. Não é de surpreender que a história da Igreja narra inúmeros conflitos entre as congregações religiosas e os bispos. As congregações religiosas são muitas vezes locais de teste para a teologia, para as devoções e os ministérios, que, se se provarem bem-sucedidos, podem ser implementados em todo o mundo na Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, hoje existe claramente um declínio no número de religiosos no Norte global e até mesmo em partes do Sul global. A maior conscientização e respeito ao papel dos leigos e à vocação da vida matrimonial abalou o mito de que a vocação religiosa é, de alguma forma, melhor ou mais santa. Os pais com poucos filhos não incentivam as vocações. Considerando que a vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa de uma família analfabeta levava a um melhor status social no passado, hoje uma vocação é vista, às vezes, como um rebaixamento cultural. O crescente afastamento dos jovens da Igreja também tem o seu preço. As congregações religiosas da primeira metade do século XXI serão muito menores do que as de meados do século XX. O declínio das vocações pode ser uma forma de Deus forçar a Igreja a empoderar os leigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, o século XXI oferece novas oportunidades para a vida religiosa. O aquecimento global e outras questões ambientais certamente exigem uma sensibilidade franciscana para com a natureza e um estilo de vida simples. Da mesma forma, a espiritualidade inaciana do discernimento e de encontrar Deus em todas as coisas pode oferecer uma abordagem às novas questões que podem surgir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Por outro lado, como o senhor analisa os novos movimentos religiosos? A que realidades e necessidades concretas do nosso tempo eles respondem? Quais são suas limitações?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – Os novos "movimentos" não têm sido muito bem sucedidos nos Estados Unidos, por isso minha resposta será tentativa. Um razão pela qual os movimentos não têm sido bem sucedidos aqui é que a vida paroquial nos EUA é muito mais viva do que na Europa. Desde o início do catolicismo nos EUA, os padres foram próximos do seu povo. Desde o início, os bispos e padres dependeram dos seus paroquianos, e não do Estado, para apoio financeiro. Depois do &lt;strong&gt;Concílio Vaticano II&lt;/strong&gt;, também tivemos programas de renovação paroquial de sucesso, como o "&lt;em&gt;Renew&lt;/em&gt;", que começou na Arquidiocese de Newark. Como resultado, as paróquias norte-americanas têm uma vitalidade, uma riqueza de ministérios e um senso de comunidade que está ausente na Europa, onde os movimentos surgiram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os movimentos religiosos surgiram em resposta a uma necessidade sentida de comunidade, espiritualidade e participação ativa no ministério. Quando as paróquias não atendem a essas necessidades, então as pessoas se voltam para os movimentos ou para outras Igrejas, como os evangélicos. Assim como as ordens religiosas, os movimentos também podem oferecer inovação e criatividade. Eles também podem ser locais de teste para novas ideias e práticas, embora &lt;strong&gt;a maioria dos movimentos tendam a ser bastante tradicionais, o que os levou a servir aos que já estão salvos em vez dos mais afastados&lt;/strong&gt;. Resta saber se eles poderão perdurar a longo prazo, sem o compromisso permanente e a longa formação dos religiosos professos. Serão divididos pelas facções e pelas políticas internas? Seus membros e suas lideranças irão envelhecer ao longo do tempo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – Como jesuíta, como o senhor analisa os cenários futuros da Companhia de Jesus nos EUA e no mundo? Que ações ainda são necessárias para uma ação mais eficaz?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Thomas Reese&lt;/strong&gt; – Qualquer pessoa que prediz o futuro pode ter certeza de apenas uma coisa: vai estar errado. Se em 1970 alguém tivesse me dito que, na virada do século, os jesuítas norte-americanos abririam mais escolas de ensinos fundamental e médio, eu perguntaria o que eles estavam fumando. De fato, abrimos ou financiamos dezenas de escolas Cristo Rey &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;[1]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e Nativity &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;[2]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, quando, na década de 1970, falávamos em fechar escolas. Essas escolas não saíram de nenhum plano nacional. As primeiras foram fundadas por indivíduos criativos, com o apoio de seus provinciais. As escolas funcionaram e foram replicadas por outros. As congregações gerais podem oferecer visão e inspiração, mas os novos ministérios vêm de indivíduos criativos que respondem às oportunidades e são encorajados e apoiados por suas comunidades. &lt;strong&gt;Infelizmente, a Igreja de hoje não é boa para encorajar a criatividade&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com um menor número, será difícil para que a Companhia [de Jesus] faça tudo o que queremos fazer. Com os números projetados, não será possível provermos nossas escolas com pessoal. Educamos os leigos, e agora entregamos as nossas escolas para eles. Esse é um sinal de sucesso, assim como de diminuição. &lt;strong&gt;Talvez, o declínio das vocações é a forma de Deus “desclericalizar” a Igreja. Quanto menos padres e religiosos houver, mais os leigos devem se lançar para fazer o trabalho da Igreja&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas enquanto a Companhia for verdadeira para com os &lt;strong&gt;Exercícios Espirituais&lt;/strong&gt; de Santo Inácio, enquanto estivermos abertos para discernir os movimentos do Espírito, vamos encontrar formas de servir a comunidade cristã e construir o reino de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;1.&lt;/strong&gt; A rede de escolas Cristo Rey Rede é composta por 24 escolas de ensino médio para jovens que vivem em comunidades urbanas com poucas opções educacionais. Hoje, possuem 6.500 alunos, que de outra forma não teriam acesso à educação. A missão das escolas é possibilitar a entrada dos alunos Cristo Rey no ensino superior. A rede foi fundada em 2001, quando os líderes de Portland, Oregon, Cleveland, Denver e Nova York procuraram uma forma de repetir o sucesso da escola jesuíta de ensino médio Cristo Rey, de Chicago.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;2.&lt;/strong&gt; As escolas da rede Nativity começaram com os jesuítas de Nova York na década de 1970, dirigidas às crianças pobres. As escolas cobram uma taxa mensal de 25 a 100 dólares – ou até mesmo nada – e sustentam-se por meio de doações de fundações, individuais e da ajuda de igrejas e ordens religiosas católicas que dirigem muitas das escolas. Os pais e tutores geralmente trabalham voluntariamente em algumas funções específicas da escola, como em atividades de escritório, cuidado do jardim etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;[grifos do blog]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-3307698985377099915?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3307698985377099915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3307698985377099915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/entrevista-pe-thomas-reese.html' title='Entrevista - Pe. Thomas Reese'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TTon9jwAxjI/AAAAAAAAB1U/8zSbU0bvcfU/s72-c/petomasreese.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-3237903943299800992</id><published>2011-01-12T19:35:00.000-03:00</published><updated>2011-01-12T19:35:47.279-03:00</updated><title type='text'>Pe. Erico Hammes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A bondade a partir das vítimas: o ''caso'' François Houtart&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;Érico Hammes, padre, é doutor em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Leciona, atualmente, na PUCRS. Desenvolve, principalmente, os seguintes temas: Cristologia, América Latina e Religião. É autor de, entre outros, Filii in Filio. A divindade de Jesus como evangelho da filiação no seguimento. Um estudo em Jon Sobrino (Porto Alegre: EDIPUCRS, 1995).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O site informativo &lt;strong&gt;Le Soir&lt;/strong&gt;, da Bélgica, do dia 29 de dezembro, publicou várias matérias sobre uma revelação escandalosa do que se poderia chamar de atentado violento ao pudor, cometido por &lt;em&gt;François Houtart&lt;/em&gt;, no contexto de uma candidatura a prêmio Nobel da Paz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imprensa brasileira repercutiu as notícias no mesmo dia e as principais informações e reações estão disponíveis no sítio do IHU. Além da carta-denúncia do crime, o informativo belga publica também a manifestação do próprio &lt;em&gt;Houtart&lt;/em&gt;, respondendo à acusação e reconhecendo, ao menos parcialmente os atos cometidos contra um primo de oito anos, há quarenta anos. Os comentários do próprio site e de outros meios lembram o papel desse clérigo católico nos debates e críticas aos modelos reinantes de relações econômicas e sociais mundiais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O escândalo poderia ser facilmente assimilado e enquadrado se se tratasse de um “inimigo da humanidade”. Ou se fosse um grande banqueiro americano, envolvido em escândalos financeiros; ou, quem sabe, um empresário do setor de informática, ou um jornalista de um grande veículo de comunicação; um chefe de Estado, conhecido por suas aventuras machistas; ou ainda um general da guerra do Iraque, um instrutor de torturadores das ditaduras latino-americanas; por que não, até mesmo um fundador de um movimento eclesiástico reacionário; ou algum dos bispos alemães, americanos, austríacos e belgas, de todos os modos mal vistos por acobertarem ou estarem envolvidos em crimes semelhantes. Fosse assim, e já não haveria surpresa, porque seria parte da lógica maniqueísta&amp;nbsp; segundo a qual as pessoas se dividem entre cidadãs e cidadãos de bem e bandidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, era um candidato a prêmio Nobel, e Nobel da Paz, com enorme apoio de organizações e instituições transformadoras do mundo inteiro. Eu mesmo poderia ter assinado em seu favor, com outras organizações às quais me identifico, sua indicação. Desde os tempos de estudante de Teologia sempre de novo seu nome figurava entre os grandes conhecedores da Sociologia da Religião e mais recentemente se tornou uma das figuras-chave na organização do Fórum Social Mundial. É conhecido por sua atenção aos países do Hemisfério Sul, dentre os quais o próprio Brasil. Se o mundo estivesse dividido entre bons e maus, com os critérios sociológicos habituais, &lt;em&gt;Houtart&lt;/em&gt; provavelmente não seria procurado daquele lado, do lado do mal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma primeira reação ao que apareceu no dia 29 de dezembro, foi negar, atenuar, minimizar, universalizar, neutralizar, esvaziar as denúncias. Não pode ser verdade, mas se foi, foi há muito tempo, e não foi algo tão sério assim. Foi um ato fortuito. Enfim de contas, “quem estiver sem pecados, atire a primeira pedra”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num segundo momento veio a indignação. A imprensa quer desfazer todos os grandes ideais em nome de um crime que já prescreveu. E o próprio &lt;em&gt;Houtart&lt;/em&gt; já reconheceu e já havia reconhecido no passado. Aliás, queria até mesmo ter deixado o exercício do seu ministério na época. Portanto, atacar seu passado, não faz sentido: é preciso reconhecer seus méritos, mesmo que não se possam aprovar ou negligenciar sua conduta passada e se deva buscar a reparação do erro cometido. A suspeita dolorosa que se levanta em meio a esses mecanismos é de que não é nem a pessoa de &lt;em&gt;François&lt;/em&gt; que interessa e sim o que representa e representa para quem o defende.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A pergunta pela vítima&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que é muito difícil ver com clareza quando se está muito envolvido com eventos que nos dizem respeito. No caso, estamos diante de alguém de quem aprendemos muito e que fez um grande bem à humanidade; de um amigo nosso e grande colaborador. No fundo nos identificamos como ele, e é a nós que defendemos ao tentar protegê-lo. Qual mãe cujo filho é acusado, tendemos a negar e não aceitar o que está sendo dito. Reagimos com indignação ante a voracidade antropofágica dirigida contra alguém conhecido por sua crítica ao sistema econômico e hegemônico do mundo atual. E a vítima? Quem se importa, quem lembra?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Jon Sobrino&lt;/em&gt; traz à consideração, em artigo num dos últimos números de &lt;em&gt;Concilium&lt;/em&gt; (fasc. 4/2010), que um dos grandes erros da Igreja (de todos nós), foi o de proteger os culpados e não considerar as vítimas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também vários bispos europeus têm se manifestado em direção semelhante. Houve um excesso de preocupação em proteger os agressores, sem cuidar das suas vítimas. Considerando essa perspectiva, a avaliação do que alguém faz ou se torna, depende das vítimas. Olhar a partir das vítimas, rompe a barreira das instituições e das classificações, das visões maniqueístas, paranoicas e esquizofrênicas. São as vítimas as primeiras a nos impor solidariedade, são o critério fundador da justiça, são os verdadeiros juízes que revelam quem somos como pessoas e sociedade. Quase poderíamos dizer, parafraseando o Evangelho, “&lt;em&gt;pelas suas vítimas os conhecereis&lt;/em&gt;”!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pergunta primeira a ser respondida, então, por doloroso que seja, não diz respeito a &lt;em&gt;François Houtart&lt;/em&gt; e sim à sua vítima, o seu primo, de quem nem o nome sabemos. O que aconteceu com a vítima nesses quarenta anos? O que a vítima passou? Que lugar e importância lhe foram reservadas nesse mundo onde ela tinha todo o direito de ser uma pessoa acolhida, confiante, bem situada, resolvida e reconhecida? Ao responder essas perguntas, será possível voltar ao que se passa agora com &lt;em&gt;Houtart&lt;/em&gt;. Como foi que ele lidou com sua culpa? O que se passou em seu interior nessas quatro décadas? Quantas vezes lhe foi dada oportunidade para se reconciliar ou para reparar o mal que fez? Pode ser julgado pela justiça civil?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez apenas agora, quarenta anos depois, sofra as primeiras consequências mais graves de seu ato (crime). Ter seu nome retirado da lista de candidato a prêmio Nobel, é, quem sabe, a primeira grande chance de prestar contas publicamente de seu “ato inconsiderado e irresponsável”, como ele mesmo o qualifica. A reparação, enquanto relacionada imediatamente ao mal feito, é uma parte da restauração da justiça e que não pode ser compensada com méritos em outras áreas. A saúde das relações interpessoais depende, em grande parte, de instrumentos sociais de proteção à intocabilidade da vida e dignidade dos seres humanos, mas se consolida apenas se ao agressor é garantida a possibilidade reparadora do mal feito a outrem. E isso vale também do ponto de vista do Evangelho: “&lt;em&gt;Se teu irmão tem algo contra ti, vai e reconcilia-te primeiro, e depois vem e apresenta a tua oferta&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo crime e toda violação contra o ser humano, e mais ainda quando se trata de pessoas de confiança contra vidas indefesas, brada à condenação inequívoca e inadiável, sem olhar para todo o mérito anterior ou posterior do agressor. Por isso, não é possível deixar margem a desculpas ou subterfúgios de espécie alguma, pois significaria cair na odiosa cilada dos dois pesos e duas medidas. Qual seria a reação se &lt;em&gt;François&lt;/em&gt; fosse a vítima? Ou se fosse uma pessoa não pertencente a nosso modo de pensar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta passa necessariamente por uma solidariedade com a culpa e o crime. O que &lt;em&gt;François&lt;/em&gt; cometeu deve ser condenado inequivocamente, mas nós estamos com ele nesse crime e nessa culpa: somos suas irmãs e seus irmãos e o que ele fez, nós poderíamos ter feito, e de certo modo o fizemos, pois ele é dos nossos. Se somos irmãos verdadeiros e verdadeiras irmãs, somos convocados a reconhecer a culpa, a aceitar a acusação e pedir perdão com ele à sua vítima. Com ele “&lt;em&gt;somos feito pecado&lt;/em&gt;” com aquele “&lt;em&gt;que se fez pecado por nós&lt;/em&gt;”. Assim como seria equivocado minimizar a gravidade dos seus atos, não podemos deixar a um irmão pecador sozinho com sua culpa e seu crime, mas com ele queremos pedir perdão e colocar-nos em caminho, confiados na graça divina, a fim de nunca mais haver violação da dignidade de nenhum ser humano por parte nossa e de ninguém. Sem esse ato claro de responsabilidade e culpa, não seríamos mais do que hipócritas acusando outros e não assumindo nossa parte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, se queremos apoiar ao &lt;em&gt;François&lt;/em&gt;, o que é mais do que justo, não esqueçamos a vítima e nem a gravidade da ofensa sofrida, mas estejamos juntos num pedido de perdão e de compromisso absoluto (na medida do humano) de combate e resistência a qualquer violência contra seres humanos, especialmente os mais vulneráveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em toda Europa, mas especialmente na Alemanha – onde me encontro desde setembro –, os Bispos, muitas vezes em públicas e solenes celebrações e declarações, se empenham no reconhecimento dos pecados e crimes que mancham a Igreja. A justiça civil exige medidas reparadoras enquanto a população em massa abandona a Igreja. Infelizmente, no Brasil, há indícios de uma cumplicidade interinstitucional a adiar e agravar a avalanche dos escândalos. Até o momento, quase nada se fez em âmbito eclesiástico e civil para ir ao encontro das vítimas, que se podem supor em número significativo. Por razões dificilmente explicáveis reina um silêncio e, ao que tudo indica, uma ocultação das demandas reparadoras e penais. É certo que a Igreja Católica não é a única instituição em que existem crimes de pedofilia, também no Brasil. Contudo, cabe a nós, pela gravidade do hora que vivemos, assumir a responsabilidade pelos atos de violação contra inocentes e pessoas confiadas a nós. Defender a Instituição ou seus representantes, contra as vítimas, é tornar-se parte da injustiça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-3237903943299800992?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3237903943299800992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/3237903943299800992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/pe-erico-hammes.html' title='Pe. Erico Hammes'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-4500793404413858174</id><published>2011-01-06T22:04:00.000-03:00</published><updated>2011-01-06T22:04:56.318-03:00</updated><title type='text'>Pe. José Comblin</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TSZmlSnL4aI/AAAAAAAAB1E/5KdTFvQ8GAs/s1600/PeComblin.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TSZmlSnL4aI/AAAAAAAAB1E/5KdTFvQ8GAs/s200/PeComblin.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Igreja abandonou as classes populares&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;José Comblin (foto), um dos criadores da Teologia da Libertação, afirmou que a eleição de João Paulo II e de Bento XVI foi manejada pelo Opus Dei "praticando a chantagem, intimidando os cardeais", e que na América Latina o Papa "é mais divino do que Deus". Comblin, belga que vive no Brasil e acaba de visitar o Chile, país em que esteve exilado em 1972, durante o governo da Unidade Popular, explicou ainda que os teólogos da libertação têm hoje mais de 80 anos e "não apareceu uma nova geração" que desse continuidade a esse pensamento. A reportagem é do sítio Religión Digital, 05-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;A repressão foi muito forte, terrível, e a ditadura do Papa aqui na América Latina é total e global. Aqui, pode-se criticar Deus, mas não o Papa. O Papa é mais divino do que Deus&lt;/em&gt;", asseverou o teólogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo Comblin, a Igreja Católica "&lt;em&gt;abandonou as classes populares, salvo os velhos e algumas relíquias do passado&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Hoje, as universidades e os colégios católicos são para a burguesia. O porvir da América Latina é ser um continente evangélico protestante, salvo sua classe alta. Assim, a Opus Dei e os Legionários de Cristo e todas essas associações que existem de ultradireita vão crescendo nesse setor&lt;/em&gt;", opinou, em declarações no Chile à revista &lt;em&gt;El Periodista&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Onde há um ou dois bispos da Opus Dei no episcopado, intimidam a todos os demais. Os outros ficam calados e só um fala. Esse é um problema de psicologia típico de ditadur&lt;/em&gt;as", defendeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo Comblin, "&lt;em&gt;foi a Opus el que elegeu João Paulo II e o atual, praticando a chantagem, intimidando os cardeais. O próximo Papa será igual porque a Opus tem um poder muito forte&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O teólogo, de 87 anos, defende que Deus está "&lt;em&gt;em La Victoria e em La Legua (dois bairros populares de Santiago) e na prisão, mas de Roma desapareceu há muito tempo&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Agora, sempre fica mais claro que o problema é o Papa, ou seja, a função do Papa, uma ditadura implacável com muitas formas de doçura e amabilidade, mas implacável&lt;/em&gt;", defendeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comblin defendeu que "&lt;em&gt;o porvir do cristianismo está na China, Coreia, Filipinas, Indonésia. Estima-se que só na China há 130 milhões de cristãos martirizados, porque estão praticamenteperseguidos&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O teólogo criticou a eventual canonização de João Paulo II porque seu papado "&lt;em&gt;foi catastrófico&lt;/em&gt;". "&lt;em&gt;Todos os que fizeram sua carreira com ele puderam ser cardeais, apesar de sua mediocridade pessoal. Não mereciam nada, mas ele os promoveu. Claro que agora querem canonizá-lo! Uma vez que canonizaram Escrivá, todo mundo sabe que se pode ser santo sem ter virtude alguma&lt;/em&gt;", destacou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre a Opus Dei e os Legionários de Cristo, Comblin afirmou que "&lt;em&gt;têm a confiança da Cúria Romana e depois representam a plena liberdade dada a personalidades que são como os grandes Rockefeller, os conquistadores&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Como Escrivá de Balaguer, que era um capitalista, o homem que vai triunfar, que vai desfrutar o mundo, que vai ganhar, ser rico, poderoso e que é capaz de criar pessoas totalmente subordinadas, soldados com mentalidade de soldado, esses são todos homens deformados psicologicamente, como são os futuros ditadores&lt;/em&gt;", detalhou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de recordar que do mexicano Marcial Maciel, dos Legionários de Cristo, foi descoberta uma vida paralela e uma fortuna de 50 bilhões de dólares, afirmou que "&lt;em&gt;sua chantagem, sua palavra e sua exigência chegaram aos milionários&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Hoje, os que trabalharam com ele, seus colaboradores, todos dizem e afirmam que não sabiam nada da vida paralela (de Maciel). Como? Trabalham 40 anos com ele e não sabem de nada, que ele tem uma família, três filhos, que praticou a pedofilia com as crianças, alunos de sua formação, de seus colégios, que tinha um mundo de amantes. Não sabiam de tudo isso? Supõe-se, então, que eles são cúmplices e também têm uma vida paralela&lt;/em&gt;", concluiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-4500793404413858174?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/4500793404413858174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/4500793404413858174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2011/01/pe-jose-comblin.html' title='Pe. José Comblin'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TSZmlSnL4aI/AAAAAAAAB1E/5KdTFvQ8GAs/s72-c/PeComblin.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-8463946321755360517</id><published>2010-12-26T16:42:00.003-03:00</published><updated>2010-12-26T16:46:11.843-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Jon Sobrino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;''A Igreja costuma se distanciar de Jesus para que ele não incomode''.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TReaXxRdD3I/AAAAAAAAB00/tHKY8wLxD5E/s1600/jonsobrino.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TReaXxRdD3I/AAAAAAAAB00/tHKY8wLxD5E/s1600/jonsobrino.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Santo e senha da Teologia da Libertação, o jesuíta salvadorenho Jon Sobrino (foto),&amp;nbsp;de origem basca, continua sendo uma referência mundial aos que, na Igreja, buscam um Deus encarnado que opta pelos seus preferidos, os pobres. De passagem por Bilbao, ele diz que, "em conjunto, a Igreja costuma se distanciar de Jesus para não incomodar". E também assegura que o "enoja e envergonha" a situação do mundo atual, porque "o primeiro mundo continua colocando o sentido da história na acumulação e no desfrute que a acumulação permite". A reportagem é de Asteko Elkarrizketa, publicada no jornal Gara, 19-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: UNISINOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Contam-me – de brincadeira – que o senhor está cansado do mundo e também lhe ouvi dizer mais de uma vez que o senhor quer poder viver sem sentir vergonha do ser humano. Qual é a razão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes, eu sinto vergonha. Por exemplo, interessamo-nos de verdade pelo Haiti? Obviamente, ele levantou interesse no começo e teve algumas respostas sérias. Mas passa um tempo e já não importa... Outro exemplo que contei outras vezes: em um jogo de futebol de equipes de elite jogando a Champions [League], calculei que, no campo, entre 22 jogadores, havia duas vezes o orçamento do Chade... Isso me enoja e me envergonha. Algo muito profundo tem que mudar neste mundo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Para onde o neoliberalismo e a globalização nos levam?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tal o desastre que, em boa parte, provocou que alguns respondam humanamente: voluntários, ONGs, muitas Igrejas – católicas ou protestantes –, outras religiões. Mas acredito que o chamado Primeiro Mundo – uma quarta parte da humanidade – continua pondo o sentido da história na acumulação e no desfrute que a acumulação permite. A diversão, por exemplo, é uma megaindústria multinacional: o esporte de elite, o turismo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ignacio Ellacuría chamou isso de "civilização do capital", que produz uma sociedade gravemente enferma, em transe fatídico e fatal. E costumava dizer que a solução é inverter a situação. Por isso, forjou a expressão de que precisamos de uma "civilização da pobreza". Ellacuría era cabeça-dura nisto: é preciso inverter a situação: o motor da história não pode ser acumular, mas sim solucionar as necessidades básicas de 6,5 bilhões de seres humanos, e o sentido da história é a solidariedade com espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Em nossa sociedade, é comum que grandes companhias realizem "campanhas de solidariedade" muito midiáticas, com jantares beneficentes, apadrinhamentos, envio de ajudas etc. O conceito de solidariedade está sendo desvirtuado?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entendo a pergunta, mas acredito que ocorrem as duas coisas. Por um lado, certo bem-estar e certa afluência de recursos fazem com que dar ajuda seja mais fácil e que, se não tivermos o coração de pedra – como dizia o profeta Ezequiel –, que ele se converta um pouco em coração de carne e ajude. Acredito que parte dessas solidariedades são autênticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, essas solidariedades também costumam ser usadas para ocultar a ignominia da falta de uma solidariedade maior e mais fundamental, e não só isso, mas também a opressão das grandes potências aos países pequenos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Talvez sirvam para mascarar as raízes dos problemas?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podem ser usadas assim, embora, ironicamente, boa parte das ONGs existem precisamente para dizer a verdade – embora não façam muito caso disso –, não só para ajudar economicamente, mas também para defender os direitos humanos. Acho isso complexo, e é preciso analisar cada situação. É claro que o poder submete todo mundo, mas cada um deve empurrar o carro da história como puder. Certamente, o que nos oferecem como soluções me causa indignação e me dá tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Ao cidadão médio do mundo desenvolvido corresponde alguma responsabilidade da pobreza, da opressão ou das guerras que assolam o planeta?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Objetivamente, sim. Quem declara as grandes guerras? Os governos, movidos por oligarquias, mas eleitos pelos cidadãos. Quando os governos oferecem guerra diretamente, alguns os elegem e outros não. Mas eu não ouço que um governante ofereça que se viva pior, que se desça para que outros muitos possam subir um pouco. Nesse sentido, objetivamente somos corresponsáveis. O mundo se divide entre oprimidos e opressores. Não é preciso enrolar muito...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;A Congregação para a Doutrina da Fé emitiu em 2006 uma "Notificatio" na qual afirma que o senhor falsifica a figura do Jesus histórico ao destacar muito a sua humanidade em detrimento da sua divindade. É o argumento da velha heresia...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu digo é que, na realidade humana de Jesus de Nazaré, Deus se fez presente. Mas me dizem que não chego a dizer de verdade quem é Deus e que eu falo de Jesus de Nazaré muito concretamente e até que o converto em político, e isso, em geral, não costuma agradar às autoridades das cúrias romanas e também diocesanas. Ocorreu com vários teólogos. No meu caso, começou em 1976.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na "&lt;em&gt;Notificatio&lt;/em&gt;", disseram que dois livros meus continham afirmações errôneas e perigosas. Antes, eu os havia dado para que sete teólogos sérios os lessem, e nenhum me disse que havia algum problema de possibilidade de heresia... Penso que Jesus de Nazaré sempre incomoda. Deus incomoda menos, porque é tão intocável, tão impalpável... Penso que, na Igreja, temos uma tendência a nos distanciarmos de Jesus de Nazaré. Não quer dizer que não falemos de Cristo, mas Cristo é "o ungido", um adjetivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que o mais perigoso é ignorar que Jesus não simplesmente morreu, mas que o executaram. E o mataram porque enfrentou o poder dos sumos sacerdotes e, indiretamente, o poder romano. Evidentemente, Jesus não fez só isso. Pregou coisas belíssimas e dificilíssimas: as bem-aventuranças, a misericórdia com as pessoas, a oração ao Pai. Dá gosto de ver Jesus, mas também é coisa séria, e, se alguém quer seguir o caminho de Jesus, vai lhe custar. Por isso, penso que, em conjunto, a Igreja também costuma se distanciar dele para que não incomode. Mas, graças a Deus, há pessoas e grupos aos quais Jesus lhes atrai. Vi isso no El Salvador, principalmente entre os pobres e aqueles que os defendem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Depois da "&lt;em&gt;Notificatio&lt;/em&gt;", o senhor enviou uma carta ao superior-geral jesuíta, Peter Hans Kolvenbach, na qual indicava que diversos teólogos não encontravam incompatibilidade com a doutrina da Igreja, que a campanha contra o senhor e a Teologia da Libertação vinha há 30 anos e que Ratzinger, em sua época de cardeal, já havia tirado de contexto reflexões e expressões suas. Deduzo que há um ataque premeditado contra o senhor...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não chamaria de ataque, mas sim de predisposição contra mim e vários outros. O então cardeal Ratzinger [hoje Papa Bento XVI], em um artigo no ano 1984-85, me criticava em cinco pontos, mas também criticava &lt;strong&gt;Gustavo Gutiérrez&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Ignacio Ellacuría&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Hugo Assmann&lt;/strong&gt;. Nós quatro estávamos nessa corrente que se chamava &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt;. Ratzinger já era contra essa corrente. Se algum dia me encontrar com ele, espero que falemos como amigos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Certamente, já não se ouve falar tanto da Teologia da Libertação. Mudou alguma coisa, por acaso?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Teologia da Libertação nasceu há cerca de 50 anos, na América Latina, um continente de grande pobreza e de fé cristã. Algo irrompeu aí. Algo explodiu. O que irrompeu? A verdade dos pobres, que era realidade durante séculos. A Igreja os havia visto e lhes havia ajudado de várias formas, mas, quando algo é tão real e explode, isso lhe afeta, lhe sacode e lhe anima a fazer alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim começou a chamada &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt;, que pretendia que os pobres tivessem vida, justiça e dignidade. Para as Igrejas cristãs, essa era a vontade central de Deus. E, nesse sentido, Deus também "explodiu". E, em seguida, houve duas reações. Uma, fora das Igrejas. O vice-presidente dos EUA, [Nelson] Rockefeller, estava viajando pela América Latina nos anos 1970 e disse, entre outras coisas: "Se aquilo que os bispos estão dizendo em Medellín [na Conferência Episcopal de 1968, onde a &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt; ganhou corpo eclesial] se tornar realidade, nossos interesses correm perigo". Dentro da Igreja institucional também houve uma reação contrária por parte de alguns bispos e cardeais. Ou seja, a &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt; nasceu, e, em seguida, chegaram os enfrentamentos. Tudo isso levou a algo único na história da América Latina. Quiseram freá-la de diversas formas. Uma foi matar. Assassinaram dezenas de sacerdotes, religiosos e religiosas, e quatro bispos. Outros dois se salvaram por erro. E o que é menos conhecido: milhares de leigos, a maioria pobres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;strong&gt;Teologia da Libertação&lt;/strong&gt; desencadeou um modo de viver baseado na compaixão, concretizado depois em formas de justiça, baseada no amor aos mais pobres. Isso hoje desceu ao nível eclesial e de bispos que defendem essa linha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dom Romero [arcebispo de San Salvador], semanas antes de ser morto em 1980, dizia que "um cristão que se solidariza com a parte opressora não é um verdadeiro cristão".&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidentemente. Identificar-se con a parte opressora quer dizer fazer parte desse grupo de seres humanos que está oprimindo e tirando a vida de outros, lentamente, por meio da pobreza ou da repressão. Essa pessoa não é cristã. Em que ela se parece a Jesus se é todo o contrário? E além disso não é humana. Dom Romero tinha razão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Recentemente, em um congresso de pensadores cristãos, o senhor disse – parafraseando o teólogo José María Díez Alegría – que "a Igreja traiu Jesus; essa Igreja não é a que Jesus quis". Para onde a hierarquia está levando a Igreja Católica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não parafraseei, mas citei Díez Alegría literalmente. Ele disse que, "em conjunto, a Igreja Católica traiu Jesus", e me parece uma reflexão importante. Obviamente, nem toda a Igreja. Eu acredito que ele está dizendo que Jesus de Nazaré incomoda, e por isso a Igreja o trai. José Antonio Pagola diz: o mais necessário hoje é "mobilizar-nos e somar forças urgentemente para centrar a Igreja com mais verdade e celeridade na pessoa de Jesus e em seu projeto do reino de Deus". Segundo a fé cristã, o reino de Deus é a vontade de Deus sobre este mundo, para que haja vida para todos, começando pelos pobres. E Pagola termina com estas palavras: "A Igreja Católica terá que fazer muitas coisas, mas nenhuma é mais decisiva do que essa conversão".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gosto que se use a palavra conversão: é uma mudança radical. Não vejo nada mais importante do que voltar para esse Jesus, porque tendemos a nos separar dele. Nem sempre, nem todos, nem de todas as maneiras, mas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dito com toda simplicidade: quando alguém ouve cristãos, cristãs, sacerdotes, bispos e não bispos falando, como é raro quando se escuta que falem de Jesus de Nazaré, que contem o que ele disse e o que fez... Está se perdendo o que é de Jesus. Foi isso que eu quis dizer no congresso. Na América Latina, ele se fez muito presente em Dom Hélder Câmara, em Dom Pédro Casaldáliga, em muitos outros... Mas também existe a tentação de dizer-lhe, como o grande inquisidor do romance "Os Irmãos Karamazov": "Vá e não volte".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Inclusive de forma drástica... Lembro o slogan da extrema direita e do Exército na época da repressão e da guerra no El Salvador: "Seja patriota, mate um padre". Por que lhes perseguiam de forma tão cruel?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não perseguiam só nós, sacerdotes ou grupos cristãos, mas principalmente todos os agricultores. Com a Conferência dos Bispos de Medellín de 1968 houve uma grande mudança, uma irrupção, e Jesus de Nazaré se fez presente. Ser cristão era seguir a vida desse Jesus, estar com as vítimas, com os pobres. E, para defendê-los, enfrentar os poderosos. A oligarquia não tolerava isso, e muito menos que viesse de pessoas reconhecidas da Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sacerdotes eram melhores ou piores, mas éramos um símbolo importante no país. Essa Igreja que queriam ter do seu lado foi embora. Então, assassinaram o primeiro sacerdote, &lt;strong&gt;Rutilio Grande&lt;/strong&gt;, jesuíta, grande amigo, no dia 12 de março de 1977. Armou-se uma grande confusão, e &lt;strong&gt;Dom Romero&lt;/strong&gt; tomou uma decisão muito importante: denunciou o fato, disse que não voltaria a estar presente em atos civis públicos até que o crime não fosse esclarecido. E no domingo do enterro ordenou que só houvesse uma missa única. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas de dinheiro, a oligarquia, foi se encorajando: "Matamos um padre e eles continuam...". &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuaram matando sacerdotes e distribuíam panfletos com aquela frase: "Seja patriota, mate um padre". Em junho, deram aos jesuítas um mês para sair do país ou matariam todos. Não fomos embora. Continuaram matando sacerdotes e freiras e principalmente agricultores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Nesse contexto, chegou o massacre dos seis sacerdotes jesuítas e das duas mulheres, no dia 16 de novembro de 1989, na Universidade Centro-Americana - UCA. O senhor também era um dos objetivos dos militares, mas se salvou por encontrar-se na Tailândia participando de um congresso. Como o senhor recorda esses fatos?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amigo me telefonou de Londres, me perguntou se eu estava sentado e se eu tinha um lápis para escrever. E começou: "Mataram Ellacuría e...". Eu sentia como se arrancassem a pele aos pedaços, mas quando eu mais fiquei com raiva foi quando me disse que haviam matado a cozinheira e sua filha. Que matem Ellacuría, "merecido" – como Jesus de Nazaré. Mas matar uma cozinheira e sua filha de 15 anos...!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro também que um tailandês convertido à religião católica me perguntou se no El Salvador havia católicos que matavam sacerdotes. Ele entendeu bem o horror que entranhava aquilo. No El Salvador, matar sacerdotes significava romper não apenas as regras do bem, mas sim as do mal. Tudo podia acontecer. E aconteceu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor temeu muitas vezes pela sua vida?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim e não. Várias vezes explodiram bombas na UCA e em nossa casa. Estávamos nas litas. &lt;strong&gt;Ellacuría&lt;/strong&gt; em primeiro lugar e os demais também. Às vezes, nos jornais, também me destacavam. Mas pensar que podia acontecer o que aconteceu com &lt;strong&gt;Rutilio Grande&lt;/strong&gt;, com o &lt;strong&gt;padre&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Alfonso Navarro&lt;/strong&gt;, com &lt;strong&gt;Dom Romero&lt;/strong&gt; não nos provocava temor. Costumavam nos perguntar por que não íamos embora do país, e respondíamos que nos daria vergonha ir embora, nos daria vergonha dizer que é preciso estar com as pessoas e depois ir embora. Eu, além disso, dava aula de cristologia e tinha que contar a vida de Jesus. Com que cara eu ia falar de Jesus se fosse embora? E não fomos, principalmente porque nos sentíamos parte de algo maior, todo um povo ao qual queríamos e que nos queria... Para mim, foi um dom ter ido ao El Salvador. Sou agradecido por toda a vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor vive lá há mais de meio século. Mudaram muitas coisas no El Salvador, mas a pobreza continua. A situação até se agravou com a delinquência e a violência das gangues juvenis.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O El Salvador, assim como está acontecendo com o Haiti, desapareceu das notícias. Firmaram-se os tratados de paz, e algo importante aconteceu: dois exércitos concordaram em não continua lutando militarmente. E isso é muito bom. Além disso, nos acordos de paz, decidiu-se investigar as violações dos direitos humanos graves de ambas as partes. As Nações Unidas fizeram um estudo bastante sério sobre isso. Mas o que aconteceu? Antes de que saísse o relatório das Nações Unidas, o presidente Cristiani concedeu anistia aos que apareciam nele. Uma anistia assim não é um ato de reconciliação, de humanização. Serviu principalmente para que não tocasse na parte governamental. Ninguém foi ainda julgado pelo assassinato de &lt;strong&gt;Dom Romero&lt;/strong&gt; – e o Vaticano também não o canonizou...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela pressão do tempo, os acordos também não trataram suficientemente da economia, e isso continua sendo notado. Não digo que com bons acordos sobre os modos de produção, a legislação trabalhista etc. se mudaria muita coisa. Não sou muito otimista, mas, ao não fazer nada, a injusta situação econômica continua sem aspectos de solução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ocorreram outras duas coisas negativas importantes: muitos salvadorenhos – de dois a três milhões – vão aos Estados Unidos para buscar trabalho, o que traz uma infinidade de problemas humanos, divisões de famílias etc. O outro problema é a violência das gangues, que geraram um tipo de vida em que os jovens encontram um sentido de identidade, estando dispostos a matar e a serem mortos. E é preciso incluir as máfias, o narcotráfico, os sequestros...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes me pergunto, tragicamente, por que, no El Salvador e em países semelhantes, não se decidiram por um suicídio coletivo. Para muitíssimas pessoas, isso não é viver. Mas, no povo, existe uma força maior para seguir em frente e enfrentar os problemas mais difíceis. Essa força se expressa no empenho para sobreviver, nas tentativas de organização. E é alimentava por muita gente boa, os mártires, com &lt;strong&gt;Dom Romero&lt;/strong&gt; à frente. Aqui, acredito que isso é difícil de compreender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Surpreende-me o pouco sotaque salvadorenho que o senhor tem. No El Salvador, continuam lhe conhecendo como basco?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É verdade, não mudei o sotaque. Enquanto a ser basco, acho que não perdi minhas origens. Mas também não é um absoluto. Também não é que eu me sinta salvadorenho, embora é o que eu mais me sinto. Acredito que o que me ocorreu no El Salvador é uma maior abertura a tudo o que é humano, para além dos lugares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;O senhor pensa em voltar para Euskal Herria para ficar?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O normal é que eu não volte para ficar. Se eu voltar, terei que pensar o que fazer para poder ajudar aqui [na Europa]. Eu gostaria muito de cooperar, fazer o bem, mas não tenho nenhuma receita. A mudança seria muito grande. No El Salvador, estão os pobres que não dão a vida por óbvia e têm quase todos os poderes do mundo jogando contra. Aqui, na Europa, a vida se dá por óbvia e com muito poder a seu favor. Se me permite dizer isso metafisicamente: &lt;strong&gt;os pobres são "os que não são reais".&lt;/strong&gt; Aqui pensamos que o real somos nós. Estar no El Salvador significa cooperar para que todos vivamos e a utopia de fazer isso como irmãos e irmãs. Aqui, eu teria que repensar, embora veja pessoas e coisas boas às quais poderia me dedicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-8463946321755360517?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8463946321755360517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8463946321755360517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2010/12/entrevista-jon-sobrino.html' title='Entrevista - Jon Sobrino'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TReaXxRdD3I/AAAAAAAAB00/tHKY8wLxD5E/s72-c/jonsobrino.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-7562550278356649785</id><published>2010-12-26T16:07:00.000-03:00</published><updated>2010-12-26T16:07:03.624-03:00</updated><title type='text'>Dom Pedro Casaldáliga</title><content type='html'>&lt;div id="conteudoNoticia"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Natal 2010&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É difícil detectar O Anúncio &lt;br /&gt;em meio a tantos anúncios que nos invadem. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ainda existe Natal? &lt;br /&gt;Natal é a Boa Nova? &lt;br /&gt;Natal é também Páscoa?&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Sabemos que «não há lugar para eles». &lt;br /&gt;Sabemos que há lugar para todos, &lt;br /&gt;até para Deus...&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;O boi e a mula, &lt;br /&gt;fugindo do latifúndio, &lt;br /&gt;se refugiaram nos olhos desta Criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A fome não é só um problema social, &lt;br /&gt;é um crime mundial.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Contra o Agro-Negócio capitalista, &lt;br /&gt;a Agro-Vida, o Bem Viver.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tudo pode ser mentira,&lt;br /&gt;menos a verdade de que Deus é Amor &lt;br /&gt;e de que toda a Humanidade &lt;br /&gt;é uma só família. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Deus continua entrando por debaixo, &lt;br /&gt;pequeno, pobre, impotente, &lt;br /&gt;mas trazendo-nos a sua Paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A dona Maria e o seu José &lt;br /&gt;continuam na comunidade. &lt;br /&gt;A Veva continua sendo tapirapé. &lt;br /&gt;O sangue dos mártires &lt;br /&gt;continua fecundando a primavera alternativa. &lt;br /&gt;Os cajados dos pastores &lt;br /&gt;(e do Parkinson também), &lt;br /&gt;as bandeiras militantes, &lt;br /&gt;as mãos solidárias &lt;br /&gt;e os cantos da juventude &lt;br /&gt;continuam alentando a Caminhada.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;As estrelas só se enxergam de noite. &lt;br /&gt;E de noite surge o Ressuscitado. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;«Não tenhais medo». &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Em coerência, com teimosia e na Esperança, &lt;br /&gt;sejamos cada dia Natal, &lt;br /&gt;cada dia sejamos Páscoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Amém, Axé, Awire, Aleluia.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Pedro Casaldáliga, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Natal 2010, ano novo 2011&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-7562550278356649785?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7562550278356649785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/7562550278356649785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2010/12/dom-pedro-casaldaliga.html' title='Dom Pedro Casaldáliga'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-8157611011989932195</id><published>2010-12-20T21:31:00.000-03:00</published><updated>2010-12-20T21:31:08.598-03:00</updated><title type='text'>Dom Demétrio Valentini</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TQ_080QncSI/AAAAAAAAB0s/6F5fPToes-0/s1600/domdemetrio.gif" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="178" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TQ_080QncSI/AAAAAAAAB0s/6F5fPToes-0/s200/domdemetrio.gif" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 class="titNoticia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O governo da transição &lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Dom Demétrio Valentini é Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="titNoticia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&amp;nbsp;CEBI&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="titNoticia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="titNoticia" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como estamos em fim de mandato, e na expectativa da posse dos eleitos, daria para dizer que estamos em tempos de transição. Isto pode ser verdade. Mas dependendo do caso, existe uma diferença muito grande, que se expressa por uma simples preposição. Um governo pode ser de transição. Como pode igualmente ser da transição. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O governo Lula, que está se concluindo agora, não foi um governo de transição. Mas foi o governo da transição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma pequena história ajuda a perceber a diferença. Quando em 1958 foi eleito Papa o Cardeal Ângelo Roncalli, de 77 anos de idade, para substituir o grande Pio XII, surpresos com a eleição daquele velhinho desconhecido, todos pensavam que se tratava de um "papa de transição". Seu pontificado duraria poucos anos, enquanto iria aparecer alguém à altura, para levar adiante o grande pontificado de Pio XII. Mas o velhinho simpático, que tinha assumido o nome de João 23, não demorou em mostrar a que tinha vindo. Granjeou rapidamente a simpatia do povo, e foi logo dizendo que propunha um concílio ecumênico para promover uma grande "atualização" da Igreja, para reconciliá-la com os novos tempos que o mundo estava vivendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O entusiasmo foi tanto, que ninguém mais pode deter o processo que levaria ao Concílio Vaticano II, com suas generosas propostas de renovação eclesial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que a eleição do velho cardeal revelou o seu significado verdadeiro. O seu não seria um pontificado "de transição", mas "da transição".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora estamos diante de um fato semelhante. Quando Lula foi eleito presidente em 2002, alguns achavam que, quando muito, seu governo seria "de transição". Um operário na presidência seria um acidente de percurso. Em breve a trajetória política do Brasil iria retomar seu rumo, e as elites teriam de volta o comando das ações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, aconteceu o inesperado. O que se supunha ser um governo de transição, passou a ser o governo da transição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O presidente operário foi mostrando como é possível governar para todos, e não só para uma minoria de privilegiados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dois mandatos do Presidente Lula armaram no Brasil o grande cenário de uma verdadeira transição, que agora precisa ser consolidada pelo governo da Presidente Dilma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A transição das vantagens das elites para o interesse das maiorias. Do privilégio de poucos, para o benefício de todos. Do processo de exclusão, para a dinâmica social e econômica da inclusão dos mais injustiçados e oprimidos. Do preconceito racial e cultural que divide, para o respeito mútuo que enobrece. Das marcas deixadas pelos tempos da escravidão, para a libertação do trabalho escravo e de todas as discriminações. Da pretensão de poucos, para a plena dignidade de todos os cidadãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O grande mérito do governo Lula foi ter rompido as barreiras da resistência ao um novo projeto de país, que tenha como postura básica a convicção da igualdade de direitos e a universalidade da cidadania.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta grande e decisiva "transição", realizada pelo presidente Lula, precisa agora ser confirmada pelo governo da Presidente Dilma. Pois as conquistas ainda não estão consolidadas. É preciso, agora, passar para a normalidade democrática as grandes intuições de um governo que permanecerá como referência inspiradora para levar à prática suas generosas utopias de um país para todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O legado de Lula foi desencadear a grande transição. O compromisso da Dilma é garantir sua consolidação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-8157611011989932195?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8157611011989932195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/8157611011989932195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2010/12/dom-demetrio-valentini.html' title='Dom Demétrio Valentini'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TQ_080QncSI/AAAAAAAAB0s/6F5fPToes-0/s72-c/domdemetrio.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-9124768529365882889</id><published>2010-12-20T21:21:00.001-03:00</published><updated>2010-12-20T21:24:42.147-03:00</updated><title type='text'>Maria Inês de Castro Millen</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Valores fundamentais da sexualidade humana&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Revista &lt;a href="http://www.paulus.com.br/periodicos/vida_pastoral.php"&gt;Vida Pastoral&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Maria Inês de Castro Millen é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora, onde também fez mestrado em Ciências da Religião; graduada em Teologia pelo Instituto Teológico Arquidiocesano Santo Antônio; e doutora em Teologia pela PUC-RJ. Autora de Os acordes de uma sinfonia – A moral do diálogo na teologia de Bernhard Häring.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Este artigo pretende abordar a sexualidade humana e seus valores fundamentais a partir do olhar da Teologia cristã. Isso não quer dizer que seja possível desconectar a temática de outros eixos compreensivos, que são essenciais para o entendimento da rica experiência de ser e de se saber pessoa humana, na plenitude e na beleza de suas possibilidades existenciais. O que se quer dizer é que a Teologia será o fio que perpassará um tecido rico de cores, de reentrâncias, de relevos e de outras costuras.&lt;br /&gt;É possível constatar que, na base do cristianismo e, portanto, da Teologia Moral Cristã, está presente, de modo inequívoco, a experiência do diálogo. O Deus cristão é o Deus da Palavra; é, portanto, Aquele que fala. Mas é também o Deus que escuta o clamor do seu povo e que se compromete fielmente com ele. Ao mesmo tempo, pede que o povo o escute, que responda ao seu apelo e que sele com Ele uma Aliança, comprometendo-se com seu projeto. Os acontecimentos bíblicos que revelam o modo como Deus e o ser humano se relacionam mostram o diálogo, na sua verdadeira estruturação, como um percurso ético que se&lt;br /&gt;faz urgente e necessário.&lt;br /&gt;É por isso que não é possível pensar a sexualidade, no horizonte da Teologia cristã, sem estabelecer reais frentes de diálogo com diferentes realidades:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Diálogo com a realidade enquanto tradição&lt;/strong&gt;, enquanto história dos povos, contada através dos mitos, das lendas, dos ritos e das diversas expressões das culturas. O que se sabe é que privar o ser humano dos seus arquétipos é condená-lo à crônica enfermidade física e metafísica.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diálogo com a realidade enquanto Tradição&lt;/strong&gt;, enquanto Palavra de Deus, revelada nas Escrituras. Tradição não como conservação ou preservação de algo imutável do passado, mas como encontro afetivo e efetivo com Alguém, que se faz presente entre nós, como Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho de Deus. Tradição que sinaliza para a realização da Boa Notícia do Reino, a perene atualização no presente do que recebemos no passado e do que esperamos para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diálogo com a realidade enquanto Tradição pós-bíblica&lt;/strong&gt;, sobretudo no Ocidente, onde as categorias do pensamento filosófico mediaram a compreensão racional do evangelho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diálogo com a realidade a partir da categoria “sinais dos tempos"&lt;/strong&gt;. O hoje da história exige da Teologia um diálogo sincero com as ciências, com as novas tecnologias, com os responsáveis por uma sociedade plural, policromática, e com todas as pessoas que estão sob a influência de uma nova compreensão e visão de mundo. Assim sendo, a Teologia que reflete sobre a ética cristã da sexualidade só terá plausibilidade se experimentar a abertura a um amplo e respeitoso diálogo transdisciplinar, que leve em conta as diferentes experiências do passado e as realidades da vida presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas afirmativas teológicas se fazem necessárias, inicialmente, para traçar o caminho da costura que se pretende, na reflexão aqui assumida: Uma primeira e fundamental afirmação: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27). Essa revelação nos diz que a sexualidade é uma das dimensões essenciais do ser humano. O ser humano, criado como ser sexuado, enquanto homem ou mulher, é imagem de Deus, é semelhante a Deus. “E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!” (Gn 1,28). Esse texto sinaliza para Deus que confere à sexualidade uma dimensão criativa. O encontro relacional sexuado que o ser humano estabelece aponta para a fecundidade, para uma participação real no projeto criacional. E tudo isso faz parte não de um imperativo, mas de uma bênção, de um dom.&lt;br /&gt;Uma segunda e não menos fundamental afirmação é a de que a Palavra, que já era no início e da qual somos imagem e semelhança, se fez carne e veio habitar entre nós (Jo 1,1.14). Deus se faz homem, se faz de carne, se faz humano, sexuado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse fato possibilita a confirmação de que a sexualidade é um componente fundamental da personalidade, um modo de ser pessoa, um modo de se manifestar, de sentir, de expressar, de viver e de se relacionar, na comunicação concreta do amor.&lt;br /&gt;Por essa razão é que &lt;strong&gt;a sexualidade precisa ser compreendida a partir de uma sadia antropologia que considere as ricas e complexas dimensões do ser humano na perspectiva da unidade básica que o integra e o configura&lt;/strong&gt;. Fragmentar o humano ou reduzi-lo a uma de suas dimensões produziu e ainda produz muitas teorias e práticas equivocadas que comprometem a essencialidade e a dignidade próprias desse ser criado à imagem de Deus (Bento XVI, 2006 p. 5).&lt;br /&gt;Nesse horizonte, apontamos algumas dimensões que não podem ser desconsideradas quando se quer pensar a sexualidade humana com seriedade: a &lt;strong&gt;dimensão biológica&lt;/strong&gt;, que trabalha a sexualidade como impulso; a &lt;strong&gt;dimensão psicológica&lt;/strong&gt;, que aponta a sexualidade como a força integradora e como chave hermenêutica do “eu”; a &lt;strong&gt;dimensão dialógica&lt;/strong&gt;, que pensa a sexualidade como linguagem de pessoas; a &lt;strong&gt;dimensão sociocultural&lt;/strong&gt;, que compreende a sexualidade na perspectiva da hermenêutica e da configuração da realidade social; a &lt;strong&gt;dimensão existencial&lt;/strong&gt;, na qual a sexualidade aparece como forma de existência pessoal; e a &lt;strong&gt;dimensão mistérica&lt;/strong&gt;, que a percebe como abertura para o mistério da pessoa e das relações que ela estabelece consigo mesma, com os outros, com o mundo e com Deus (Vidal, 2002).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sexualidade, então, está referida ao mistério da pessoa, ao seu núcleo mais íntimo, à sua configuração mais originária. Ela abrange o ser humano todo, durante toda a sua vida. &lt;strong&gt;Há, portanto, também, uma perspectiva equivocada, quando se compreende a sexualidade ligada somente à vida adulta e à procriação&lt;/strong&gt;. O que existe é uma sexualidade difusa, que impregna todo o ser, em todo o tempo de sua vida, e que não está ordenada somente ao relacionamento sexual genital. Outra consideração que ainda precisa ser feita, desde já, é que a sexualidade não é má em si. No horizonte das afirmações teológicas, feitas anteriormente, não é possível esquecer a revelação de que é Deus quem cria o mundo na sua materialidade e temporalidade e nele se encarna. Portanto, a sexualidade é, no máximo, ambivalente. &lt;strong&gt;Ao longo da história, ela se apresenta num clima de enigma e mistério, como realidade ao mesmo tempo assombrosa e fascinante. Acarreta, pois, instintivamente, num primeiro momento, uma dose de assombro, receio e suspeita, pois supera o que alguém pode conhecer de si mesmo e dos outros, e o desconhecido é amedrontador. Ao mesmo tempo, desperta a curiosidade, o desejo e a esperança de aproximação entre as pessoas, e esse é o seu lado fascinante.&lt;/strong&gt;Por causa do medo, surge a tentativa de negar a sexualidade, de escondermo-nos dela, de eliminá-la da vida, como se dela fosse possível prescindir. Ledo engano, que já produziu e ainda produz consequências danosas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por causa do desejo, surge a tentativa de fazer dela o eixo enucleador da vida ou de banalizá-la, atitudes que refletem a pretensão de despi-la do seu caráter misterioso. Esses equívocos também não trouxeram e não trazem bons frutos.&lt;br /&gt;Nessa perspectiva, busca-se e deseja-se, ao mesmo tempo em que teme-se e rejeita-se. Temor e fascínio são faces de uma mesma realidade. &lt;strong&gt;O que não se pode esquecer é que a sexualidade está imbricada no mistério da pessoa, carregada de uma riqueza simbólica e emotiva, que precisa ser considerada e experienciada respeitosamente.&lt;/strong&gt;A redução da sexualidade, do mistério da pessoa, ao medo ou ao desejo, aponta para alguns riscos. O primeiro risco é o de um falso espiritualismo, que prioriza o pretender viver como anjo quando se tem um corpo. Outro risco é o de um materialismo desconfigurado, um hedonismo que leva ao prazer pelo prazer, ao corpo pelo corpo, à objetivação do outro. Em ambos os casos, há a negação da subjetividade relacional e a não integração das diferentes dimensões que compõem a pessoa, e duas vertentes da Teologia Moral, não muito felizes, tendem a se fortalecer: o rigorismo ou o laxismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Na busca do indispensável equilíbrio, uma compreensão positiva da sexualidade se faz necessária. Não é demais repetir que a sexualidade integrada é força positiva, geradora de energia e de bem-estar e que perpassa todo o ser humano.&lt;/strong&gt; É força que chama à vida, que cria e recria pessoas e realidades. A sexualidade é a identidade: “Eu sou”, “eu sinto que sou”, na relação com outras identidades constituídas. É essa mesma &lt;strong&gt;força que é capaz de despertar nas pessoas o amor, o cuidado pelo outro, pela natureza, por si mesmas.&lt;/strong&gt;Falar de sexualidade no horizonte da Teologia traz, portanto, o desafio de pensar de novo coisas velhas e coisas novas sobre a existência humana. E isso faz com que a tarefa da Teologia Moral, que é a de ter uma palavra verdadeira e significativa sobre a sexualidade humana para este tempo, seja enorme. As razões já são conhecidas, mas não é demais enumerá-las novamente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Primeiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o cristianismo do passado trabalhou com &lt;strong&gt;pressupostos antropológicos hoje superados&lt;/strong&gt; e que precisam realmente ser revistos e não mais aplicados. O conhecimento atual sobre o ser humano, em função de uma nova sabedoria conquistada pela humanidade, nos coloca diante de paradigmas compreensivos que não podem nem devem ser desmerecidos. &lt;strong&gt;A necessidade real de diálogo com outros saberes se faz premente&lt;/strong&gt;. Hoje, não se concebe mais que aqueles que são chamados a dizer uma palavra significativa, a orientar o comportamento e a vida das pessoas não se esforcem por conhecer e compreender todas as dimensões da realidade humana, levando em conta que a sexualidade, enquanto força integradora do eu pessoal, é um fato vivo, dinâmico, historicamente condicionado, com influências tanto positivas quanto negativas sobre a vida, refletindo possibilidades evolutivas, mas também involutivas.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;&lt;strong&gt;Segundo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, o ser humano atual, apesar de todos os progressos científicos e tecnológicos, de todas as conquistas do conhecimento e da comunicação, vive uma fragilidade, uma fragmentação, um desconforto consigo mesmo e com a sua força sexual criativa. &lt;strong&gt;Heidegger&lt;/strong&gt; referiu-se assim a esse fenômeno:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nenhuma época teve noções tão variadas e numerosas sobre o homem como a atual. Nenhuma época conseguiu, como a nossa, apresentar o seu conhecimento acerca do homem de um modo tão eficaz e fascinante, nem comunicá-lo de um modo tão fácil e rápido. Mas também é verdade que nenhuma época soube menos que a nossa o que é o homem. Nunca o homem assumiu um aspecto tão problemático como atualmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sendo assim, o ser humano de hoje, como o de ontem, precisa ser compreendido nas suas dores e angústias, nas suas esperanças e sonhos&lt;/strong&gt;. Desconsiderar a realidade atual, nos seus compassos e descompassos, é ficar respondendo a por caminhar na busca de respostas mais plausíveis para as grandes questões que estão postas.&lt;br /&gt;A Teologia Moral traz, portanto, algumas propostas para a reflexão atual sobre a sexualidade humana. &lt;span style="color: #20124d;"&gt;&lt;strong&gt;A primeira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; é a de um retorno às fontes bíblicas. A referência moral dos cristãos é Jesus Cristo. Nesse horizonte, é bom recordar o que disse o Papa Bento XVI, na introdução à encíclica “Deus é Amor”: “&lt;em&gt;No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo&lt;/em&gt;”. A verdade é esta:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No cerne, no coração, nas entranhas do Novo Testamento está Jesus Cristo, o Filho de Deus&amp;nbsp;feito homem. E a grande novidade da ética cristã está aí revelada. O Pai oferece, agora, tudo. [...] Jesus Cristo é a Nova Aliança, aquele que, na unidade com o Pai e na solidariedade com toda a humanidade, declara a verdadeira lei da Aliança: a Lei do Amor. Não um amor qualquer, mas aquele já demonstra do aos seus discípulos, que são convocados a vivê-lo na solidariedade, na oferta e no serviço (Jo 15,12-17) (Millen, 2005).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Lei do Amor convida a cada um, na liberdade, a “&lt;em&gt;ser para o outro&lt;/em&gt;”, a “&lt;em&gt;carregar os fardos uns dos outros&lt;/em&gt;” (Gl 5,13b; 6,2). Assim, as perspectivas bíblicas da Teologia Moral, longe de tentar extrair das Escrituras um catálogo de normas para crer e viver, buscam, em sintonia com as propostas do Vaticano II, apreender os temas de destaque da revelação divina para que eles possam nutrir a vida espiritual das pessoas concretas, inseridas na história de seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #20124d;"&gt;&lt;strong&gt;A segunda proposta&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; pretende clarear alguns conceitos, como, por exemplo, o de corpo/ corporeidade, o de sexo/sexualidade e o de castidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A palavra “corpo” aponta para a realidade objetiva da nossa condição corpórea; realidade visível, tocável, mutável e, talvez por isso, vítima de muitos equívocos e de muitas distorções por parte das culturas, das sociedades e das religiões. Realidade dimensional que não pode ser negada nem tampouco superestimada, pelo simples fato de ser uma dimensão real e indispensável para a vida, na sua perspectiva ontológica e também no horizonte de sua construção histórico-relacional. Não se pode deixar de afirmar que todas as experiências pessoais se realizam e se explicitam no corpo. Por isso, o modo como o percebemos ou como o tratamos se torna fundamental para a compreensão e nomeação do ser.&lt;br /&gt;A palavra “&lt;strong&gt;corporeidade&lt;/strong&gt;” é mais abrangente, se refere ao “&lt;strong&gt;eu espiritual-corpóreo&lt;/strong&gt;” que vive uma experiência única e irrepetível e indica a inteira subjetividade humana, sob o aspecto de sua condição existencial corporal, na configuração constitutiva de sua identidade pessoal. &lt;strong&gt;Corporeidade é, portanto, a expressão, o reflexo visível e a realização do ser humano uno e indiviso&lt;/strong&gt;. É uma noção mais ampla de corpo e, na verdade, se refere à totalidade da pessoa. Assim, é em função de sua condição corpórea que o ser humano assume sua vida segundo as peculiaridades que lhe são próprias: a historicidade, a individualidade e a pertença a uma comunidade humana, sua imanência no mundo e sua vocação à autotranscendência, sua capacidade de revelar-se e de ocultar-se, sua propensão à relacionalidade e ao encontro (Millen; Bingemer, 2005, p. 180).&lt;br /&gt;Quanto às palavras “sexo” e “sexualidade”, é preciso, do mesmo modo, que se faça uma distinção. Sexo também se refere a uma realidade objetiva, ao sexo de cada um na sua dimensão biológica/genital e ao ato sexual em si.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexualidade também é conceito abrangente&lt;/strong&gt;. A palavra surge no século XIX e quer dizer, como já indicado anteriormente, uma &lt;strong&gt;energia que abrange a totalidade da vida da pessoa, revelando sua condição de ser sexuado em todas as relações que estabelece com qualquer outro, em todos os tempos de sua vida&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Alguns autores hoje afirmam que a moral que estuda a sexualidade não pode ser concebida a não ser no horizonte de uma ética da relacionalidade. Isso porque, durante muito tempo, a sexualidade esteve ligada à vida individual, às questões referentes à pessoa e aos seus desejos e impulsos. Hoje não se pode mais negar a importância da “alteridade” na construção da identidade pessoal. O “rosto” do outro é sempre definidor da identidade e das atitudes daquele que é interpelado por ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra palavra importante é “&lt;strong&gt;castidade&lt;/strong&gt;”, que, num determinado contexto, chegou a ser considerada a “rainha das virtudes”. &lt;strong&gt;Castidade não pode mais ser reduzida à continência sexual, mas mantida em toda a sua pluralidade de significados&lt;/strong&gt;. A melhor tradução dessa palavra é “nitidez”. Muito provavelmente, nossa castidade vem do latim &lt;em&gt;candeo&lt;/em&gt;, que significa embranquecer, com o matiz de uma brancura brilhante, ou melhor, transparente. Dessa palavra, surgem termos como “candor”, “candura”. Viver a castidade significa, pois, viver na transparência, no respeito, na nitidez. É preciso compreender que a palavra castidade não tem sentido apenas sexual: a nitidez, o respeito e a transparência invadem todos os campos da relação humana, até mesmo o do dinheiro e o do poder. Dessa forma, podem existir encontros sexuais, genitais ou não, ou pessoas que vivem “celibatos sexuais” de maneira que não servem para quase nada, por não serem castos (Faus, 1999 p. 65-66).&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #20124d;"&gt;&lt;strong&gt;A terceira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; quer trazer algumas ideias-chave, revisitadas pela Teologia que se renova com o Concílio Vaticano II. São elas: &lt;strong&gt;liberdade, fidelidade, criatividade &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;responsabilidade&lt;/strong&gt;. À luz do seguimento de Jesus, todas as pessoas são chamadas à liberdade – “&lt;em&gt;é para a liberdade que Cristo nos libertou&lt;/em&gt;” (Gl 5,1) –, mas só existe verdadeira liberdade na fidelidade, pois toda liberdade está referenciada a algo. Para os que creem, a fidelidade sinaliza para a lei inscrita nos corações, que faz com que as pessoas redescubram o projeto que Deus tem para a humanidade. Essa liberdade fiel torna o ser humano responsável e criativo. A responsabilidade, considerada a ideia-mãe da moral cristã, é a capacidade de dar respostas consequentes, que possibilitam o surgimento do “&lt;em&gt;inédito viável&lt;/em&gt;”, da novidade criativa, que harmoniza e restaura a vida em todos os sentidos possíveis. Por essa razão, a Teologia Moral hoje está empenhada em formar pessoas adultas, maduras, discernentes e responsáveis, capazes de, na liberdade fiel e amorosa, serem portadoras da novidade que traz a Verdade que liberta e pacifica o ser humano e suas relações.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #20124d;"&gt;A quarta proposta&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é a tentativa de propor uma Teologia Moral Cristã da sexualidade para hoje. &lt;strong&gt;A ética cristã da sexualidade, para ter plausibilidade hoje, precisa estar atenta a duas dimensões: à dimensão dos valores fundamentais que se quer garantir e à dimensão do modo como esses valores devem ser transmitidos&lt;/strong&gt;. Aqui valem as palavras do Papa João XXIII, na abertura do Concílio Vaticano II:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma é a substância da antiga doutrina do &lt;em&gt;depositum fidei&lt;/em&gt;, e outra, a formulação que a reveste: e é disso que se deve – com paciência, se necessário – ter grande conta, medindo tudo nas formas e proporções do magistério prevalentemente pastoral [...] Sempre a Igreja se opôs aos erros, muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Nos nossos dias, porém, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade: julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina que condenando erros (João XXIII, 1969).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para garantir essas duas dimensões, pode-se dizer que a ética atual da sexualidade aposta numa moral personalista relacional, não mais de atos, mas de atitudes. Nessa perspectiva, &lt;strong&gt;a sexualidade é redescoberta como um valor da vida humana e é concebida como a pessoa, masculina ou feminina, em relação com todos os outros, crescendo em direção ao amor&lt;/strong&gt;. A sexualidade é vista, então, como uma forma de comunhão íntima, que se volta para a relação/comunhão, a partir da inspiração do amor oblativo. É importante relembrar que uma verdadeira relação interpessoal, impulsionada pelo amor, não pode ser anônima, apenas biológica, tampouco só espiritualizada. O amor que é ofertado ao outro e que depende da dádiva que cada um faz de si, enquanto pessoa sexuada, tem uma concretude indispensável. Cada ser humano se relaciona com os outros enquanto ser corpóreo, que tem uma história, que vive num tempo determinado e num lugar identificável. Portanto, atos isolados têm a sua objetividade e podem ser medidos, na sua bondade ou maldade, mas as pessoas só podem ser compreendidas e ajudadas, misericordiosamente, a partir de suas atitudes, que estão conectadas a um contexto específico que deve sempre ser considerado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ética cristã aposta, também, em uma moral que seja paraclética e terapêutica&lt;/strong&gt;. Uma moral fundada na Sagrada Escritura e apoiada nas palavras do Papa João XXIII &lt;strong&gt;deve pretender sempre cuidar, aliviar e, se possível, curar as pessoas de seus pecados, seus problemas, suas aflições, suas culpas e suas dores&lt;/strong&gt;. Por isso, é necessário apontar para a plausibilidade de uma moral paraclética e terapêutica, que leve em conta a vida concreta das pessoas para, a partir desta, fazer o anúncio da boa notícia que consola e encoraja, que é convite sedutor para uma vida em Cristo e no Espírito. Essa moral dinamiza e indica caminhos possíveis de salvação e de libertação para todos e, de modo especial, para os doentes, os abatidos, os cansados e feridos, sem cair no moralismo legalista, que muitas vezes somente pune, castiga e leva as pessoas ao desânimo improdutivo. Ela prefere uma linguagem indicativa e propositiva àquela imperativa e impositiva; ela quer cuidar e curar as pessoas pelo amor e não pela proibição e pelo medo. Essa moral está a favor das expressões que possam indicar o caráter libertador e responsável da lei do Espírito, de modo que a mensagem moral seja compreendida por todos não como algo imposto de fora ao ser humano, mas como um dom que já está presente no interior de cada pessoa e que precisa apenas ser despertado e acolhido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma moral paraclética é aquela que usa a linguagem da paraclese, que é a linguagem própria do Espírito Paráclito, por isso é consoladora, encorajadora, e vincula o coração, a memória e a consciência das pessoas às obras prometidas e realizadas por Deus em favor de suas criaturas, proporcionando-lhes a força necessária para o combate ao egoísmo pessoal e coletivo, ao desprezo para com a vida, à busca desenfreada do prazer e do sexo sem amor e sem referência à dignidade própria de cada um e de todos os humanos, criados à imagem e semelhança de Deus.&lt;br /&gt;Um grande passo na direção da consolidação de uma moral paraclética e terapêutica é a capacidade de assumir o “&lt;strong&gt;cuidado&lt;/strong&gt;” como vocação, como linguagem e como um modo próprio de “&lt;strong&gt;ser-no-mundo&lt;/strong&gt;” (Boff, 1999, p. 99). Cuidado que supõe gratuidade, oferta de si, pelo simples reconhecimento da carência, do vazio e da incompletude presentes em cada criatura. Resgatar essa vocação do ser humano para o cuidado significa rever o modo como facilitamos às pessoas, individualmente, em conjunto e entre si, o acesso ao necessário para uma vida digna, e também o modo como as capacitamos para a organização de si mesmas no encontro com o sentido essencial que as humaniza e que as encaminha para um relacionamento significativo com os outros e com o Totalmente Outro. No entanto, escolher o caminho do cuidado, quando se quer pensar uma nova ética da sexualidade, é propor algo que ainda precisa ser aprendido, talvez reinventado, num mundo que privilegia a competição e o sucesso individual, num mundo onde funciona a lógica da guerra. Aqui se tem uma tarefa para toda a vida: sustentar o empenho no aprendizado do amor e da ternura e o reconhecimento da dimensão fundante do afetivo, do poder da bondade e da afabilidade, contra toda violência e dureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na visão de alguns, sexo e ternura não combinam, pois a sexualidade, ao invés de ser considerada como um ato de ternura, é concebida por muitos como um ato de conquista. A ternura só pode enunciar-se a partir da fratura, e para que ela se faça presente é necessário que se inverta a ideologia do conquistador, e isso significa assumir a consciência da própria fragilidade e agir a partir desta. O amor não é um ato de soberania, mas, antes, uma constatação da fraqueza compartilhada. Somente a lógica evangélica do&amp;nbsp; “Curador ferido”, do “Servo de Yahweh”, aquele que venceu sem fazer vencidos, pode assegurar a plausibilidade desse caminho na contemporaneidade conturbada pela busca descontrolada das vantagens individuais e do prazer desmedido.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jesus, o Curador Ferido, ao morrer como cordeiro não violento, conduz a todos, pela força do testemunho, à experiência do amor não violento e curativo&lt;/strong&gt;. Ele oferece esse amor gratuitamente a cada pessoa como um dom que, no entanto, está ligado a uma tarefa. A tarefa consiste na &lt;strong&gt;conversão a um modo novo de pensar, de desejar e de agir&lt;/strong&gt;. A moral que se faz paraclética e terapêutica quer ajudar a Igreja de Cristo e todas as pessoas a assumirem essa conversão, para que se compreendam também como curadores feridos. Quem acha que nunca pecou não pode ajudar na salvação dos outros. Jesus, que não tinha pecado, “fez-se pecado” para salvar a todos. A Igreja de Jesus Cristo, ferida pelos próprios pecados e pela solidariedade com o pecado do mundo, ao fazer uma opção real pelo Servo sofredor, luta radicalmente a favor da mensagem libertadora e salvífica do Evangelho, compreendendo que, na melhor das hipóteses, ela é, como todos, curadora ferida diante do médico divino, necessitada de cura e de libertação. Desse modo, ela nunca pode ser violenta, nunca aceitará a violência e, diante da tentação de buscar saídas violentas, se recordará de que o mal e a morte só serão vencidos pelo amor e pelo perdão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Investir, pois, no cuidado, na ternura, no amor, no encorajamento e na consideração à dignidade de todas as pessoas é apostar em um novo paradigma de convivência para uma outra sociedade possível.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Moral paraclética e terapêutica quer, pois, contribuir para isso, ao apostar na força de conversão e cura de uma autonomia responsável e intersubjetiva, aquela que possibilita que as pessoas saiam do infantilismo moral, do horizonte da obediência cega e irresponsável, na valorização da consciência como lugar do encontro com a Verdade&lt;/strong&gt;. Desse modo, &lt;strong&gt;a moral será verdadeiramente cristã, a serviço do amor, da comunhão e da humanização das pessoas&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Nessa perspectiva, a sexualidade será sempre percebida e experienciada na sua ambivalência, como motor da vida ou como causa da morte, pelo fato de estar inserida no mistério mesmo da pessoa, frágil e impotente na sua humanidade, embora vocacionada a ser como Deus é. Assim compreendida, possibilitará a cada um viver humildemente sua situação de criatura referenciada a um Deus Bom, que cria, cuida, defende e salva, para que todos possam partilhar amorosamente a vida com dignidade, alegria e prazer, sabendo que &lt;strong&gt;tudo que há em cada um e no mundo é dom para ser usufruído e cultivado&lt;/strong&gt;. O amor e a comunhão, a busca conjunta da verdade, potencializam o ser humano ao caminho da autorrealização, da libertação e da salvação.&lt;br /&gt;A moral paraclética e terapêutica quer, finalmente, assumir, no horizonte da evangelização, ao apresentar os valores fundamentais da sexualidade, a missão de matriciar o Reino de Deus. Somente quando engravidadas pelo Espírito, as pessoas se tornam oferentes e podem fazer nascer no coração e na vida de tantos outros a disposição para o bem e para a verdade, experimentando a comunhão alegre, na busca de sinceros encontros afetivos e ternos que possam ser fecundos e vinculantes. &lt;strong&gt;Homens e mulheres paracléticos são chamados a espalhar sementes generosas, a nutrir a vida dos outros e a proclamar a boa notícia do amor que sustenta, anima e entusiasma o caminho de quantos queiram experimentar na liberdade responsável, fiel e criativa a grande aventura de viver&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6563588987037051201-9124768529365882889?l=contribuicoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/9124768529365882889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6563588987037051201/posts/default/9124768529365882889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contribuicoes.blogspot.com/2010/12/maria-ines-de-castro-millen.html' title='Maria Inês de Castro Millen'/><author><name>Enoisa Veras</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16982564590715488884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/SVOSYSZX_eI/AAAAAAAAAAM/Rgtqrena5tk/S220/enoisa..jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6563588987037051201.post-3051761865106379140</id><published>2010-12-14T15:00:00.001-03:00</published><updated>2010-12-14T15:08:12.089-03:00</updated><title type='text'>Inez Lemos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Alteridade e narcisismo: incapacidade para o amor e o sexo objeto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Inez Lemos é psicanalista e consultora em educação; autora de Pedagogia do Consumo&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fonte: Revista &lt;a href="http://www.paulus.com.br/periodicos/vida_pastoral.php"&gt;Vida Pastoral&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TQeoyQWJiII/AAAAAAAAB0o/MZqO_RMOt0s/s1600/vidapastoral.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_e85TQblsE7o/TQeoyQWJiII/AAAAAAAAB0o/MZqO_RMOt0s/s1600/vidapastoral.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconfio da modernidade. Desconfio da animação entediada dos jovens. Desconfio do progresso e do sexo cibernético. Desse amor sem dor. O poema de Drummond “O amor bate na aorta” me faz sentir saudade da loucuras do amor, quando por ele pulávamos o muro, subíamos nas árvores e nos “estrepávamos”. Amar é quase sempre nos “estrepar”, abrir feridas que às vezes não saram nunca, às vezes saram amanhã. Por que escrever sobre o amor na atualidade? O que ele tem de errado? A pretensão não é julgar se o amor hoje é melhor que o de outrora, mas refletir sobre os dados do &lt;em&gt;Núcleo de Sexualidade&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;Universidade de São Paulo&lt;/em&gt;, quando aponta que &lt;strong&gt;58,6%&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;dos rapazes&lt;/strong&gt; se queixam de ejaculação precoce e problemas de ereção e &lt;strong&gt;58,7% das garotas&lt;/strong&gt; reclamam da falta de orgasmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que esses números revelam é a existência de um ruído nas relações afetivas contemporâneas, que merece ser mais bem investigado. Ao indagar sobre a qualidade das relações, parto do &lt;strong&gt;pressuposto de que a questão é política&lt;/strong&gt;. Qual a conexão entre afeto e mercado? Como os jovens estão vivenciando a sexualidade? Os encontros e os amores ainda possibilitam a realização pessoal? Num encontro, não estaríamos em busca de ilusões e sonhos? Quais significantes fazem parte dos encontros hoje? &lt;strong&gt;A questão é fazer sexo ou ser feliz no exercício da sexualidade?&lt;/strong&gt; Sexo, apenas, não precisa de reflexão, e talvez isso seja a fonte dos ruídos apontados acima. Se, em tempos pós-modernos, seria demais exigir sexo com amor, transcendência e poesia, então vamos falar de &lt;strong&gt;sexo com gosto de felicidade, aquele que nos faz sentir melhor do que somos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A insatisfação sexual dos jovens não estaria relacionada à pressão pelo prazer imediato sem intimidades? &lt;strong&gt;Sexo fast-food?&lt;/strong&gt; O mundo taylorista, ao otimizar o tempo e racionalizar o trabalho, acabou estendendo a lógica industrial às relações. O pecado não foi ter levado a sério o discurso capitalista, esquecendo que o amor é custoso, moroso? Quando duas pessoas partem para um encontro, elas vão com tudo, com seus atavismos e insígnias fundadoras. Até para o amor o sujeito tem de estar inscrito numa ordem fálica. O que significa que ele, embora sendo sujeito do seu desejo, circula também no desejo do outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Alteridade e narcisismo, assim oscila a lei do amor, que é diferente da lei do mercado.&lt;/strong&gt; O amor do poeta, “sem eira nem beira”, é o que “vira o mundo de cabeça para baixo”, “suspende as saias das mulheres” e as “deixa constipadas”. Constipar hoje é participar da banalização do sexo. “&lt;em&gt;Como eu posso ficar tranquilo se as garotas topam a parada? Eu tenho que aproveitar, ou melhor, eu tenho que transar com todas que topam.&lt;/em&gt;” A fala de S. revela a ansiedade do jovem diante da &lt;strong&gt;nova ordem sexual&lt;/strong&gt;. Não seria a ânsia responsável pela ejaculação precoce? &lt;strong&gt;As relações sexuais em série tiram o encantamento dos encontros e nos deixam sem entusiasmo para enfrentar suas imperfeições&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mercado proíbe as relações profundas, e não o sexo. &lt;strong&gt;Viver em sociedade pressupõe pactos sociais&lt;/strong&gt;. Significa que, para funcionar, para que os interesses da minoria que detém o poder prevaleçam, os da maioria têm de ser sacrificados. Para tanto, &lt;strong&gt;desenvolvem-se mecanismos de controle sobre o outro, para que ele não faça o que muitos gostariam de fazer&lt;/strong&gt;. Junto à repressão, vem o mal-estar, a insatisfação, pois é algo do sujeito que foi apagado e desconsiderado. Assim começam as histórias de insatisfações. &lt;strong&gt;Quanto menos existe de nós em nossas escolhas, mais frustração há em nossos atos&lt;/strong&gt;. O ato sexual deve dizer do sujeito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mercado não deve fazer parte dessa parceria. Deixemos as exigências capitalistas de fora. Para o exercício da sexualidade, devem ser levados o ser integral e os sonhos de felicidade, mesmo que esses nunca se cumpram. Sexualidade é antiperformance. &lt;strong&gt;Ser menos neurótico é saber lidar com a incompletude da vida&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;E saber amar é aceitar o outro como faltoso, imperfeito&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Nas relações do amor possível e incompleto, a perfeição não entra&lt;/strong&gt;. Para facilitar a relação, o melhor é quando os dois se despem sabendo de suas faltas. Deixem as máscaras cair e assumam as falhas da sexualidade humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amor, paixão ou atração? Não existe significante que dê conta de nomear esses sentimentos. Eles são inomináveis. E, sendo o desejo amoral e sem ideologias, acredito que o desencontro amoroso que marca nossa era passa mais por questões que tentam operar os sentimentos, coisificando-os. Qual a nova ordem amorosa? &lt;strong&gt;O constrangedor não é falar de sexo, mas de desejo, pois desejar o outro pode representar uma contravenção em sociedade, cuja ordem sexual é regulamentada por um discurso que dessexualiza o desejo e o transforma em demanda&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devemos consumir uns aos outros num moto-contínuo? O sexo/objeto está disponível em qualquer esquina. No “cabaré” da sexualidade de hoje, já não existe a esquina do pecado. O pecado é não querer fazer parte do cabaré. &lt;strong&gt;Se o amor romântico era incentivado, hoje é a banalidade dos corpos&lt;/strong&gt;. O binômio matrimônio/patrimônio foi substituído por corpo/mercadoria. A tradição que se originou na família, no Estado e na propriedade privada se desloca e reifica os sentimentos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao tratar o desejo como coisa, sufocamos qualquer produção afetiva que esteja fora da determinação do mercado. Como reinventar uma nova relação que fuja dos padrões impostos pela sociedade de consumo? Será que o outro é visto como um sujeito de desejo e de escolhas, com sentimentos e fantasias, ou o seu corpo entra numa relação apenas para operar uma função?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao operarmos uma fratura no desejo e na significação das relações, criamos outra forma de prazer para o sujeito e nova relação com o outro. Nesse novo encontro amoroso, o sujeito é envolvido por uma mística que se materializa nos objetos, e não mais na substância e na interioridade do parceiro. &lt;strong&gt;O sujeito-escravo do mundo atual é executor do desejo de outro senhor, o capital.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Isso envolve mudanças no sentido e na organização das escolhas&lt;/strong&gt;. Como posso desejar uma mulher que não se pareça com Deborah Secco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A recusa da subjetividade, a recusa do sujeito em operar ele mesmo suas escolhas, produz a tirania. Ele passa a querer destruir no outro o que não pode admitir nele. Essa recusa torna o sujeito disponível para a infelicidade, para a doença, para a droga ou para atos perversos. &lt;strong&gt;Nossa sociedade vende um ideal de liberdade falso, irresponsável.&lt;/strong&gt; Liberda
